O dólar comercial encerrou a quinta-feira, 8 de outubro de 2026, cotado a R$ 5,02, com valorização de 0,17% no mercado à vista. O movimento ocorreu em um cenário de atenção dos investidores à disputa presidencial brasileira e à pressão exercida pelo mercado internacional de petróleo, cujo barril do tipo Brent era negociado acima de US$ 100.
Na sessão anterior, a moeda norte-americana havia fechado a R$ 5,01, depois de subir 0,70%. A sequência de altas reforçou o acompanhamento dos fatores políticos e econômicos capazes de influenciar o câmbio, embora oscilações diárias, isoladamente, não determinem uma tendência duradoura para a moeda.
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O que influenciou a cotação do dólar?

Expectativa com a pesquisa eleitoral
O mercado financeiro acompanhava a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha sobre o segundo turno da eleição presidencial de 2026. A expectativa em torno dos números aumentou a atenção dos investidores ao cenário político, já que as perspectivas para a condução da economia podem afetar as decisões de investimento.
No primeiro turno, conforme os números apresentados no levantamento eleitoral citado, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 45,16%. O segundo turno estava previsto para 25 de outubro.
A reação do câmbio a pesquisas eleitorais depende de diversos fatores, incluindo a interpretação dos resultados pelos agentes financeiros, as propostas econômicas dos candidatos e as expectativas sobre as contas públicas. Por isso, não é possível atribuir toda a variação do dólar a um único acontecimento político.
Além disso, pesquisas representam um retrato das intenções de voto no período em que são realizadas. Seus resultados não equivalem ao resultado definitivo das urnas e precisam ser avaliados considerando metodologia, margem de erro e data de coleta.
Petróleo Brent supera US$ 100
Outro fator observado pelos investidores foi o preço do petróleo no mercado internacional. Às 17h22, o barril do Brent, referência global para a commodity, era negociado a US$ 103,37.
O petróleo tem influência relevante sobre a economia brasileira porque afeta os custos de combustíveis, transporte, produção industrial e logística. Quando a commodity sobe de forma persistente, pode aumentar a pressão sobre os preços de diversos produtos e serviços.
O impacto sobre o câmbio, entretanto, não é automático. O Brasil também exporta petróleo, o que pode favorecer a entrada de dólares e beneficiar empresas do setor. Ao mesmo tempo, a alta da commodity pode elevar custos internos e pressionar a inflação, dependendo das condições do mercado e da transmissão dos preços internacionais à economia doméstica.
O resultado final depende, portanto, do equilíbrio entre os efeitos positivos para as exportações e os impactos sobre custos, inflação e expectativas econômicas.
Como a alta do dólar afeta o consumidor brasileiro?

Mesmo quando a variação diária é pequena, o câmbio pode influenciar o orçamento das famílias e os custos das empresas. Isso acontece porque o dólar interfere no preço de produtos importados e de insumos negociados internacionalmente.
Combustíveis, alimentos e produtos importados
Uma moeda norte-americana mais cara pode elevar os custos de componentes eletrônicos, equipamentos industriais, medicamentos e matérias-primas compradas no exterior. Dependendo do produto e das condições comerciais, parte desse aumento pode chegar ao consumidor.
O preço dos combustíveis também merece atenção, pois depende de fatores como cotação internacional do petróleo, câmbio, custos de distribuição e política de preços. A valorização do petróleo combinada a um dólar mais forte pode aumentar a pressão sobre os custos, embora não implique reajuste imediato nas bombas.
Alimentos e produtos agrícolas também podem sofrer efeitos indiretos. Como diversas commodities brasileiras são comercializadas internacionalmente, o câmbio pode alterar a remuneração dos produtores, os custos de insumos e os incentivos para exportação.
Viagens internacionais e compras no exterior
Para quem planeja viajar para fora do país, a cotação do dólar influencia despesas com hospedagem, alimentação, passeios e compras realizadas em moeda estrangeira. Uma alta cambial pode tornar o orçamento mais caro, especialmente quando a viagem ainda está distante e os gastos não foram convertidos antecipadamente.
Já empresas que dependem de importações podem enfrentar aumento de custos e precisar rever preços, contratos ou estratégias de proteção cambial.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
