O dólar à vista operava em baixa ante o real nesta terça-feira, 3, revertendo os ganhos da abertura da sessão. O movimento de queda ocorre diante da expectativa de que o governo federal anuncie uma solução alternativa ao aumento das alíquotas do IOF, alvo de críticas no mercado e de forte repercussão no Congresso Nacional.
Dólar recua após expectativa por pacote de medidas que substituem alta do IOF
Dólar à vista cai nesta terça (03/06) com expectativa de acordo entre governo e Congresso sobre o IOF. Veja as cotações, cenário fiscal e mais!
Por volta das 11h31, a cotação do dólar à vista caía 0,38%, sendo negociado a R$ 5,654 para venda. Já o dólar futuro com vencimento em julho — o mais negociado atualmente na B3 — recuava 0,42%, aos 5.689 pontos.
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Cotações do dólar nesta terça-feira (03/06)
| Tipo de Dólar | Compra (R$) | Venda (R$) |
|---|---|---|
| Dólar Comercial | 5,653 | 5,654 |
| Dólar Turismo | 5,733 | 5,913 |
Governo prepara anúncio para resolver o impasse fiscal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, nesta manhã, que um almoço marcado para 13h no Palácio da Alvorada, com a presença de líderes do Congresso, será decisivo para definir medidas fiscais alternativas ao polêmico decreto que elevou as alíquotas do IOF.
O recuo na moeda norte-americana é uma resposta direta à sinalização de negociação política e tentativa de pacificação entre os Poderes, o que tende a reduzir a percepção de risco fiscal no curto prazo.
Pressão do mercado sobre o IOF
O mercado vinha reagindo de forma negativa à decisão do governo de aumentar o IOF, adotada para reforçar a arrecadação e equilibrar as contas públicas. Contudo, a medida foi classificada por analistas como fiscalmente ineficaz e politicamente desgastante.
“Temos observado que o IOF acabou virando pólvora para a bomba fiscal brasileira… Uma alternativa ao IOF pode ser interessante, com algumas reformas estruturais. A expectativa é que haja alguma pacificação”, afirmou Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
A reunião entre Lula e os presidentes da Câmara e do Senado é vista como uma tentativa de costurar um acordo político para evitar um desgaste maior, principalmente às vésperas de votações importantes no Congresso sobre o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária.
Cenário fiscal segue como foco principal do mercado
A volatilidade do câmbio nos últimos dias tem sido impulsionada majoritariamente por fatores internos, especialmente pelas incertezas em relação às metas fiscais e à forma como o governo pretende garantir o equilíbrio das contas públicas.
Nos bastidores, técnicos da equipe econômica defendem medidas como:
- Reoneração parcial da folha de pagamentos;
- Redução de isenções fiscais em setores específicos;
- Cortes pontuais em subsídios e gastos não obrigatórios.
Entretanto, essas alternativas enfrentam resistência política. O aumento do IOF acabou sendo usado como solução de curto prazo, mas o seu impacto negativo no mercado financeiro forçou o recuo.
Impacto nas projeções econômicas
Com a polêmica em torno do IOF e a deterioração da percepção fiscal, algumas casas de análise começaram a revisar para cima as projeções do dólar para os próximos meses, prevendo uma faixa de oscilação entre R$ 5,65 e R$ 5,80, caso o governo não consiga apresentar uma solução crível.
Entretanto, uma alternativa mais equilibrada ao IOF, aliada a gestos de responsabilidade fiscal, pode trazer o câmbio de volta a um patamar mais próximo de R$ 5,50, segundo analistas.
Produção industrial registra leve alta em abril

No campo dos indicadores econômicos, o IBGE divulgou nesta terça-feira (03) que a produção industrial brasileira cresceu 0,1% em abril, na comparação com março. O dado, embora tímido, foi melhor do que o esperado pelo mercado, que projetava estabilidade.
O setor industrial vinha acumulando perdas em razão dos juros altos, consumo desaquecido e inflação de custos. A pequena recuperação indica algum fôlego na atividade econômica, o que também ajuda a amenizar o pessimismo fiscal.
Segmentos em destaque
Entre os setores com melhor desempenho em abril estão:
- Indústrias extrativas (+1,7%)
- Produtos alimentícios (+0,5%)
- Derivados de petróleo e biocombustíveis (+0,3%)
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A leitura positiva dos dados da indústria somada ao possível recuo do governo na elevação do IOF trouxe alívio aos investidores e contribuiu para a valorização do real frente ao dólar.
O que esperar do dólar nos próximos dias?
Com a expectativa de definição do impasse ainda nesta terça, o mercado de câmbio segue extremamente sensível às declarações de autoridades e ao conteúdo das medidas que venham a ser anunciadas após o almoço no Alvorada.
Se o governo optar por uma alternativa fiscal que envolva reformas estruturais, corte de gastos ou redistribuição de isenções, a leitura do mercado tende a ser positiva, o que pode intensificar a valorização do real. Por outro lado, medidas paliativas ou que aumentem a carga tributária podem resultar em novo estresse cambial.
Fatores a serem monitorados:
- Desdobramentos da reunião entre Lula e o Congresso;
- Reações do mercado às novas propostas fiscais;
- Andamento da pauta econômica no Legislativo;
- Cenário internacional, com foco na política monetária dos EUA.
Perspectiva para investidores e consumidores

Para quem atua no mercado financeiro ou depende de importações e transações internacionais, a variação do dólar tem impacto direto nos custos operacionais. Empresas que importam insumos ou produtos podem se beneficiar com um câmbio mais baixo, enquanto exportadores preferem o dólar valorizado.
Já para o consumidor comum, o dólar influencia preços de eletrônicos, viagens, combustíveis e alimentos, principalmente os importados ou cotados em moeda estrangeira, como trigo e fertilizantes.
Dólar turismo e viagens internacionais
A cotação do dólar turismo segue acima de R$ 5,70, o que ainda mantém viagens internacionais mais caras, mesmo com o leve recuo no câmbio comercial. A variação cambial continua sendo um fator decisivo para o planejamento de férias no exterior.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
