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Dívida do cartão dobra por causa do rotativo de 15% ao mês; veja como quitar

Com juros médios de 15,14% ao mês, o rotativo do cartão de crédito pode dobrar sua dívida rapidamente. Entenda como funciona!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Transações cartão de crédito dívida

O rotativo do cartão de crédito continua sendo uma das armadilhas financeiras mais perigosas para o consumidor brasileiro. Dados recentes do Banco Central mostram que a taxa média de juros dessa modalidade atingiu 15,14% ao mês, apenas no primeiro mês de atraso.

Essa taxa se aplica quando o cliente paga menos do valor total da fatura até a data de vencimento. Após 30 dias, pela regra do Banco Central, o valor não quitado é automaticamente transferido para o parcelamento compulsório, cuja taxa média gira em torno de 8,86% ao mês.

Com esses índices, uma dívida de R$ 1.000 pode dobrar em poucos meses, mesmo com o novo limite imposto pela Lei do Desenrola.

Lei limita acúmulo de juros a 100% do valor original

Cartões dívida
Imagem: Olleg / Shutterstock.com

Leia mais: Inflação deve fechar 2025 em 4,56%, estima Banco Central

Desde 2024, a Lei do Desenrola estabelece que os encargos de operações de crédito, como o rotativo do cartão, não podem superar o dobro da dívida original.

Isso significa que uma dívida inicial de R$ 1.000 não pode ultrapassar R$ 2.000, incluindo juros, multas e encargos.

Mas o perigo continua real: apenas em 30 dias de atraso, esse valor pode chegar a R$ 1.151,40 com os juros básicos do rotativo. No mês seguinte, sem pagamento, sobe para R$ 1.253,41 — sem considerar IOF diário e multa por atraso, que elevam ainda mais o custo.

O que é o rotativo?

O rotativo é acionado automaticamente quando o consumidor não paga o valor integral da fatura até o vencimento.

Ele serve como uma espécie de “empréstimo de emergência”, mas com os juros mais altos do mercado financeiro.

Como funciona na prática

  1. Você paga apenas parte da fatura (por exemplo, R$ 500 de um total de R$ 1.000).
  2. O valor restante entra no rotativo e passa a gerar juros diários.
  3. No mês seguinte, se o saldo não for quitado, ele é transferido para o parcelamento automático.

Duração máxima

O rotativo pode durar no máximo 30 dias, segundo determinação do Banco Central. Após esse prazo, o banco deve converter automaticamente o saldo em parcelamento, com juros menores — mas ainda elevados.

Organize o orçamento antes de buscar crédito novo

Para sair do vermelho e evitar o rotativo, planejamento é essencial. Especialistas em finanças pessoais orientam começar mapeando todas as entradas e saídas mensais.

Separe os gastos em categorias e classifique-os como essenciais e não essenciais.

Opções mais baratas para trocar a dívida

Uma das saídas mais eficazes para quem caiu no rotativo é migrar a dívida para modalidades com juros menores.

Segundo dados do Banco Central:

  • Crédito pessoal: média de 5,29% ao mês;
  • Crédito consignado: cerca de 1,99% ao mês, com desconto direto em folha.

Como escolher a melhor alternativa

  1. Simule em diferentes instituições — bancos, cooperativas e fintechs;
  2. Compare Custo Efetivo Total (CET) e prazos;
  3. Avalie o impacto no seu orçamento mensal para evitar novo endividamento.

Negocie diretamente com o banco

As instituições financeiras preferem renegociar do que lidar com inadimplência total. Por isso, vale entrar em contato antes que a dívida se torne impagável.

Dicas para negociar

  • Ligue para a central de atendimento do banco ou acesse o aplicativo;
  • Solicite parcelamento com desconto de juros;
  • Peça extensão de prazos compatíveis com sua renda;
  • Confirme todas as condições por escrito.

Muitos bancos também participam de programas de renegociação, como o Desenrola Brasil, que oferece condições facilitadas para dívidas com cartão.

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Endividamento atinge níveis recordes

Dívidas idosos
Imagem: Canva

Os números mais recentes do Banco Central mostram que 60,48% das dívidas do rotativo não são quitadas dentro dos 30 dias de prazo.

Já o parcelamento automático apresentou atraso de 13,21%, o maior índice desde 2011.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta que 79,2% das famílias brasileiras estão endividadas, e 30,5% têm contas atrasadas.

Esses dados refletem um cenário de consumo pressionado pela inflação e pela alta dos juros, reforçando a importância da educação financeira e da gestão consciente do crédito.

FAQ – Perguntas frequentes

Qual a taxa média atual do rotativo?
A taxa média é de 15,14% ao mês, segundo o Banco Central. Após esse prazo, a dívida é parcelada automaticamente com taxa de 8,86%.

A dívida pode ultrapassar o dobro do valor original?
Não. A Lei do Desenrola limita o acúmulo de juros e encargos a 100% do valor inicial.

Como posso evitar cair no rotativo?
Pague sempre o valor total da fatura, controle gastos e, se necessário, solicite o parcelamento antes do vencimento.

É possível negociar a dívida do cartão?
Sim. Bancos costumam oferecer parcelamentos com juros reduzidos ou descontos à vista. Contate a instituição e busque alternativas de crédito mais baratas.

Considerações finais

A dívida do cartão de crédito é uma das mais caras e perigosas do mercado. O rotativo, com juros de 15,14% ao mês, pode dobrar o valor devido em poucos meses, mesmo com o teto de 100% imposto pela Lei do Desenrola.

O caminho para sair do vermelho passa por organização financeira, negociação direta com o banco e, se possível, migração da dívida para linhas de crédito mais baratas.

Planeje-se, corte gastos supérfluos e busque informação antes de qualquer decisão financeira. O controle começa com conhecimento e disciplina.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

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Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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