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Balanços pesam na Bolsa e dólar recua para R$ 5,11 no fechamento do mercado

Dólar fecha em queda após corte da Selic pelo Copom. Ibovespa recua com balanços de Petrobras, Bradesco e empresas da B3.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··7 min de leitura
Balanços pesam na Bolsa e dólar recua para R$ 5,11 no fechamento do mercado

O mercado financeiro brasileiro passou por uma sessão de ajustes nesta quinta-feira, após a decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros da economia. O dólar encerrou o pregão em queda, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, registrou perdas pressionado pela reação dos investidores aos balanços de grandes empresas.

A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,107 no mercado comercial para venda, com recuo de 0,41% em relação ao fechamento anterior. Durante o dia, o dólar chegou a operar próximo de R$ 5,09, refletindo o movimento de ajuste de posições dos investidores após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

Já o Ibovespa terminou o pregão aos 175.546 pontos, queda de 1,23%. O índice foi impactado principalmente pelo desempenho negativo de setores importantes da Bolsa, além da avaliação dos resultados financeiros divulgados por companhias como Bradesco, Riachuelo e Petrobras.

A decisão do Copom de reduzir a Selic de 14,25% para 14% ao ano era amplamente esperada pelo mercado, mas os investidores passaram a concentrar as atenções nos próximos passos do Banco Central e nos sinais sobre a continuidade do ciclo de cortes.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Corte da Selic muda expectativas para a economia brasileira

A redução da taxa básica de juros marcou o quarto corte consecutivo de mesma intensidade, com diminuição de 0,25 ponto percentual em cada reunião.

O Copom destacou que a decisão considerou sinais de desaceleração da atividade econômica e uma melhora recente no comportamento da inflação. Segundo o colegiado, houve avanço na redução da inflação cheia e também dos indicadores que acompanham tendências mais persistentes de preços.

A Selic é uma das principais ferramentas do Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem, o objetivo é reduzir o consumo e conter a alta de preços. Já quando ocorre uma redução, a expectativa é estimular o crédito, os investimentos e a atividade econômica.

Apesar do corte, a taxa continua em nível elevado, mantendo impacto sobre consumidores, empresas e investimentos.

Segundo analistas, o comunicado do Copom adotou uma postura cautelosa, sem indicar uma sequência garantida de novas reduções. As próximas decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos, principalmente inflação, atividade e expectativas do mercado.

Mercado avalia próximos passos do Banco Central

A sinalização do Banco Central foi interpretada pelos investidores como uma indicação de que o ritmo de cortes continuará condicionado aos dados econômicos.

Para especialistas, a autoridade monetária busca equilibrar dois fatores: acelerar a recuperação da economia e, ao mesmo tempo, evitar que uma redução excessiva dos juros prejudique o controle da inflação.

A economista-chefe do B.Side Investimentos, Helena Veronese, destacou que o cenário atual combina uma desaceleração gradual da atividade com melhora dos indicadores inflacionários.

Já analistas do mercado apontam que uma eventual continuidade da queda da Selic poderá beneficiar setores mais dependentes de crédito, como varejo, construção civil e consumo.

Ibovespa recua com pressão de ações importantes

Mesmo com a perspectiva de juros menores no médio prazo, a Bolsa brasileira teve uma sessão negativa.

O Ibovespa caiu 1,23%, pressionado pela baixa de diferentes segmentos. Entre os setores com maiores perdas estiveram consumo, materiais básicos e financeiro.

O índice de consumo recuou cerca de 1,67%, enquanto o setor de materiais básicos teve queda próxima de 1,61%. As ações financeiras também perderam força, com baixa aproximada de 1,36%.

Para analistas, o ambiente ainda é desafiador para empresas que dependem diretamente da melhora do consumo interno.

A Selic mais baixa tende a reduzir o custo do crédito, mas o nível atual dos juros ainda mantém pressão sobre famílias endividadas e empresas com custos financeiros elevados.

Balanços corporativos movimentam ações na B3

Além da decisão do Banco Central, a temporada de resultados financeiros das empresas teve papel importante no comportamento da Bolsa.

Os investidores analisaram números de companhias relevantes, buscando sinais sobre crescimento, rentabilidade e capacidade de geração de caixa.

Entre os destaques estiveram Bradesco, Petrobras, Riachuelo e Axia.

Bradesco registra lucro maior, mas ações caem

O Bradesco apresentou lucro líquido de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026, com aumento da rentabilidade.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) chegou a 16,2%, acima dos 14,6% registrados no mesmo período anterior.

A carteira de crédito do banco cresceu 11,6%, indicando expansão das operações financeiras.

Por outro lado, as despesas relacionadas à provisão para devedores duvidosos aumentaram 22,6% na comparação anual, alcançando R$ 10 bilhões.

O mercado avaliou que, apesar da melhora operacional, o avanço dos custos relacionados à inadimplência continua sendo um ponto de atenção.

Na Bolsa, as ações preferenciais do banco terminaram o dia em queda.

Petrobras entra no radar dos investidores

A Petrobras foi um dos principais focos do mercado após a expectativa pelo balanço divulgado depois do fechamento da B3.

A companhia representa uma parcela relevante do Ibovespa e seus resultados costumam influenciar o desempenho geral do índice.

Estimativas de mercado apontavam expectativa de lucro líquido próximo de US$ 8 bilhões no segundo trimestre de 2026, o que representaria crescimento significativo em relação ao mesmo período do ano anterior.

O avanço esperado está relacionado a fatores como crescimento da produção e desempenho operacional.

A produção da companhia apresentou aumento de 14,4% no segundo trimestre, reforçando a percepção de expansão das atividades.

Durante o pregão, as ações da empresa operaram em alta moderada, acompanhando também o avanço dos preços internacionais do petróleo.

Petróleo sobe no mercado internacional

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O petróleo teve valorização no exterior, influenciando positivamente empresas ligadas ao setor de energia.

O barril do tipo Brent, referência internacional, avançou 3,83%, chegando a US$ 82,49.

O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subiu 2,75%, cotado a US$ 77,29.

A alta ocorreu em meio a informações relacionadas a negociações envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para transporte mundial de petróleo.

Como a commodity tem forte influência sobre empresas produtoras de petróleo, movimentos internacionais costumam repercutir nas ações do setor.

Riachuelo apresenta crescimento no lucro

A Riachuelo também esteve entre os destaques positivos do pregão.

A companhia registrou lucro líquido de R$ 167,9 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 36,2% em relação ao mesmo período anterior.

A empresa informou que fatores tributários contribuíram para o resultado, enquanto a receita líquida avançou 3,3%, chegando a R$ 2,69 bilhões.

O desempenho operacional ajudou a melhorar a percepção dos investidores, refletindo em alta das ações durante o pregão.

Axia registra avanço no resultado trimestral

A Axia, antiga Eletrobras, também divulgou números positivos.

A companhia teve lucro de R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre, alta de 9,5% na comparação anual.

O Ebitda ajustado, indicador utilizado para medir a geração operacional de caixa, alcançou R$ 6,31 bilhões, crescimento de 22,4%.

Outro ponto observado pelo mercado foi a redução da dívida líquida, que caiu 1,3%, para R$ 45,46 bilhões.

Apesar dos resultados, as ações terminaram o dia próximas da estabilidade, com leve queda.

Dólar acompanha cenário de juros e mercado externo

Selic
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A queda do dólar no Brasil refletiu principalmente o ajuste dos investidores após a decisão do Copom.

Taxas de juros menores podem influenciar o fluxo de capital estrangeiro, já que investidores avaliam oportunidades em diferentes mercados.

Além disso, fatores externos, como comportamento dos juros nos Estados Unidos, cenário geopolítico e preços de commodities, continuam sendo determinantes para a cotação da moeda.

O câmbio brasileiro segue sensível às expectativas sobre inflação, política fiscal e trajetória da Selic.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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