O dólar iniciou esta segunda-feira operando próximo da estabilidade frente ao real, refletindo um cenário de baixa movimentação nos mercados e ausência de eventos econômicos capazes de alterar significativamente o comportamento dos investidores no início do pregão. No exterior, porém, a moeda norte-americana apresentou valorização diante de diversas moedas internacionais, sustentada pelas expectativas em torno da política monetária dos Estados Unidos.
Dólar tem pouca variação frente ao real mesmo com avanço externo
Dólar oscila perto da estabilidade frente ao real enquanto mercado analisa Focus, Selic, inflação e cenário internacional.
No mercado brasileiro, o comportamento contido da cotação ocorre após uma semana marcada pela queda do dólar frente ao real e pela divulgação de novas projeções econômicas do Boletim Focus, publicado pelo Banco Central. Além disso, investidores seguem atentos às perspectivas para a taxa Selic, inflação e decisões futuras do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.
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Dólar opera próximo da estabilidade
Nas primeiras negociações do dia, o dólar comercial apresentava pequena alta frente ao real.
Por volta das 9h35, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,1727, com avanço de 0,08%.
Já o contrato futuro de dólar com vencimento em agosto, negociado na B3 e considerado o mais líquido do mercado brasileiro, registrava leve queda de 0,01%, sendo negociado em R$ 5,2085.
As oscilações reduzidas refletem um ambiente de cautela entre investidores, que aguardam novos indicadores econômicos ao longo da semana.
Cenário internacional favorece fortalecimento do dólar
Enquanto o mercado brasileiro apresentou pouca volatilidade, o dólar ganhou força frente às principais moedas internacionais.
A valorização ocorreu após o feriado da última sexta-feira nos Estados Unidos, que reduziu a liquidez global e limitou os movimentos dos mercados financeiros.
Entre as principais moedas afetadas estiveram:
- euro;
- libra esterlina;
- iene japonês.
O iene permaneceu próximo das menores cotações observadas em cerca de quatro décadas, refletindo a diferença entre a política monetária japonesa e a dos Estados Unidos.
O dólar também avançou frente a diversas moedas de países emergentes, como o peso chileno e a rupia indiana.
Boletim Focus mantém projeção para o dólar em 2026
Antes da abertura do mercado, o Banco Central divulgou uma nova edição do Boletim Focus, levantamento semanal que reúne estimativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país.
As projeções para a cotação do dólar permaneceram estáveis.
A expectativa mediana do mercado indica:
- R$ 5,20 para o encerramento de 2026;
- R$ 5,28 para o final de 2027.
A estabilidade das projeções demonstra que, apesar das oscilações diárias do câmbio, os analistas ainda enxergam um cenário relativamente controlado para os próximos anos.
Expectativas para inflação
O relatório também trouxe pequenas alterações nas previsões para a inflação.
Segundo os economistas consultados:
- a projeção para a inflação de 2026 recuou de 5,33% para 5,30%;
- para 2027, a expectativa passou de 4,17% para 4,18%.
Embora as mudanças sejam discretas, elas ajudam a orientar as expectativas do mercado sobre os próximos passos da política monetária brasileira.
Mercado mantém expectativa para a Selic

As previsões para a taxa básica de juros permaneceram inalteradas.
O mercado financeiro continua estimando:
- Selic em 14,00% no encerramento de 2026;
- Selic em 12,00% ao final de 2027.
Atualmente, a taxa básica de juros da economia brasileira está em 14,25% ao ano, permanecendo em um dos maiores níveis dos últimos anos.
A trajetória futura da Selic continuará dependendo da evolução da inflação, do comportamento da atividade econômica e do cenário internacional.
Diferença entre Fed e Banco Central influencia o câmbio
Um dos principais fatores observados pelos investidores é a diferença entre as políticas monetárias adotadas pelos bancos centrais brasileiro e norte-americano.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve mantém uma postura considerada mais restritiva, sinalizando cautela antes de iniciar um ciclo consistente de redução dos juros.
No Brasil, por outro lado, parte do mercado espera que o Banco Central possa iniciar cortes graduais da Selic quando houver maior confiança na convergência da inflação para a meta.
Essa diferença tende a influenciar o fluxo internacional de capitais. Em momentos de juros elevados nos Estados Unidos, investidores costumam direcionar recursos para ativos denominados em dólar, fortalecendo a moeda americana em relação a diversas divisas, inclusive o real.
Dólar encerrou a semana anterior em queda
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Apesar da leve alta observada nesta segunda-feira, o dólar terminou a última sessão com forte desvalorização frente ao real.
Na sexta-feira, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,1688, registrando queda de 0,76%.
O movimento levou a cotação novamente para abaixo do patamar de R$ 5,20, nível considerado importante por analistas técnicos devido ao histórico recente de negociações.
Segundo especialistas do mercado, permanecer abaixo dessa faixa reduz, no curto prazo, a probabilidade de movimentos mais intensos em direção aos níveis de R$ 5,30 ou R$ 5,35, embora o comportamento do câmbio continue dependente do cenário internacional e das expectativas para juros.
O que pode movimentar o dólar nos próximos dias?
Mesmo em uma semana com agenda econômica mais enxuta, diversos fatores continuam sendo monitorados pelos investidores.
Entre eles estão:
Novos indicadores econômicos
Dados sobre inflação, atividade econômica e mercado de trabalho, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, podem alterar as expectativas para os juros.
Decisões dos bancos centrais
Qualquer sinalização do Banco Central brasileiro ou do Federal Reserve sobre mudanças na política monetária costuma provocar impacto imediato sobre o mercado cambial.
Cenário externo
Questões geopolíticas, desempenho da economia chinesa, comportamento dos preços das commodities e fluxo de investimentos internacionais também influenciam diretamente a cotação do dólar.
Como a alta do dólar afeta o consumidor?

Embora pequenas oscilações diárias nem sempre tenham impacto imediato na vida da população, uma valorização prolongada da moeda americana costuma refletir em diversos setores da economia.
Entre os principais efeitos estão:
- aumento no preço de produtos importados;
- alta nos custos de viagens internacionais;
- pressão sobre combustíveis e insumos industriais;
- impacto indireto na inflação.
Por outro lado, empresas exportadoras podem ser beneficiadas quando recebem receitas em dólar.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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