O dólar acelerou sua queda ao longo da tarde desta quinta-feira, 26, e rompeu o patamar simbólico de R$ 5,50, encerrando o dia cotado a R$ 5,4986. A valorização do real foi a maior entre as moedas mais líquidas do mundo — superando pares de países desenvolvidos e emergentes — num movimento influenciado principalmente pela expectativa de corte de juros nos Estados Unidos.
Queda do dólar a R$ 5,4986 reflete impactos do IPCA-15, cenário político e mercado externo
Dólar fecha abaixo de R$ 5,50 com recuo nos Treasuries e expectativa de corte de juros pelo Fed; real lidera entre moedas mais líquidas do mundo.
Essa dinâmica reflete a combinação de fatores internos e externos, mas foi principalmente guiada pelo enfraquecimento global da moeda norte-americana e pela queda nas taxas dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano. Ambos os movimentos foram impulsionados pelas crescentes apostas de que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, começará a reduzir os juros ainda em 2025.
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Fed em foco: mercado antecipa mudança na política monetária

Sinais de desaceleração na economia americana influenciam apostas
O principal motor do recuo do dólar nesta sessão foi a intensificação das expectativas em torno da política monetária do Fed. Dados recentes da economia dos Estados Unidos, como a leve desaceleração da inflação medida pelo índice PCE e sinais de moderação no mercado de trabalho, reforçaram a percepção de que o ciclo de juros restritivos pode estar chegando ao fim.
Os investidores agora veem com mais clareza a possibilidade de o Fed cortar os juros ainda neste segundo semestre, com apostas mais concentradas nos meses de setembro e novembro. Como consequência, os rendimentos dos Treasuries recuaram — especialmente o título de 10 anos, referência global —, reduzindo a atratividade dos ativos denominados em dólar.
Reação nos mercados: dólar perde força no mundo todo
Moedas emergentes e ativos de risco se beneficiam
A queda do dólar não foi exclusiva frente ao real. Diversas moedas emergentes e de economias desenvolvidas se valorizaram nesta quinta-feira. O índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuou mais de 0,5% no dia.
Esse movimento costuma beneficiar moedas de países com juros altos, como o Brasil, cujo diferencial de taxas atrai capital especulativo e de portfólio. A cotação do real, nesse contexto, respondeu com força: a moeda brasileira se destacou como a mais resiliente e valorizada do dia.
Fatores internos reforçam valorização do real
IPCA-15 e ambiente político colaboram para melhora do câmbio
Além dos fatores internacionais, o mercado brasileiro também foi impactado por variáveis locais. Um deles foi a divulgação do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15), que veio em linha com as expectativas, reforçando a percepção de estabilidade no cenário inflacionário doméstico.
Adicionalmente, o ambiente político tem mostrado sinais de menor volatilidade nos últimos dias. A tramitação de medidas no Congresso, como a proposta de reoneração da folha e os ajustes no orçamento, não trouxeram ruídos relevantes, o que ajudou a manter o câmbio sob controle e permitiu que o real acompanhasse mais livremente a tendência externa.
Análise técnica: suporte furado pode abrir espaço para mais queda

Patamar de R$ 5,50 era referência técnica importante
O nível de R$ 5,50 era considerado um suporte técnico importante para o dólar frente ao real. Ao ser rompido, pode indicar espaço para quedas adicionais no curto prazo, caso os fatores macroeconômicos continuem alinhados.
Segundo analistas gráficos, a próxima zona de suporte pode estar entre R$ 5,45 e R$ 5,43. A sustentação desse movimento dependerá, principalmente, da continuidade da tendência de enfraquecimento do dólar global e do fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes.
Atuação do Banco Central segue sem intervenção direta
Nenhuma sinalização de leilões para conter a valorização do real
Apesar da movimentação expressiva no câmbio, o Banco Central brasileiro não realizou qualquer intervenção no mercado nesta quinta-feira. A autoridade monetária não promoveu leilões de swap cambial nem sinalizou desconforto com o fortalecimento do real.
Isso reforça a leitura de que o movimento é considerado saudável e alinhado com os fundamentos. A atuação do BC tende a ocorrer apenas em momentos de forte disfuncionalidade ou excesso de volatilidade, o que não foi o caso na sessão de hoje.
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Impactos no mercado financeiro e na economia real
Bolsas sobem e juros futuros recuam
A valorização do real e a queda dos Treasuries contribuíram para um dia positivo no mercado financeiro. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou apoiado pelo desempenho de empresas exportadoras, enquanto os juros futuros recuaram, refletindo menor pressão inflacionária vinda do câmbio.
Impactos para empresas e consumidores
Na economia real, a queda do dólar ajuda a reduzir custos de importação, alivia pressões inflacionárias e pode influenciar decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) nas próximas reuniões. Porém, para o setor exportador, especialmente commodities e agronegócio, um real mais forte tende a reduzir a competitividade externa.
Perspectivas: o que esperar nos próximos dias

Dados dos EUA e falas do Fed serão determinantes
O movimento de hoje pode ter continuidade caso os dados americanos previstos para os próximos dias — especialmente os relacionados à inflação e emprego — confirmem a tese de desaceleração econômica. Além disso, discursos de dirigentes do Fed podem oferecer pistas adicionais sobre o rumo da política monetária.
Cenário interno e fiscal também no radar
Internamente, o mercado seguirá atento à cena política, aos dados de inflação e às decisões fiscais do governo. Qualquer sinal de desvio na trajetória de responsabilidade fiscal pode colocar pressão de volta sobre o câmbio.
Conclusão
A forte queda do dólar abaixo de R$ 5,50 nesta quinta-feira foi resultado de uma conjunção entre fatores externos, como a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos, e elementos internos, como a divulgação controlada do IPCA-15 e a estabilidade política momentânea. O real se beneficiou duplamente desse contexto, liderando os ganhos globais e reforçando a atratividade do Brasil no radar de investidores internacionais. O cenário segue sujeito a mudanças, mas o movimento desta sessão oferece um indicativo claro do peso das decisões do Federal Reserve sobre os mercados emergentes.
