Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Dólar recua após expectativa por pacote de medidas que substituem alta do IOF

Dólar à vista cai nesta terça (03/06) com expectativa de acordo entre governo e Congresso sobre o IOF. Veja as cotações, cenário fiscal e mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Receita Federal diz se haverá cobrança de IOF retroativo; confira

O dólar à vista operava em baixa ante o real nesta terça-feira, 3, revertendo os ganhos da abertura da sessão. O movimento de queda ocorre diante da expectativa de que o governo federal anuncie uma solução alternativa ao aumento das alíquotas do IOF, alvo de críticas no mercado e de forte repercussão no Congresso Nacional.

Por volta das 11h31, a cotação do dólar à vista caía 0,38%, sendo negociado a R$ 5,654 para venda. Já o dólar futuro com vencimento em julho — o mais negociado atualmente na B3 — recuava 0,42%, aos 5.689 pontos.

Leia mais:

Galípolo diz que IOF é imposto regulatório e não arrecadatório

Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Cotações do dólar nesta terça-feira (03/06)

Tipo de DólarCompra (R$)Venda (R$)
Dólar Comercial5,6535,654
Dólar Turismo5,7335,913

Governo prepara anúncio para resolver o impasse fiscal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, nesta manhã, que um almoço marcado para 13h no Palácio da Alvorada, com a presença de líderes do Congresso, será decisivo para definir medidas fiscais alternativas ao polêmico decreto que elevou as alíquotas do IOF.

O recuo na moeda norte-americana é uma resposta direta à sinalização de negociação política e tentativa de pacificação entre os Poderes, o que tende a reduzir a percepção de risco fiscal no curto prazo.

Pressão do mercado sobre o IOF

O mercado vinha reagindo de forma negativa à decisão do governo de aumentar o IOF, adotada para reforçar a arrecadação e equilibrar as contas públicas. Contudo, a medida foi classificada por analistas como fiscalmente ineficaz e politicamente desgastante.

“Temos observado que o IOF acabou virando pólvora para a bomba fiscal brasileira… Uma alternativa ao IOF pode ser interessante, com algumas reformas estruturais. A expectativa é que haja alguma pacificação”, afirmou Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

A reunião entre Lula e os presidentes da Câmara e do Senado é vista como uma tentativa de costurar um acordo político para evitar um desgaste maior, principalmente às vésperas de votações importantes no Congresso sobre o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária.

Cenário fiscal segue como foco principal do mercado

A volatilidade do câmbio nos últimos dias tem sido impulsionada majoritariamente por fatores internos, especialmente pelas incertezas em relação às metas fiscais e à forma como o governo pretende garantir o equilíbrio das contas públicas.

Nos bastidores, técnicos da equipe econômica defendem medidas como:

  • Reoneração parcial da folha de pagamentos;
  • Redução de isenções fiscais em setores específicos;
  • Cortes pontuais em subsídios e gastos não obrigatórios.

Entretanto, essas alternativas enfrentam resistência política. O aumento do IOF acabou sendo usado como solução de curto prazo, mas o seu impacto negativo no mercado financeiro forçou o recuo.

Impacto nas projeções econômicas

Com a polêmica em torno do IOF e a deterioração da percepção fiscal, algumas casas de análise começaram a revisar para cima as projeções do dólar para os próximos meses, prevendo uma faixa de oscilação entre R$ 5,65 e R$ 5,80, caso o governo não consiga apresentar uma solução crível.

Entretanto, uma alternativa mais equilibrada ao IOF, aliada a gestos de responsabilidade fiscal, pode trazer o câmbio de volta a um patamar mais próximo de R$ 5,50, segundo analistas.

Produção industrial registra leve alta em abril

IBGE
Imagem: rafapress / shutterstock.com

No campo dos indicadores econômicos, o IBGE divulgou nesta terça-feira (03) que a produção industrial brasileira cresceu 0,1% em abril, na comparação com março. O dado, embora tímido, foi melhor do que o esperado pelo mercado, que projetava estabilidade.

O setor industrial vinha acumulando perdas em razão dos juros altos, consumo desaquecido e inflação de custos. A pequena recuperação indica algum fôlego na atividade econômica, o que também ajuda a amenizar o pessimismo fiscal.

Segmentos em destaque

Entre os setores com melhor desempenho em abril estão:

  • Indústrias extrativas (+1,7%)
  • Produtos alimentícios (+0,5%)
  • Derivados de petróleo e biocombustíveis (+0,3%)

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

A leitura positiva dos dados da indústria somada ao possível recuo do governo na elevação do IOF trouxe alívio aos investidores e contribuiu para a valorização do real frente ao dólar.

O que esperar do dólar nos próximos dias?

Com a expectativa de definição do impasse ainda nesta terça, o mercado de câmbio segue extremamente sensível às declarações de autoridades e ao conteúdo das medidas que venham a ser anunciadas após o almoço no Alvorada.

Se o governo optar por uma alternativa fiscal que envolva reformas estruturais, corte de gastos ou redistribuição de isenções, a leitura do mercado tende a ser positiva, o que pode intensificar a valorização do real. Por outro lado, medidas paliativas ou que aumentem a carga tributária podem resultar em novo estresse cambial.

Fatores a serem monitorados:

  • Desdobramentos da reunião entre Lula e o Congresso;
  • Reações do mercado às novas propostas fiscais;
  • Andamento da pauta econômica no Legislativo;
  • Cenário internacional, com foco na política monetária dos EUA.

Perspectiva para investidores e consumidores

IOF
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

Para quem atua no mercado financeiro ou depende de importações e transações internacionais, a variação do dólar tem impacto direto nos custos operacionais. Empresas que importam insumos ou produtos podem se beneficiar com um câmbio mais baixo, enquanto exportadores preferem o dólar valorizado.

Já para o consumidor comum, o dólar influencia preços de eletrônicos, viagens, combustíveis e alimentos, principalmente os importados ou cotados em moeda estrangeira, como trigo e fertilizantes.

Dólar turismo e viagens internacionais

A cotação do dólar turismo segue acima de R$ 5,70, o que ainda mantém viagens internacionais mais caras, mesmo com o leve recuo no câmbio comercial. A variação cambial continua sendo um fator decisivo para o planejamento de férias no exterior.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados