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Dólar e bolsa caem devido à tensão global causada por tarifaço de Trump

Ibovespa e dólar fecharam em queda após o novo tarifaço anunciado por Donald Trump, reacendendo tensões na economia global e mais.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Ibovespa

O cenário internacional voltou a gerar instabilidade nos mercados nesta terça-feira (9), após a imposição de novas tarifas sobre importações por parte dos Estados Unidos. A medida, liderada pelo presidente Donald Trump, reacendeu preocupações em torno de um possível acirramento das disputas comerciais entre grandes economias.

Tensão global derruba mercados

dólar mercado inflação moedas
Imagem: alexgrec – Freepik

Trump anunciou tarifas que vão de vinte e cinco a duzentos por cento sobre uma ampla gama de produtos importados, incluindo itens como cobre, semicondutores, remédios e bens industrializados, especialmente oriundos de países do grupo Brics.

Leia mais: Dólar em queda e bolsa instável diante do impacto do ‘tarifaço’ e BC

Segundo analistas, o tarifaço de Trump interrompe o ciclo recente de otimismo nas bolsas internacionais, que vinham ganhando tração com perspectivas de juros mais baixos e recuperação de commodities como minério de ferro e petróleo.

O que motivou a queda do dólar?

Apesar da queda do Ibovespa, o dólar comercial também recuou. A desvalorização da moeda norte-americana foi impulsionada por dois fatores principais:

Adiamento das tarifas para agosto

O alívio momentâneo se deve ao adiamento da entrada em vigor das novas tarifas dos EUA, inicialmente previstas para 9 de julho, agora transferidas para 1º de agosto. Essa postergação reduziu temporariamente a aversão ao risco dos investidores.

Commodities em recuperação

A valorização do minério de ferro e a leve recuperação do petróleo ajudaram a sustentar as moedas de países exportadores, como o Brasil. Isso favoreceu o real frente ao dólar, assim como ocorreu com o peso mexicano.

Guerra comercial reacende com força

China reage ao movimento de Trump

O governo chinês emitiu um comunicado condenando a decisão dos Estados Unidos e alertou sobre possíveis medidas retaliatórias. Pequim também ameaçou punir países que tentarem ocupar o espaço da China nas cadeias produtivas globais, aprofundando ainda mais as incertezas nos mercados.

Tarifa sobre produtos brasileiros

Entre as medidas mais preocupantes para o Brasil está a sinalização de Trump em impor uma tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros. Isso pode afetar negativamente setores como agronegócio, metalurgia e farmacêutico.

Ibovespa acumula segunda queda seguida

O principal índice da bolsa brasileira ampliou as perdas registradas na véspera, quando caiu 1,26%. Nesta terça, o Ibovespa chegou a atingir 138.770 pontos na mínima intradiária, e 139.590 na máxima.

Dados do varejo pesam no mercado

Outro fator que pressionou a bolsa foi a divulgação de novos dados do IBGE: as vendas no comércio varejista recuaram 0,2% em maio ante abril. Esse resultado reforça os sinais de desaceleração da economia brasileira, ampliando a expectativa de cortes na taxa de juros por parte do Banco Central.

Reações políticas e geopolíticas

Trump amplia discurso protecionista

Trump reafirmou seu posicionamento nacionalista ao divulgar as novas tarifas comerciais, alegando ser necessário resguardar as indústrias estratégicas dos Estados Unidos frente à concorrência que classificou como desleal. O presidente também indicou a intenção de revisar acordos comerciais com nações que considera concorrentes injustos.

Alvo no setor de tecnologia

Além do cobre e dos medicamentos, os semicondutores foram alvos de tarifas de até 200%. Essa medida é especialmente simbólica, pois mira diretamente a China e a Ásia, principais fornecedores desses componentes, fundamentais para a indústria global.

Perspectivas para o mercado

Dólar
Imagem: Svetlana Lukienko / Shutterstock.com

Aversão ao risco deve continuar

Com a guerra comercial de volta ao radar, analistas avaliam que o cenário tende a permanecer volátil. Investidores devem adotar posições mais defensivas nos próximos dias, especialmente em ativos de renda variável.

Real pode sofrer nova pressão

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Apesar do alívio momentâneo, a tendência para o câmbio ainda é de atenção. A possibilidade de tarifas efetivas sobre produtos brasileiros pode gerar novas pressões sobre o real, caso o governo norte-americano mantenha o tom agressivo.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é o tarifaço de Trump?

É o nome dado ao novo pacote de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos importados de vários países, com percentuais que chegam até 200%.

Quais produtos serão afetados?

Entre os principais alvos estão cobre, semicondutores, medicamentos e outros produtos industrializados, especialmente de países como China, Brasil, Índia e México.

Como isso afeta o Brasil?

O Brasil pode sofrer diretamente com a aplicação de tarifas adicionais sobre seus produtos exportados, o que impacta o agronegócio, a indústria e a balança comercial.

Por que o Ibovespa caiu?

A queda reflete a aversão ao risco gerada pelo tarifaço, além de dados negativos sobre o varejo no Brasil, que reforçam sinais de desaquecimento da economia.

Por que o dólar caiu?

O dólar caiu por fatores técnicos, como a reversão dos ganhos anteriores, adiamento das tarifas para agosto e a valorização de commodities que favorecem países exportadores.

Considerações finais

O tarifaço de Donald Trump reacendeu temores de uma nova guerra comercial em escala global. As reações imediatas foram sentidas nos principais mercados emergentes, inclusive no Brasil, com o Ibovespa em queda e o dólar oscilando. A sinalização de tarifas sobre produtos brasileiros aumenta as incertezas e exige cautela dos investidores nos próximos dias. O mercado segue atento aos desdobramentos geopolíticos e à política monetária interna, que poderá reagir diante da desaceleração econômica.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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