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Dólar pode oscilar entre R$ 4,50 e R$ 6 segundo ex-diretor do BC

Ex-diretor do BC alerta que corte da Selic pode pressionar o dólar, elevar inflação e agravar o risco fiscal no Brasil.

Bruna MachadoPor Bruna Machado4 min de leitura
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A expectativa de início do ciclo de queda da Selic nos próximos meses tem animado parte do mercado financeiro, mas também acendeu um sinal de alerta entre economistas mais cautelosos. Para o ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, reduzir os juros agora pode provocar uma forte reação no câmbio, com impacto direto sobre o dólar e a inflação.

Segundo ele, o Brasil ainda não reúne condições macroeconômicas para iniciar um corte seguro da taxa básica sem gerar instabilidade. O principal problema não está apenas na inflação corrente, mas no desequilíbrio fiscal e na trajetória da dívida pública.

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Selic alta ajuda a segurar o dólar em cenário fiscal frágil

A Selic está em 15% desde junho do ano passado, o maior patamar em cerca de 20 anos. Esse nível elevado tem sido fundamental para manter o interesse de investidores nos títulos públicos brasileiros, ajudando a conter a valorização do dólar frente ao real.

Em um ambiente de incerteza fiscal, juros altos funcionam como um “seguro” contra a fuga de capitais. Quando essa proteção é retirada cedo demais, o câmbio costuma reagir rapidamente.

Inflação acima da meta limita espaço para queda dos juros

A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, mas o IPCA segue acima de 4%. Projeções do mercado indicam que a inflação só deve se aproximar do centro da meta após 2029.

De acordo com Kanczuk, apenas a manutenção da Selic em 15% por mais alguns meses permitiria uma convergência mais segura da inflação. Um corte antecipado pode desancorar expectativas e pressionar o dólar.

Dívida pública elevada aumenta risco de alta do dólar

O cenário fiscal é o principal fator por trás da fragilidade cambial brasileira. A dívida pública bruta chegou a cerca de 93% do PIB, segundo dados oficiais, nível comparável apenas ao pico da pandemia.

Além disso, o governo federal acumula sucessivos déficits. Desde 2014, apenas em 2022 o país registrou superávit primário. Esse histórico reduz a confiança do mercado e limita a margem para juros mais baixos.

Investidores exigem retorno alto para manter recursos no Brasil

Com dívida crescente e gastos elevados, o investidor só aceita financiar o governo brasileiro mediante juros elevados. Se a Selic cair sem um ajuste fiscal crível, parte desse capital tende a sair do país.

Esse movimento provoca valorização do dólar, encarece importações e pressiona os preços internos, afetando diretamente o custo de vida da população.

Incerteza política pode ampliar volatilidade do dólar

Para Fabio Kanczuk, qualquer projeção econômica confiável só se sustenta até as eleições de outubro. A partir daí, o comportamento do dólar dependerá das sinalizações do próximo governo em relação ao controle de gastos e reformas estruturais.

Segundo ele, não importa apenas quem vencerá a eleição, mas como o governo eleito lidará com o problema fiscal.

Dólar pode variar de forma extrema sem ajuste fiscal

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O ex-diretor do BC afirma que, com um compromisso claro de ajuste — incluindo reforma administrativa, nova reforma da Previdência e corte de gastos — o dólar poderia recuar para níveis mais baixos.

Por outro lado, se nada mudar, o câmbio pode se desvalorizar rapidamente, com o dólar alcançando patamares muito mais altos, sem necessidade de choques externos.

Alta do dólar afeta inflação, crédito e consumo

A valorização do dólar tem efeitos em cadeia na economia. Produtos importados ficam mais caros, combustíveis tendem a subir e a inflação ganha força. Como consequência, o próprio Banco Central pode ser obrigado a manter juros elevados por mais tempo.

Isso reduz o crédito, freia o consumo e dificulta a retomada do crescimento econômico.

Debate sobre juros passa, necessariamente, pelo dólar

Embora a queda da Selic seja desejada por empresas e consumidores, o alerta de Fabio Kanczuk reforça que o dólar é hoje um termômetro direto da confiança no Brasil.

Sem um ajuste fiscal consistente, qualquer tentativa de reduzir os juros pode resultar em instabilidade cambial, inflação mais alta e perda de poder de compra — efeitos que recaem, principalmente, sobre a população.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

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Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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