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Brasil terá dívida superior a 100% do PIB em 2030, aponta relatório da IFI

Relatório da IFI estima que a dívida bruta do governo superará 100% do PIB em 2030. Projeções vão até 170% em cenário pessimista.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Previsão PIB

A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal divulgou um novo relatório com projeções alarmantes sobre a trajetória da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG). Segundo o documento, mesmo com ações recentes de contenção de gastos e aumento da arrecadação, a dívida brasileira poderá ultrapassar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) já em 2030, alcançando 124,9% do PIB até 2035.

O relatório foi publicado em meio a um cenário de congelamento de despesas e mudanças nas regras tributárias promovidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As estimativas da IFI reforçam os desafios fiscais que o país enfrentará nos próximos anos, mesmo diante de esforços de ajuste.

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Imagem: AuraFinance/Pixabay

Situação atual da dívida pública

Aumento nos primeiros meses do governo Lula

Segundo dados do Banco Central, a dívida bruta do Brasil atingiu 76,2% do PIB em abril de 2025. Isso representa um crescimento de 4,5 pontos percentuais desde o início do atual governo. A IFI projeta que a dívida continuará em trajetória ascendente:

  • 77,6% do PIB no final de 2025;
  • 82,4% até o final do governo Lula, em 2026.

Projeções para a dívida até 2035

Três cenários distintos traçados pela IFI

A IFI elaborou três cenários possíveis para o comportamento da dívida bruta até 2035:

1. Cenário base (mais provável)

  • A dívida ultrapassará 100% do PIB em 2030.
  • Continuará subindo até atingir 124,9% do PIB em 2035.

2. Cenário otimista

  • A dívida permanece abaixo de 80% do PIB até 2026.
  • Ainda assim, sobe gradualmente, chegando a 90,1% em 2035.

3. Cenário pessimista

  • A dívida ultrapassaria os 100% do PIB em 2029.
  • Alcançaria 170,3% em 2035, colocando o Brasil em uma situação crítica de solvência fiscal.

Ações do governo para conter a escalada da dívida

Congelamento de R$ 31 bilhões em gastos

Como parte do esforço para cumprir a meta fiscal de 2025, o governo federal anunciou o congelamento de R$ 31 bilhões em despesas discricionárias, que são aquelas não obrigatórias e de livre execução por parte do Executivo.

Aumento da arrecadação com medidas tributárias

Foram adotadas também medidas para ampliar a receita da União, com destaque para:

  • Aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras);
  • Medida Provisória para tributar títulos de renda fixa anteriormente isentos;
  • Taxação de casas de apostas e do lucro via juros sobre capital próprio (JCP);
  • Mudança nas regras de compensação tributária, com impacto de R$ 20 bilhões estimados até o fim do governo.

A equipe econômica espera arrecadar R$ 31,4 bilhões entre 2025 e 2026 com esse conjunto de ações.

Meta fiscal e limites do arcabouço

Teto de tolerância para 2025

A meta fiscal do governo é de resultado primário zero em 2025, ou seja, receitas e despesas (sem considerar os juros da dívida) devem se equilibrar. O novo arcabouço fiscal permite uma margem de tolerância de até 0,25 ponto percentual do PIB, equivalente a R$ 30,9 bilhões.

Contudo, as previsões iniciais do Ministério da Fazenda indicavam um déficit de R$ 51,7 bilhões, o que motivou o congelamento de despesas para não ultrapassar os limites legais.

Divergências entre IFI e governo nos gastos estimados

programas sociais
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Benefício de Prestação Continuada (BPC)

  • Governo Lula: prevê gasto de R$ 126 bilhões em 2025;
  • IFI: estima que será R$ 130,2 bilhões, R$ 4,2 bilhões a mais.

Bolsa Família

  • Governo: projeta desembolso de R$ 158,6 bilhões;
  • IFI: calcula R$ 164 bilhões, uma diferença de R$ 5,4 bilhões.

Despesas discricionárias

  • Governo: previsão de R$ 101,5 bilhões;
  • IFI: estima R$ 107,6 bilhões, ou seja, R$ 6,1 bilhões a mais.

Programação financeira total

  • Fazenda: espera R$ 553,1 bilhões em despesas sujeitas à programação;
  • IFI: projeta R$ 565,3 bilhões, diferença de R$ 12,2 bilhões.

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Essas discrepâncias reforçam o alerta da IFI sobre a possibilidade de subestimação das despesas federais, o que pode prejudicar o cumprimento das metas fiscais.

Carga tributária e esgotamento das receitas

Limites da arrecadação como ajuste fiscal

A IFI destaca que há um “esgotamento paulatino” do crescimento das receitas como ferramenta primária de ajuste. Em 2024, a carga tributária brasileira foi de 34,24% do PIB, um dos índices mais elevados da América Latina.

A instituição afirma que elevar ainda mais a carga pode ter efeitos recessivos sobre a economia, exigindo, portanto, reformas estruturais e revisão de despesas obrigatórias como alternativas mais sustentáveis.

Riscos fiscais no horizonte

Juros altos e impacto na dívida

Com a taxa Selic elevada a 15% ao ano, o custo do serviço da dívida pública aumenta consideravelmente, o que agrava a trajetória de endividamento.

Cada ponto percentual adicional de juros representa bilhões de reais a mais por ano em pagamento de encargos, reduzindo o espaço para investimento público e pressionando o resultado primário.

Envelhecimento populacional

A expansão de gastos obrigatórios, como aposentadorias, BPC e saúde, deve continuar crescendo com o envelhecimento da população brasileira, tornando ainda mais difícil conter a escalada da dívida sem reformas previdenciárias e fiscais adicionais.

Soluções possíveis para reverter a tendência

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Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Revisão de despesas obrigatórias

Especialistas e a própria IFI sugerem que o governo federal precisa rever gastos com benefícios e políticas sociais, de forma a preservar os direitos adquiridos, mas estabelecer critérios mais rigorosos de elegibilidade, além de ampliar a focalização dos programas.

Crescimento sustentável

Outra estratégia é estimular o crescimento econômico sustentado, que pode aumentar a base arrecadatória sem elevar alíquotas, além de reduzir a pressão por gastos sociais.

Simplificação tributária e maior eficiência

Reformas como a tributária do consumo (PEC 45/2019 e Lei Complementar 214/2025) podem contribuir com um ambiente de negócios mais simples, elevando a produtividade e atraindo investimentos.

Imagem: rafastockbr/Shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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