O dólar abriu a terça-feira (24) com queda frente ao real, acompanhando o movimento de desvalorização da moeda norte-americana no exterior. O cenário é resultado de fatores geopolíticos e econômicos que afetam o mercado cambial, principalmente a recente trégua anunciada entre Israel e Irã e a divulgação da ata da última reunião do Banco Central brasileiro.
Dólar fecha em R$ 5,48 influenciado por ata do Copom e cenário no Oriente Médio
Dólar recua com trégua entre Israel e Irã e impacto da ata do Banco Central. Veja a cotação e os fatores que influenciam o mercado cambial.
Por volta das 9h41, o dólar à vista recuava 0,35%, sendo negociado a R$ 5,4846 para venda. No mercado futuro, o contrato com vencimento mais próximo na B3 apresentava baixa de 0,17%, cotado a R$ 5,496.
Leia mais:
Inter avalia que dólar seguirá entre R$ 5,50 e R$ 5,60 antes de subir
Trégua no Oriente Médio influencia o mercado

Um dos principais fatores que sustentam o otimismo dos investidores no mercado global é a sinalização de cessar-fogo entre Israel e Irã, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Trump, o acordo busca encerrar o conflito de 12 dias que vinha elevando as tensões na região.
Apesar do anúncio, na manhã desta terça já surgiram relatos de violações do cessar-fogo, com novas trocas de ataques entre os dois países. Ainda assim, o mercado reagiu positivamente, com os investidores avaliando que a situação, pelo menos por ora, não deve escalar para um confronto mais amplo.
Segundo Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, o mercado já precificava um certo alívio desde a noite anterior:
“A trégua já deu um alívio ontem ao mercado e deve refletir ainda mais hoje”, afirmou.
Queda do petróleo reforça movimento no câmbio
Outro reflexo imediato da trégua foi a forte queda nos preços internacionais do petróleo, que recuaram quase 4% nas primeiras horas do dia. Com a redução do risco de interrupção no fornecimento global de petróleo — especialmente pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial —, os investidores passaram a buscar ativos mais arriscados, como moedas de países emergentes.
A queda no preço do petróleo reduz a pressão inflacionária mundial, o que, por sua vez, diminui a demanda por dólares como ativo de proteção.
Ata do Banco Central traz leitura moderada
Outro fator que influenciou o câmbio nesta terça foi a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, divulgada logo cedo. O documento reforçou a preocupação da autoridade monetária com o nível elevado da inflação, mas sem apresentar surpresas em relação ao comunicado anterior.
O mercado interpretou a ata como um sinal de manutenção da atual política de juros nas próximas reuniões, o que contribuiu para estabilizar o real frente ao dólar.
Tendência global de fraqueza do dólar
No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas principais, apresentava queda de 0,24%, sendo cotado a 97,998 pontos. O recuo reflete o maior apetite global por risco, motivado pela redução das tensões no Oriente Médio e pela leitura mais tranquila de dados econômicos dos Estados Unidos.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Além disso, há expectativa de que o Federal Reserve (banco central americano) adote uma postura mais cautelosa em relação à política monetária, o que também pressiona o dólar para baixo.
Impacto nas exportações e nas importações brasileiras

A queda do dólar tem efeitos diretos para a economia brasileira. De um lado, favorece os importadores, que passam a pagar menos pela aquisição de produtos e insumos do exterior. Por outro lado, pode prejudicar os exportadores, especialmente do agronegócio e da indústria de commodities, que perdem competitividade com um real mais valorizado.
No curto prazo, a expectativa é de que o câmbio continue oscilando conforme novos desdobramentos da situação geopolítica e os próximos dados econômicos nacionais e internacionais.
Próximos indicadores a serem observados
Para os próximos dias, os investidores devem acompanhar:
- Dados de inflação nos EUA e no Brasil;
- Atualizações sobre o cumprimento do cessar-fogo entre Israel e Irã;
- Pronunciamentos de autoridades monetárias, incluindo membros do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro.
A volatilidade pode permanecer alta, especialmente em função da combinação de fatores externos e internos que afetam diretamente o mercado de câmbio.
