O dólar encerrou o pregão desta sexta-feira (8) em leve alta, rompendo uma sequência de quatro quedas consecutivas, enquanto o Ibovespa recuou pressionado por fatores internos, principalmente pelas ações da Petrobras, e também por ruídos no cenário político doméstico. O mercado demonstra cautela típica de final de semana, diante da expectativa e incertezas que rondam os investidores.
Dólar e B3 mantêm estabilidade enquanto investidor monitora cenário externo
Dólar fecha em leve alta após quatro quedas, e Ibovespa recua com pressão das ações da Petrobras e incertezas políticas.
A moeda norte-americana ficou vendida a R$ 5,436, representando alta de 0,24% em relação ao fechamento do dia anterior, segundo dados oficiais. Por outro lado, o dólar turismo, cotado para quem planeja viagens internacionais, teve ligeira queda de 0,12%, negociado a R$ 5,639.
Apesar do movimento de hoje, o real acumula valorização significativa frente ao dólar nesta semana, com perda acumulada de 1,95% do dólar após quatro sessões de queda. Ontem, a cotação chegou a R$ 5,423 — o menor valor em quase um mês — impulsionada, entre outros fatores, pelo anúncio da tarifa adicional de 40% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
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Real se valoriza em meio a cenário global

No acumulado do mês, o dólar apresenta perda de quase 3%, enquanto no ano, sua desvalorização chega a 12,03%. Esse comportamento acompanha a tendência das moedas de países emergentes, que também mostraram estabilidade ou leve valorização frente ao dólar.
O índice MSCI Emerging Markets Currency Index, que avalia a média das moedas desses mercados, estava negativo em 0,12% por volta das 16h, indicando um dólar praticamente estável na comparação com essas moedas. Já o DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, teve leve alta de 0,18%, aos 98,27 pontos.
Ibovespa recua com pressão das ações da Petrobras
O principal índice da Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, encerrou o dia em queda de 0,45%, aos 135.913 pontos. A perda vem após um forte avanço na véspera, de 1,48%. Na semana, o índice ainda acumula ganhos de 2,62%.
O recuo desta sexta foi fortemente influenciado pela queda dos papéis da Petrobras, que caíram expressivamente após a divulgação do balanço do segundo trimestre e da distribuição de dividendos abaixo das expectativas do mercado.
As ações preferenciais (PETR4), que dão prioridade no recebimento de dividendos, recuaram 6,15%, enquanto as ordinárias (PETR3), com direito a voto, caíram ainda mais, com baixa de 7,95%.
Embora a Petrobras tenha revertido o prejuízo do trimestre anterior e apresentado lucro de R$ 26,65 bilhões, o pagamento de R$ 8,66 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio ficou aquém da projeção de R$ 12 bilhões.
Analistas reforçam cautela diante dos resultados da Petrobras
Após a divulgação dos resultados, o sentimento de cautela no mercado aumentou. A Ativa Investimentos apontou que o call de resultados reforçou um cenário cauteloso, principalmente pela baixa probabilidade de um dividendo extraordinário ainda neste ano.
Os bancos UBS e BTG também destacaram o pessimismo entre investidores sobre o desempenho da estatal. O UBS detalhou:
“Petrobras reportou um EBITDA amplamente em linha com as estimativas do mercado, mas o capex de caixa acima do esperado levou a uma perda de 21-22% no total de dividendos, equivalente a 0,5 p.p. – rendimento real em 2,0% versus UBSe/consenso em 2,5%.”
Mineradoras e bancos sustentam o Ibovespa

Apesar da queda das ações da Petrobras, outros setores ajudaram a amenizar as perdas do índice. A mineradora Vale (VALE3) registrou alta de 2,37%, impulsionada pelo desempenho positivo dos mercados globais de commodities.
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O setor financeiro também teve bom desempenho. Itaú Unibanco apresentou alta de 1,01% nas ações ordinárias (ITUB3) e 0,68% nas preferenciais (ITUB4). O Banco do Brasil (BBAS3) subiu 0,11%, enquanto o Bradesco registrou ganhos de 0,88% (BBDC3) e 1,08% (BBDC4).
Contexto político afeta o humor do mercado
Além dos dados corporativos, o cenário político nacional influenciou o comportamento do mercado nesta sexta. Notícias recentes indicam que o ex-presidente Jair Bolsonaro pode não apoiar o governador Tarcísio de Freitas como candidato ao governo de São Paulo em 2026, fato que trouxe mais incertezas e piorou o humor dos investidores.
Essa instabilidade política, somada à cautela típica de fechamento semanal, tem levado o mercado a buscar proteção e manter posições defensivas até que o panorama se esclareça.
Expectativas para a próxima semana
O mercado financeiro seguirá atento a indicadores econômicos internos e externos, além de possíveis desdobramentos políticos que possam afetar o ambiente de investimentos. A volatilidade nos preços do petróleo e a dinâmica das negociações comerciais internacionais também serão observadas de perto.
A combinação desses fatores deverá definir o rumo do dólar e do Ibovespa nos próximos dias, em um momento delicado para a economia brasileira e global.
Com informações de: Economia – UOL
