O dólar iniciou a sessão desta terça-feira (15) em alta, em um dia marcado pela cautela dos investidores antes das decisões de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos. A chamada Superquarta concentra a atenção dos mercados porque as duas decisões podem influenciar câmbio, juros, bolsa e fluxo internacional de recursos.
Por volta das 9h, a moeda americana avançava 0,15%, negociada a R$ 5,1551. O desempenho ocorre em um ambiente externo mais pressionado, com petróleo acima de US$ 100 por barril e o rendimento dos títulos de dez anos do Tesouro americano próximo de 5%. Segundo a Reuters, o Treasury de dez anos chegou a 5,041%, maior nível desde 2007.
No Brasil, o mercado também acompanha o cenário político e as notícias envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), além da corrida eleitoral de 2026. Como esses acontecimentos podem alterar as expectativas dos agentes econômicos, o comportamento do dólar e dos juros passa a refletir não apenas indicadores econômicos, mas também a percepção de risco.
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A agenda econômica desta semana tem como principal evento as decisões de juros do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve, nos Estados Unidos.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) vem conduzindo um ciclo de redução da Selic. O histórico oficial do Banco Central mostra cortes de 0,50 ponto percentual em março e abril e de 0,25 ponto em junho de 2026, levando a taxa para 14,25% ao ano.
Para o mercado, além da decisão sobre a taxa, será importante observar a comunicação do Copom. O documento divulgado pelo Banco Central em junho mostrou que as expectativas para a trajetória da Selic ficaram mais elevadas, com o cenário de mercado apontando para uma redução mais gradual dos juros.
Nos Estados Unidos, a pressão é diferente. O aumento dos preços de energia e a elevação dos rendimentos dos Treasuries reforçam a preocupação com a inflação. A Reuters apontou que os mercados atribuíam probabilidade elevada a uma alta dos juros americanos na reunião desta semana.
Por que os juros dos EUA afetam o Brasil?
A política monetária americana tem impacto direto sobre os mercados emergentes. Quando os títulos dos Estados Unidos oferecem retornos maiores, parte dos investidores pode direcionar recursos para ativos considerados de menor risco.
Esse movimento pode fortalecer o dólar e aumentar a pressão sobre moedas de países emergentes, incluindo o real. Também pode influenciar a curva de juros brasileira e o preço de ações negociadas na B3.
Por isso, mesmo uma decisão tomada em Washington pode produzir efeitos sobre crédito, investimentos e expectativas econômicas no Brasil.
Petróleo mantém pressão sobre os ativos
Outro fator importante para os mercados nesta terça-feira é o petróleo. O Brent, referência internacional, permanecia acima de US$ 105 por barril, enquanto o WTI também era negociado acima de US$ 100.
A escalada ocorre em meio às tensões no Oriente Médio e às preocupações com possíveis interrupções no fornecimento e no transporte de energia. A Reuters destacou que o petróleo acima de US$ 100 estava contribuindo para a alta dos rendimentos dos títulos americanos e para o fortalecimento do dólar.
Para o Brasil, o petróleo mais caro possui efeitos que podem ocorrer em sentidos diferentes. Empresas produtoras podem ser beneficiadas por preços internacionais maiores, enquanto combustíveis e outros custos ligados à energia podem sofrer pressão.
O impacto sobre a inflação também merece atenção, especialmente se a valorização da commodity permanecer por período prolongado.
Cenário político entra no radar dos investidores
Além da economia, o mercado acompanha acontecimentos políticos e institucionais que podem aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros.
Nesta terça-feira, o STF está no centro das atenções em razão das discussões relacionadas a mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao empresário Daniel Vorcaro. O tema envolve questões jurídicas e institucionais que ainda estão sujeitas à análise da Corte.
O próprio STF informou recentemente que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, revogou a designação de Moraes para a condução de um inquérito instaurado em 2019, preservando os atos praticados durante o período da designação, ressalvadas as vias processuais próprias.
Como se trata de matéria em andamento, eventuais efeitos sobre os mercados dependem dos desdobramentos concretos e da interpretação dos agentes econômicos. Não é possível tratar qualquer cenário político como resultado definido antes das decisões correspondentes.
Eleições de 2026 também influenciam expectativas

A corrida presidencial permanece entre os assuntos acompanhados pelo mercado financeiro. Pesquisa nacional da Quaest divulgada em setembro registrou Lula com 36% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 29% em uma das rodadas divulgadas pela empresa.
Pesquisas eleitorais representam um retrato das preferências dos entrevistados no período em que foram realizadas e podem mudar ao longo da campanha. Para os mercados, o ponto relevante é que mudanças nas expectativas sobre a política econômica do próximo governo podem influenciar projeções para câmbio, juros, inflação e contas públicas.
Assim, investidores acompanham simultaneamente os dados econômicos e a evolução do processo eleitoral, sem que uma pesquisa isolada determine o comportamento futuro dos ativos.
Bolsas internacionais operam sob pressão
O ambiente externo também era negativo nesta terça-feira. Na Ásia, os mercados registraram perdas, enquanto investidores avaliaram dados econômicos chineses e o desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial.
O índice de Xangai recuou cerca de 0,5%, enquanto o CSI 300 caiu aproximadamente 0,7%. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1%. O Nikkei, no Japão, ficou praticamente estável, e o Kospi, da Coreia do Sul, registrou queda.
Nos Estados Unidos, a alta dos Treasuries e a expectativa em torno do Fed aumentam a cautela. A combinação entre petróleo caro, inflação e juros mais elevados cria um ambiente menos favorável para ativos de maior risco.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
