O dólar iniciou o mês de agosto em forte queda frente ao real, influenciado pela divulgação de dados econômicos mais fracos do que o esperado nos Estados Unidos. A moeda norte-americana encerrou esta sexta-feira (1º) cotada a R$ 5,545, com desvalorização de 1,01%, ou R$ 0,056. Apesar do alívio no câmbio, o mercado acionário brasileiro teve um dia de perdas, com o Ibovespa recuando 0,48%, fechando aos 132.437 pontos.
Dólar recua para R$ 5,54 após divulgação de dados nos EUA
Divulgação de dados fracos nos EUA derruba dólar para R$ 5,54. Ibovespa cai com tensões externas e cenário político.
A instabilidade reflete o cenário externo turbulento, com investidores reagindo à possibilidade de mudanças na política monetária dos EUA, além de tensões geopolíticas e medidas comerciais recentes anunciadas pelo governo de Donald Trump.
Leia mais: Dólar sobe e ibovespa recua com tensão política e tarifaço
Dados fracos nos EUA impulsionam queda do dólar

O movimento de baixa do dólar foi impulsionado, principalmente, pela divulgação dos números do mercado de trabalho dos EUA referentes ao mês de julho. Segundo dados oficiais, a economia norte-americana criou apenas 73 mil vagas formais, número inferior às expectativas de mercado. Além disso, a taxa de desemprego subiu para 4,2%, um indicativo de desaquecimento.
Essas estatísticas aumentaram a expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, corte a taxa básica de juros ainda em setembro, o que pode reduzir a atratividade dos investimentos em ativos denominados em dólar. Com isso, investidores tendem a direcionar recursos para mercados emergentes como o Brasil, pressionando a cotação da moeda para baixo.
Cotação chegou a R$ 5,53 na mínima do dia
Logo no início do pregão, o dólar chegou a bater R$ 5,62, ainda refletindo o impacto das novas tarifas anunciadas pelo governo Trump contra diversos países. No entanto, ao longo da manhã, com a leitura dos dados de emprego nos EUA, a moeda passou a cair rapidamente, atingindo a mínima de R$ 5,53 por volta das 10h30.
Com a desvalorização registrada nesta sexta-feira, a moeda acumula queda de 10,27% no ano de 2025, indicando uma trajetória favorável ao real nas últimas semanas.
Ibovespa recua com cenário global e tensão política
Em contrapartida, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) operou em terreno negativo ao longo do dia. O Ibovespa fechou com queda de 0,48%, pressionado por incertezas no cenário internacional e notícias relacionadas ao ambiente político doméstico.
A possibilidade de novas sanções por parte do governo dos EUA contra instituições financeiras brasileiras — especialmente após rumores de que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, teria contas bancárias no exterior — provocou nervosismo no mercado.
As ações do Banco do Brasil foram duramente afetadas por essas especulações, com os papéis ordinários (BBAS3) despencando 6,85% nesta sexta-feira. A perda foi uma das maiores do dia entre os ativos que compõem o índice.
Mudanças no Fed também influenciam mercados
Outro fator que pesou nas decisões dos investidores foi a notícia da renúncia de uma diretora-regional do Federal Reserve e da demissão da comissária do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA. Ambos os cargos agora podem ser ocupados por aliados políticos do ex-presidente Donald Trump, o que levanta dúvidas sobre a independência da política monetária norte-americana.
Na avaliação de analistas, essa reconfiguração tende a aumentar a pressão pela redução dos juros nos EUA, o que pode beneficiar, temporariamente, moedas de países emergentes como o real. No entanto, a instabilidade institucional e os riscos políticos também se ampliam.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Expectativas para os próximos dias
O mercado deve continuar operando com cautela nas próximas semanas, monitorando:
- As decisões futuras do Federal Reserve;
- A evolução do quadro político nos EUA, com impacto sobre a economia global;
- A possibilidade de retaliações comerciais entre países afetados pelas novas tarifas;
- E a resposta do governo brasileiro às pressões externas.
Por aqui, os investidores também aguardam com atenção dados fiscais, inflação e atividade econômica. O comportamento da moeda americana será crucial para o cenário inflacionário brasileiro, afetando preços de combustíveis, alimentos e produtos importados.
Especialistas recomendam cautela

Mesmo com a queda recente do dólar, especialistas recomendam cautela para quem pensa em aproveitar o momento para compras internacionais ou remessas ao exterior.
A tendência de valorização do real pode ser revertida caso o Fed sinalize uma manutenção dos juros altos por mais tempo ou se houver novas tensões políticas entre Brasil e Estados Unidos.
*Com informações da Reuters via Agência Brasil
