O Senado manteve, no projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, um trecho que preocupa empresas: a tributação de dividendos a partir de 2026. A decisão foi destacada por especialistas como potencialmente conflituosa com a contabilidade de muitas companhias.
Senado mantém prazo e isenção de dividendos preocupa empresas; veja o impacto
Senado mantém prazo para isenção de dividendos; entenda impactos para empresas e investidores e como se preparar para mudanças fiscais.
Continue lendo para entender os impactos e como as empresas podem se preparar.
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Tributação de dividendos a partir de 2026
Segundo o projeto aprovado, dividendos atualmente isentos terão incidência de alíquota fixa de 10% de IR quando os pagamentos mensais por empresa excederem R$ 50 mil. A tributação será na fonte e valerá também para investidores não residentes no País.
O texto estabelece que os lucros apurados em 2025 devem ser deliberados até 31 de dezembro do mesmo ano para garantir isenção, mesmo que a distribuição ocorra nos anos seguintes, até 2028.
“Essa exigência é incompatível com a contabilidade prática de muitas empresas,” avalia Ana Lucia Marra, sócia fundadora do Sanmahe Advogados.
Resistência a alterações no projeto
Havia uma emenda do senador Esperidião Amin (PP-SC) para alterar o texto, impedindo a tributação sobre lucros e dividendos ainda não distribuídos. O relator Renan Calheiros (MDB-AL) rejeitou a emenda, argumentando que mudanças exigiriam reanálise da Câmara.
Em plenário, o líder do PL, Carlos Portinho (RJ), apresentou uma emenda similar, que também não prosperou.
Especialistas alertam para riscos jurídicos
Para Ana Lucia Marra, a regra de deliberação até 31 de dezembro de 2025 gera insegurança jurídica, já que muitas empresas fecham suas contas somente no ano seguinte. A legislação atual, incluindo o Código Civil e a Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6404/76), permite que assembleias de sócios deliberem sobre resultados financeiros até quatro meses após o término do exercício social.
Carlos Henrique de Oliveira, ex-presidente do CARF, reforça que o prazo legal para apuração seria até abril de 2026, caso a determinação de deliberação imediata não existisse.
Carlos Eduardo Orsolon, sócio da área tributária do Demarest, aponta que empresas ainda buscam compreender como cumprir os prazos para evitar a tributação dos lucros.
Principais impactos da tributação de dividendos
- Planejamento financeiro – Empresas precisarão ajustar cronogramas para deliberar lucros dentro do prazo.
- Segurança jurídica – Insegurança quanto à conformidade contábil pode gerar litígios futuros.
- Investidores – Novas regras podem alterar expectativas de retorno, especialmente para grandes acionistas.
- Contabilidade corporativa – Ajustes na contabilidade para fechar demonstrações dentro do prazo exigido.
- Fluxo de caixa – Pagamentos de dividendos podem ser impactados, afetando distribuição de lucros.
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Cenário para empresas e investidores
O setor corporativo se vê diante de desafios para adaptar processos internos e garantir conformidade com a legislação. Especialistas alertam que dividendos distribuídos fora do prazo podem ser tributados, aumentando custos e gerando incertezas sobre planejamento estratégico.
As companhias devem revisar seus processos de fechamento contábil, garantir assembleias no prazo e monitorar alterações regulatórias. Já investidores precisam avaliar como a tributação impacta o retorno sobre seus investimentos em ações de empresas brasileiras.
Alternativas e estratégias sugeridas
- Antecipar a deliberação de lucros de 2025 para dezembro do mesmo ano.
- Revisar relatórios contábeis para garantir transparência e conformidade.
- Avaliar impactos financeiros dos 10% de IR sobre dividendos acima do limite mensal.
- Consultar assessoria jurídica especializada para reduzir riscos de autuação.
A aprovação do projeto pelo Senado mantém o prazo rígido para deliberação de lucros e estabelece a tributação sobre dividendos, exigindo ajustes imediatos de empresas e investidores. A adaptação será essencial para cumprir as novas regras e evitar impactos negativos sobre o planejamento fiscal e financeiro.
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Com informações de: InfoMoney
