Nesta segunda-feira (11), o dólar apresentou leve alta frente ao real, enquanto a Bolsa de Valores brasileira começou o dia em baixa. O mercado financeiro está atento à tensão política entre Brasil e Estados Unidos, especialmente diante da expectativa pela divulgação do plano de contingência do governo brasileiro para minimizar os impactos do chamado “tarifaço” norte-americano.
Dólar tem leve alta, e Bolsa inicia dia em baixa com Galípolo e tarifaço em foco
Dólar sobe, Bolsa cai e governo discute plano contra tarifa de 50% dos EUA; Galípolo e dados econômicos no radar.
Além disso, declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a Selic e a agenda econômica carregada também movimentam os investidores, que monitoram indicadores e balanços corporativos que serão divulgados ao longo da semana.
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Dólar oscila e dólar turismo tem alta expressiva

O dólar abriu o pregão em alta, teve uma leve redução no avanço até o final da manhã, mas voltou a subir após declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Por volta das 14h19, a moeda norte-americana subia 0,19%, cotada a R$ 5,447, valor próximo ao fechamento da sexta-feira (8), quando o dólar avançou 0,24%, sendo vendido a R$ 5,436. Na semana passada, a moeda acumulou perda de quase 2% frente ao real.
Já o dólar turismo — moeda utilizada para viagens internacionais — teve valorização mais expressiva, subindo 1,49%, e chegou a ser comercializado a R$ 5,723.
Bolsa de Valores recua com incertezas e atuações de grandes empresas
O principal índice acionário da Bolsa, o Ibovespa, iniciou o dia em queda de 0,22%, com 135.609 pontos, ficando longe do pico do dia que atingiu 136 mil pontos. A queda reflete a cautela dos investidores diante das incertezas políticas e econômicas.
Contudo, as ações de algumas empresas amenizaram a queda do índice. As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) subiram 0,95%, enquanto as preferenciais (PETR4) avançaram 1,02%. A mineradora Vale (VALE3) também apresentou alta de 0,32%, e o banco Itaú (ITUB4) registrou valorização de 0,57%.
Reunião cancelada com secretário do Tesouro dos EUA traz instabilidade
A volatilidade do mercado aumentou após o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciar que a reunião prevista para esta quarta-feira (13) com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi cancelada. Segundo Haddad, o encontro foi desmarcado após interferência da extrema-direita brasileira, destacando que o deputado federal Eduardo Bolsonaro teria agido para impedir a reunião, que teria relação com a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.
Essa situação acendeu um alerta sobre o relacionamento diplomático entre os dois países, que já enfrentam tensão devido às tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros desde 6 de agosto.
Governo prepara plano de contingência para enfrentar tarifaço
O governo do presidente Lula deve apresentar entre esta segunda e terça-feira o plano de contingência que visa reduzir os impactos do tarifaço norte-americano, especialmente nos setores industrial, agroindustrial e de manufaturados. O aumento da tarifa atinge 35,9% dos produtos brasileiros exportados para os EUA, afetando diretamente a competitividade e o emprego.
Entre as medidas estudadas para mitigar os efeitos do tarifaço estão:
- Concessão de linhas de crédito emergenciais para os setores afetados
- Flexibilização das regras trabalhistas para facilitar a operação das empresas
- Ampliação do programa Reintegra, que devolve parte dos tributos pagos na exportação
A definição do plano final será discutida em reunião no Palácio do Planalto, às 17h, com a presença do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Haddad.
Declarações de Galípolo e perspectiva para a Selic
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Os investidores também repercutem as declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que reforçou a decisão recente de interromper o ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano. Em discurso com metáforas futebolísticas, Galípolo afirmou que o patamar restritivo da Selic é determinante para manter os riscos de alta inflacionária afastados.
O mercado financeiro mantém a projeção da taxa Selic para o fim de 2025 em 15%, para 2026 em 12,5% e para 2027 em 10,5%.
Agenda econômica e balanços corporativos movimentam mercado

A semana será marcada por divulgação de importantes dados econômicos que podem impactar o cenário para a Selic e a economia brasileira:
- 12/08: IBGE divulga o IPCA de julho, principal indicador oficial da inflação no país.
- 13/08: Resultados do varejo referentes a junho, divulgados pelo IBGE.
- 14/08: Dados do setor de serviços referentes a maio, com crescimento acumulado de 1,6%.
- 15/08: PNAD Contínua com dados atualizados do mercado de trabalho.
Além disso, a temporada de balanços corporativos trará resultados de empresas relevantes como JBS, Nubank, Gol, Sabesp, Natura, Marisa, Direcional, Even, Itaúsa, Localiza, Vamos e Vibra Energia.
Revisão das projeções para o PIB após tarifaço
O Boletim Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira revela que os economistas reduziram, pela primeira vez desde junho, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2025. A nova projeção é de crescimento de 2,21%, uma queda de 0,02 ponto percentual em relação à semana anterior.
Para 2026, a estimativa caiu de 1,88% para 1,87%, e para 2027 de 1,95% para 1,93%, sinalizando cautela diante do impacto das medidas protecionistas dos EUA.
