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Petróleo ajuda a conter alta do dólar e fortalece o real

Dólar encerra sessão em queda após redução da aversão ao risco global. Veja impactos do petróleo, Fed e cenário para o real.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Petróleo ajuda a conter alta do dólar e fortalece o real

O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira, 8 de julho, em queda frente ao real, depois de apresentar oscilações durante a manhã e perder força ao longo da tarde. O movimento acompanhou o comportamento da moeda americana no exterior, em meio a uma redução da aversão ao risco nos mercados internacionais.

Mesmo sem sinais definitivos de uma solução para as tensões entre Estados Unidos e Irã, investidores demonstraram menor preocupação com uma escalada imediata do conflito. A mudança de percepção ajudou a moderar a alta do petróleo e também reduziu a pressão sobre os juros dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries.

O dólar à vista terminou o pregão cotado a R$ 5,1484, uma queda de 0,09%. Durante o dia, a moeda americana chegou à máxima de R$ 5,1847 e atingiu a mínima de R$ 5,1367.

No acumulado dos primeiros pregões de julho, o dólar registra desvalorização de 0,28%, após ter avançado 2,38% em junho.

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Imagem: Corona Borealis Studio / Shutterstock

Mercado cambial acompanha cenário internacional

A movimentação do dólar nesta semana está diretamente ligada aos acontecimentos externos, principalmente aos conflitos geopolíticos e às expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos.

Quando há aumento da percepção de risco global, investidores costumam buscar ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos americanos. Esse movimento geralmente pressiona moedas de países emergentes, incluindo o real.

No entanto, desta vez, o Brasil apresentou um comportamento diferente de outras economias emergentes. Mesmo com a instabilidade internacional, a moeda brasileira conseguiu limitar as perdas e teve desempenho superior ao de alguns pares latino-americanos.

Segundo análise de especialistas do mercado financeiro, um dos fatores que ajudaram o real foi a posição do Brasil como exportador líquido de petróleo e outras commodities.

Alta do petróleo beneficia parcialmente o real

O petróleo voltou ao centro das atenções dos investidores após novas declarações envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã.

O barril do petróleo Brent para setembro fechou cotado a US$ 78,02, alta de 5,20%, alcançando o maior nível desde 22 de junho. Durante o dia, a commodity chegou a superar US$ 80.

A alta ocorreu após declarações do presidente americano Donald Trump sobre as negociações com o Irã e diante de preocupações envolvendo a segurança de embarcações no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

Para economias exportadoras de commodities, como o Brasil, a valorização do petróleo pode trazer efeitos positivos sobre a entrada de dólares no país.

O economista-chefe da Franklin Templeton Brasil, Adauto Lima, destacou que o real teve desempenho mais resistente durante períodos recentes de tensão justamente por causa desse fator.

Segundo especialistas, quando os preços internacionais das commodities sobem, países exportadores podem melhorar seus termos de troca, aumentando receitas externas e ajudando a sustentar suas moedas.

Outras moedas emergentes também tiveram perdas moderadas

Apesar da queda do dólar frente ao real, outras moedas emergentes registraram desvalorização diante da moeda americana.

Divisas latino-americanas e o rand sul-africano, considerados importantes referências para comparação com o real, apresentaram perdas consideradas moderadas.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, permaneceu próximo da estabilidade ao final do pregão, perto dos 101 pontos.

Entre os destaques internacionais esteve a valorização da coroa norueguesa, moeda de um país fortemente ligado ao setor de petróleo.

Fed mantém cautela sobre inflação e juros nos Estados Unidos

Além dos fatores geopolíticos, os investidores continuam acompanhando atentamente os sinais do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.

A ata da última reunião do Fed reforçou a preocupação dos dirigentes com a inflação americana e mostrou que ainda existe divisão entre os membros da instituição sobre os próximos passos da política monetária.

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O documento indicou um ambiente de incerteza, principalmente diante dos impactos que fatores externos, como a alta do petróleo, podem provocar sobre os preços.

A política de juros dos Estados Unidos tem grande influência sobre os mercados globais. Quando o Fed sinaliza juros mais altos por mais tempo, o dólar tende a ganhar força, pois investidores podem direcionar recursos para ativos americanos.

Por outro lado, quando há expectativa de redução dos juros, moedas emergentes podem ganhar espaço.

Cenário de juros americanos influencia mercados

Especialistas avaliam que a comunicação recente do Federal Reserve mantém uma postura mais conservadora, indicando preocupação com a inflação antes de possíveis cortes nos juros.

O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, destacou que a ata mostrou um Fed dividido diante de um cenário de muita incerteza.

A possibilidade de manutenção de uma política monetária restritiva nos Estados Unidos continua sendo um dos principais pontos observados pelos investidores brasileiros.

Questões internas do Brasil continuam no radar

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Apesar da influência dos fatores externos, o mercado também acompanha os acontecimentos domésticos, especialmente relacionados ao cenário fiscal brasileiro.

Analistas afirmam que questões internas têm maior impacto sobre o mercado de juros, enquanto o câmbio costuma reagir mais rapidamente a mudanças no ambiente internacional.

O equilíbrio das contas públicas, as expectativas para a economia e as decisões de política econômica continuam sendo elementos importantes para definir a trajetória do real nos próximos meses.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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