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DM9 enfrenta crise após polêmica com uso de IA em campanha publicitária

DM9 enfrenta crise após uso de IA em campanha da Consul: perdeu prêmio em Cannes, executivo saiu e contrato milionário foi rompido.

Bianca BorgesPor Bianca Borges5 min de leitura
DM9

Uma das maiores agências de publicidade do Brasil, a DM9, encontra-se no epicentro de uma crise grave desencadeada pelo uso de inteligência artificial (IA) para manipulação de imagens em uma campanha publicitária.

A agência foi flagrada alterando cenas e conteúdos, incluindo até uma reportagem da CNN Brasil, para criar uma peça para a Consul — marca de eletrodomésticos do grupo Whirlpool.

A revelação culminou na devolução de prêmios conquistados no renomado festival Cannes Lions, na demissão de um executivo sênior e no rompimento do contrato com a Consul. Este episódio levanta debates importantes sobre os limites éticos e regulatórios do uso de IA no setor criativo.

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A peça publicitária que gerou a crise

DM9
Imagem: Propmark

“Economia eficiente de energia” para a Consul

A campanha intitulada “Economia eficiente de energia” tinha como objetivo estimular a troca de eletrodomésticos antigos por modelos novos, mais econômicos, usando a economia na conta de luz como incentivo financeiro.

A peça publicitária da DM9 foi premiada com o Grand Prix na categoria Creative Data no Cannes Lions 2025 — a premiação mais prestigiada do mercado publicitário global.

A manipulação e a descoberta do uso de IA

Poucos dias após o anúncio do prêmio, descobriu-se que a campanha continha manipulações realizadas por inteligência artificial, inclusive adulterando uma reportagem real da CNN Brasil.

A narração da jornalista Gloria Vanique foi alterada para parecer que a emissora divulgava a iniciativa da Consul, o que configurou fraude.

Com a comprovação, o Cannes Lions anulou o prêmio concedido à DM9 apenas nove dias depois da cerimônia.

Os desdobramentos internos e no mercado

Investigação interna e outras campanhas sob suspeita

A DM9 abriu uma investigação interna que revelou inconsistências em outras campanhas inscritas no festival. As peças “Plastic Blood” e “Death Gold”, desenvolvidas para outros clientes, também apresentavam problemas semelhantes.

A agência decidiu retirar as inscrições dessas campanhas, devolvendo ao todo dez prêmios conquistados no festival.

Mudanças na liderança da DM9

O copresidente e Chief Creative Officer (CCO) da DM9, Ícaro Doria, responsável direto pela produção das campanhas em questão, foi afastado em comum acordo com a direção da agência.

Ruptura contratual com a Consul

O grupo Whirlpool, dono da marca Consul, optou pelo rompimento do contrato com a DM9. Fontes do mercado indicam que a conta da Consul para a agência poderia superar R$ 120 milhões anuais — valor que não foi confirmado oficialmente pela DM9.

O debate sobre o uso de IA na publicidade

Limites e ética em evidência

O caso DM9 acende um alerta para o setor publicitário, que vem enfrentando uma verdadeira corrida para incorporar inteligência artificial em suas criações.

Roberto Valverde, empresário e especialista em governança corporativa, comenta que o episódio reflete a necessidade urgente de estabelecer regulações claras para o uso da tecnologia.

“A indústria está diante de um redesenho necessário. A publicidade e o mercado criativo precisam de regras que definam até onde a IA pode ir, principalmente para garantir transparência e integridade nas criações,” destaca Valverde.

Compliance e governança: o futuro do setor

Antes tratado de forma superficial, o uso da IA começa a exigir atenção mais rigorosa nas áreas de compliance e governança das agências.

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Segundo especialistas, o mercado precisará adotar mecanismos que garantam que o trabalho entregue ao cliente tenha produção humana autêntica ou um uso responsável da tecnologia.

Posicionamento oficial da DM9

Comunicado oficial da agência

Em nota divulgada, a DM9 confirmou as irregularidades e assumiu o compromisso de maior transparência e ética. O comunicado destaca:

  • A constatação de inconsistências graves em três cases inscritos no Cannes Lions 2025.
  • O afastamento imediato de Ícaro Doria, líder da produção das campanhas.
  • A retirada das inscrições das campanhas “Efficient Way to Pay” (Consul), “Gold = Death” (Urihi Yanomami) e “Plastic Blood” (OKA Biotech).
  • O retorno dos prêmios conquistados ao festival.
  • O compromisso de implementar um Comitê de Ética em Inteligência Artificial para estabelecer diretrizes claras e práticas responsáveis no uso da tecnologia.

Impacto no mercado e lições aprendidas

Inteligência artificial
Imagem: ImageFlow / Shutterstock

Repercussão internacional e lições para o Brasil

Este escândalo representa um dos maiores episódios de questionamento ético da publicidade brasileira em âmbito internacional. A exposição negativa pode servir como um marco para outras agências e anunciantes refletirem sobre seus processos internos e os riscos do uso inadequado da IA.

A corrida pela inovação com responsabilidade

À medida que a tecnologia avança, o mercado publicitário enfrenta o desafio de equilibrar inovação e ética. O caso DM9 demonstra que o uso da inteligência artificial não pode ser uma desculpa para práticas fraudulentas ou enganosas, sob risco de danos irreparáveis à reputação e negócios.

Conclusão

A crise da DM9 após o escândalo do uso de inteligência artificial em uma campanha premiada expõe a fragilidade das regras atuais e a urgência de debater limites éticos na publicidade.

A indústria criativa está em um momento decisivo, onde a integração tecnológica deve andar lado a lado com a transparência e a governança rigorosa.

O futuro da publicidade no Brasil e no mundo passará pela adoção de práticas claras e responsáveis no uso de IA, garantindo que a criatividade humana continue no centro das narrativas e que os consumidores possam confiar nas mensagens veiculadas.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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