A dívida bruta do governo geral (DBGG) chegou a 76,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em maio de 2025, conforme divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (30). O percentual representa um crescimento de 0,2 ponto percentual em relação ao mês de abril, quando estava em 75,9%.
Dívida pública bruta do brasil cresce e chega a 76,1% do pib em maio
Dívida bruta do governo geral atinge 76,1% do PIB em maio de 2025. A alta reflete gastos com juros e retração do PIB nominal, segundo o Banco Central.
Em termos nominais, a DBGG alcançou R$ 9,3 trilhões no período. O dado faz parte do relatório Estatísticas Fiscais, publicado mensalmente pelo Banco Central, e evidencia um cenário de contínua pressão sobre o endividamento público.
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O que é a DBGG?

Definição e abrangência
A DBGG abrange as dívidas dos três entes federativos — União, estados e municípios — além do INSS, sem descontar os ativos financeiros. É um dos principais indicadores para medir a sustentabilidade da política fiscal, usado por instituições como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e agências de risco.
Principais influências para a alta em maio
Gastos com juros
Os pagamentos de juros da dívida pública contribuíram com um acréscimo de 0,8 ponto percentual na relação dívida/PIB. Isso acontece porque, mesmo sem aumento expressivo na dívida principal, os encargos com juros elevam o valor total da dívida bruta.
Variação negativa do PIB nominal
Outro ponto que influenciou a alta foi a queda do PIB nominal, responsável por uma retração de 0,6 ponto percentual. Quando o valor total da economia cai, a proporção da dívida em relação ao PIB sobe, mesmo que o montante da dívida não aumente significativamente.
Evolução da DBGG ao longo do ano
Crescimento gradual
No acumulado de 2025, a dívida bruta cresceu 1,7 ponto percentual. Em janeiro, o indicador estava em 74,4% do PIB. Desde então, os sucessivos aumentos — ainda que moderados — vêm gerando preocupações entre analistas do mercado e especialistas em contas públicas.
Expectativas frustradas
O movimento contraria as expectativas de estabilização que haviam sido desenhadas com a aprovação do novo arcabouço fiscal no ano anterior.
Comparações históricas e internacionais
Contexto histórico
A atual taxa de 76,1% do PIB ainda está abaixo do pico observado em outubro de 2020, no auge da pandemia da covid-19, quando a DBGG atingiu 87,6%. No entanto, a tendência de alta reacende o debate sobre os limites sustentáveis do endividamento público brasileiro.
Comparação internacional
Em termos internacionais, o Brasil apresenta um dos maiores níveis de dívida bruta entre as economias emergentes. Segundo dados do FMI, a média da dívida para países em desenvolvimento está abaixo de 70% do PIB, embora alguns países avancem para patamares similares ao brasileiro.
Repercussão no mercado

Visão dos analistas
Analistas do mercado financeiro veem a elevação da dívida com preocupação moderada. O aumento dos juros reais e a dificuldade de controlar o crescimento das despesas obrigatórias colocam em xeque a eficácia das metas fiscais estipuladas pelo governo federal.
Relatório da consultoria Tendências
Segundo relatório da consultoria Tendências, “a manutenção da trajetória de alta da DBGG pode implicar maior dificuldade de rolagem da dívida e aumento do prêmio de risco exigido pelos investidores”.
Papel do novo arcabouço fiscal
O que mudou
A aprovação do novo arcabouço fiscal em 2024 trouxe consigo a expectativa de maior previsibilidade na gestão das contas públicas. O modelo substituiu o teto de gastos por um regime baseado em metas de resultado primário, com limites de crescimento das despesas condicionados ao avanço da receita.
Desafios enfrentados
No entanto, a eficácia do arcabouço está sendo testada diante do cenário de baixo crescimento, inflação pressionada e elevados gastos com previdência, saúde e assistência social.
Gatilhos para o ajuste fiscal
Crescimento econômico robusto
O crescimento do PIB é uma das formas mais eficazes de reduzir a relação dívida/PIB. Uma economia mais forte gera mais receitas e reduz a necessidade de endividamento adicional.
Controle de gastos
Sem reformas estruturais, especialmente na área previdenciária e no funcionalismo, os gastos obrigatórios continuarão pressionando as contas públicas. O aumento real do salário mínimo também impacta significativamente a folha de pagamentos do governo.
Revisão de renúncias fiscais
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A eliminação ou redução de benefícios tributários pode aumentar a arrecadação sem a necessidade de novos impostos. Estima-se que o Brasil perca cerca de R$ 400 bilhões por ano com renúncias fiscais.
Reforma tributária
A aprovação da segunda fase da reforma tributária, voltada à renda e patrimônio, também é apontada como crucial para garantir maior justiça fiscal e arrecadação estável.
Impactos futuros
Possíveis consequências
Caso a trajetória de alta da DBGG continue, o Brasil pode enfrentar:
- Redução na confiança de investidores
- Rebaixamento por agências de rating
- Alta nos juros para financiamento da dívida
- Menor espaço para políticas públicas em momentos de crise
O que dizem os economistas
Visão de Sérgio Vale
Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, “a dívida não está fora de controle, mas está no limite do desconforto fiscal. Sem crescimento e disciplina, ela tende a se deteriorar”.
Alerta de Monica de Bolle
Já a economista Monica de Bolle, professora da Universidade Johns Hopkins, alerta que “o risco não é de insolvência, mas de paralisia fiscal. A dívida alta engessa o orçamento e impede investimentos cruciais”.
Expectativas para os próximos meses

Projeções para 2025
A manutenção dos juros básicos (Selic) em patamar elevado e a fraca recuperação econômica devem manter a DBGG em tendência de alta no curto prazo.
O Ministério da Fazenda trabalha com projeções que apontam para uma estabilização da dívida em torno de 78% do PIB até o fim de 2025, mas essa previsão depende de fatores como arrecadação, inflação e novas medidas de contenção de despesas.
Conclusão
A elevação da dívida bruta do governo para 76,1% do PIB em maio acende um alerta sobre a sustentabilidade fiscal do país. Embora ainda longe do nível crítico atingido em 2020, a tendência de crescimento preocupa analistas, especialmente diante da dificuldade de aumentar a arrecadação e controlar gastos estruturais.
O debate sobre responsabilidade fiscal volta ao centro da agenda econômica, e medidas concretas serão necessárias para assegurar a solvência das contas públicas nos próximos anos.
