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Dólar cai no mercado, mas euro ainda não é vencedor, diz BCE

Dólar perde participação global em 2024, mas euro ainda não assume liderança. Ouro e moedas menores avançam, segundo relatório do BCE.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
Brasileiros

A participação do dólar como moeda dominante nas reservas cambiais globais caiu novamente em 2024, reforçando uma tendência de desdolarização que vem se acentuando ao longo da última década. No entanto, ao contrário do que seria esperado, o euro — principal alternativa tradicional à moeda norte-americana — não foi o principal beneficiado. Segundo um relatório divulgado pelo Banco Central Europeu (BCE), moedas como o iene japonês, o dólar canadense e, sobretudo, o ouro, ganharam terreno.

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Queda gradual do domínio do dólar

dólar
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

A erosão da liderança do dólar

A moeda dos Estados Unidos ainda representa a maior parte das reservas cambiais globais, com cerca de 58% de participação. Contudo, essa fatia já foi de quase 70% há dez anos. Em 2024, o dólar perdeu dois pontos percentuais adicionais. A política econômica errática dos EUA, combinada com incertezas fiscais e geopolíticas, tem levado investidores institucionais a reavaliar suas carteiras.

O alerta do Banco Central Europeu

A presidente do BCE, Christine Lagarde, destacou que este enfraquecimento abre uma janela de oportunidade para o euro se posicionar como a moeda de reserva preferida. Mas isso dependeria de uma maior integração entre os países da zona do euro — algo que ainda está longe de se concretizar.

Ouro e moedas menores tomam a dianteira

Por que o ouro?

Entre os principais ganhadores dessa mudança estão o ouro e moedas de países considerados financeiramente estáveis, como o Japão e o Canadá. Em termos absolutos, os bancos centrais compraram mais de 1.000 toneladas de ouro em 2024, o dobro da média anual da década passada.

Segundo o BCE, dois terços dos bancos centrais compraram ouro como forma de diversificação, e 40% o fizeram como proteção contra riscos geopolíticos. O ouro agora representa cerca de 20% das reservas cambiais internacionais, superando os 16% do euro — uma estatística simbólica que revela a dificuldade da moeda europeia em se firmar como alternativa ao dólar.

Destaque para moedas não tradicionais

Além do ouro, moedas como o iene japonês e o dólar canadense foram as que mais se beneficiaram com a queda do dólar. O euro teve ganhos discretos, mas não demonstrou capacidade de tração suficiente para substituir o dólar como ativo global dominante.

O paradoxo do euro: força momentânea, fraqueza estrutural

A falta de infraestrutura financeira

Apesar da fragilidade do dólar, o euro não tem conseguido capitalizar essa oportunidade como se esperava. Ainda que tenha se valorizado frente ao dólar desde abril de 2024, esse movimento é visto mais como resultado de um enfraquecimento do dólar do que de uma confiança renovada no euro.

Um dos principais entraves apontados por economistas para a ascensão do euro é a ausência de uma infraestrutura financeira robusta e integrada. Cada país da zona do euro emite sua própria dívida, o que fragmenta o mercado e dificulta a formação de um ativo seguro e líquido comparável aos títulos do Tesouro dos EUA.

Sistema bancário fragmentado

Outro obstáculo é o sistema bancário da União Europeia, ainda muito fragmentado. Sem uma união de mercado de capitais com regras padronizadas e grandes instituições financeiras transnacionais, o euro segue limitado em sua capacidade de rivalizar com o dólar em larga escala.

Ausência de poder militar e influência geopolítica

Por fim, o euro sofre com a ausência de um respaldo militar e geopolítico que inspire confiança em investidores ao redor do mundo. Os Estados Unidos, mesmo com sua dívida crescente, ainda oferecem segurança institucional, estabilidade jurídica e proteção militar — fatores cruciais para a escolha da moeda de reserva global.

Investidores reagem ao novo panorama

Dólar
Imagem: LookerStudio/Shutterstock

Desvalorização inesperada do dólar

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A mudança de percepção sobre o dólar tem influenciado diretamente os fluxos de capitais internacionais. Desde abril, o dólar se enfraqueceu mesmo com o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano — uma correlação considerada incomum. Isso sugere que os investidores passaram a exigir um prêmio de risco maior para manter ativos denominados em dólar, refletindo preocupações com a sustentabilidade fiscal dos EUA.

Emissão de dívidas em euro por empresas americanas

Outro sinal da crescente preferência pelo euro, ainda que pontual, é o aumento da emissão de dívidas por empresas americanas em euros — os chamados “Yankee Bonds reversos”. Isso indica que as corporações estão aproveitando o momento de fraqueza do dólar para diversificar suas fontes de financiamento em moedas estrangeiras.

O futuro do dólar como moeda dominante

Apesar da queda, o dólar continua sendo o principal pilar das finanças globais. Sua predominância é sustentada por décadas de confiança institucional, profundidade do mercado e aceitação universal. No entanto, os sinais de alerta estão se acumulando.

A crescente diversificação das reservas por parte dos bancos centrais e a preferência por ativos alternativos, como o ouro, sugerem que o reinado absoluto da moeda norte-americana pode estar com os dias contados — especialmente se os Estados Unidos não endereçarem seus problemas fiscais e políticos internos.

E o papel do euro nesse contexto?

Dólar
Imagem: Freepik

Euro ainda depende de integração política e fiscal

Embora o BCE tenha deixado claro seu desejo de ver o euro como alternativa viável ao dólar, os desafios internos da zona do euro ainda são muitos. A integração política e financeira continua travada por interesses nacionais, e a ausência de um ativo seguro europeu torna difícil competir com a segurança dos títulos americanos.

A União Europeia precisará resolver essas questões se quiser que o euro vá além do papel de coadjuvante na nova ordem monetária global.

Conclusão

O enfraquecimento do dólar em 2024 representa mais uma etapa na longa transição do sistema monetário internacional. Embora o euro tenha potencial para assumir um papel mais relevante, ele ainda está distante de ameaçar a hegemonia do dólar. Enquanto isso, moedas menores e ativos tradicionais como o ouro parecem se consolidar como os principais beneficiários dessa reconfiguração.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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