Uma das maiores agências de publicidade do Brasil, a DM9, encontra-se no epicentro de uma crise grave desencadeada pelo uso de inteligência artificial (IA) para manipulação de imagens em uma campanha publicitária.
DM9 enfrenta crise após polêmica com uso de IA em campanha publicitária
DM9 enfrenta crise após uso de IA em campanha da Consul: perdeu prêmio em Cannes, executivo saiu e contrato milionário foi rompido.
A agência foi flagrada alterando cenas e conteúdos, incluindo até uma reportagem da CNN Brasil, para criar uma peça para a Consul — marca de eletrodomésticos do grupo Whirlpool.
A revelação culminou na devolução de prêmios conquistados no renomado festival Cannes Lions, na demissão de um executivo sênior e no rompimento do contrato com a Consul. Este episódio levanta debates importantes sobre os limites éticos e regulatórios do uso de IA no setor criativo.
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A peça publicitária que gerou a crise

“Economia eficiente de energia” para a Consul
A campanha intitulada “Economia eficiente de energia” tinha como objetivo estimular a troca de eletrodomésticos antigos por modelos novos, mais econômicos, usando a economia na conta de luz como incentivo financeiro.
A peça publicitária da DM9 foi premiada com o Grand Prix na categoria Creative Data no Cannes Lions 2025 — a premiação mais prestigiada do mercado publicitário global.
A manipulação e a descoberta do uso de IA
Poucos dias após o anúncio do prêmio, descobriu-se que a campanha continha manipulações realizadas por inteligência artificial, inclusive adulterando uma reportagem real da CNN Brasil.
A narração da jornalista Gloria Vanique foi alterada para parecer que a emissora divulgava a iniciativa da Consul, o que configurou fraude.
Com a comprovação, o Cannes Lions anulou o prêmio concedido à DM9 apenas nove dias depois da cerimônia.
Os desdobramentos internos e no mercado
Investigação interna e outras campanhas sob suspeita
A DM9 abriu uma investigação interna que revelou inconsistências em outras campanhas inscritas no festival. As peças “Plastic Blood” e “Death Gold”, desenvolvidas para outros clientes, também apresentavam problemas semelhantes.
A agência decidiu retirar as inscrições dessas campanhas, devolvendo ao todo dez prêmios conquistados no festival.
Mudanças na liderança da DM9
O copresidente e Chief Creative Officer (CCO) da DM9, Ícaro Doria, responsável direto pela produção das campanhas em questão, foi afastado em comum acordo com a direção da agência.
Ruptura contratual com a Consul
O grupo Whirlpool, dono da marca Consul, optou pelo rompimento do contrato com a DM9. Fontes do mercado indicam que a conta da Consul para a agência poderia superar R$ 120 milhões anuais — valor que não foi confirmado oficialmente pela DM9.
O debate sobre o uso de IA na publicidade
Limites e ética em evidência
O caso DM9 acende um alerta para o setor publicitário, que vem enfrentando uma verdadeira corrida para incorporar inteligência artificial em suas criações.
Roberto Valverde, empresário e especialista em governança corporativa, comenta que o episódio reflete a necessidade urgente de estabelecer regulações claras para o uso da tecnologia.
“A indústria está diante de um redesenho necessário. A publicidade e o mercado criativo precisam de regras que definam até onde a IA pode ir, principalmente para garantir transparência e integridade nas criações,” destaca Valverde.
Compliance e governança: o futuro do setor
Antes tratado de forma superficial, o uso da IA começa a exigir atenção mais rigorosa nas áreas de compliance e governança das agências.
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Segundo especialistas, o mercado precisará adotar mecanismos que garantam que o trabalho entregue ao cliente tenha produção humana autêntica ou um uso responsável da tecnologia.
Posicionamento oficial da DM9
Comunicado oficial da agência
Em nota divulgada, a DM9 confirmou as irregularidades e assumiu o compromisso de maior transparência e ética. O comunicado destaca:
- A constatação de inconsistências graves em três cases inscritos no Cannes Lions 2025.
- O afastamento imediato de Ícaro Doria, líder da produção das campanhas.
- A retirada das inscrições das campanhas “Efficient Way to Pay” (Consul), “Gold = Death” (Urihi Yanomami) e “Plastic Blood” (OKA Biotech).
- O retorno dos prêmios conquistados ao festival.
- O compromisso de implementar um Comitê de Ética em Inteligência Artificial para estabelecer diretrizes claras e práticas responsáveis no uso da tecnologia.
Impacto no mercado e lições aprendidas

Repercussão internacional e lições para o Brasil
Este escândalo representa um dos maiores episódios de questionamento ético da publicidade brasileira em âmbito internacional. A exposição negativa pode servir como um marco para outras agências e anunciantes refletirem sobre seus processos internos e os riscos do uso inadequado da IA.
A corrida pela inovação com responsabilidade
À medida que a tecnologia avança, o mercado publicitário enfrenta o desafio de equilibrar inovação e ética. O caso DM9 demonstra que o uso da inteligência artificial não pode ser uma desculpa para práticas fraudulentas ou enganosas, sob risco de danos irreparáveis à reputação e negócios.
Conclusão
A crise da DM9 após o escândalo do uso de inteligência artificial em uma campanha premiada expõe a fragilidade das regras atuais e a urgência de debater limites éticos na publicidade.
A indústria criativa está em um momento decisivo, onde a integração tecnológica deve andar lado a lado com a transparência e a governança rigorosa.
O futuro da publicidade no Brasil e no mundo passará pela adoção de práticas claras e responsáveis no uso de IA, garantindo que a criatividade humana continue no centro das narrativas e que os consumidores possam confiar nas mensagens veiculadas.
