O dólar iniciou a semana em alta no mercado de câmbio global, refletindo a apreensão dos investidores com o anúncio de novas tarifas sobre o aço e alumínio por parte do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essas medidas fazem parte de uma escalada nas tensões comerciais, que vêm impactando diretamente a cotação da moeda norte-americana e os mercados emergentes.
Dólar registra alto com o impacto das novas ameaças tarifárias de Trump aos emergentes
Dólar sobe com novas tarifas de Trump sobre aço e alumínio, impactando mercados globais e moedas emergentes. Veja a análise completa do cenário econômico.
Na manhã desta segunda-feira, o dólar à vista subia 0,3%, cotado a R$ 5,8101, enquanto o contrato futuro da moeda norte-americana avançava 0,04%, a R$ 5,833 na B3.
A política protecionista de Trump já impôs tarifas de 25% sobre produtos do México e Canadá e de 10% sobre importações da China, aumentando a preocupação com o comércio global. A medida pode prejudicar grandes exportadores, como Brasil, Japão e União Europeia, que são parceiros comerciais estratégicos dos EUA.
Leia mais:
Crédito consignado com FGTS avançado para CLT com promessa de juros reduzidos
Novas tarifas de Trump: o que esperar?

Impacto sobre exportações globais
A nova rodada de tarifas anunciada por Trump afeta diretamente a exportação de aço e alumínio para os EUA, o que gera impactos significativos para países produtores desses metais. A medida pode prejudicar setores industriais, elevar custos de produção e desencadear retaliações comerciais por parte dos países atingidos.
Tarifas recíprocas: quem pode ser afetado?
Além das tarifas sobre metais, Trump anunciou que também implementará tarifas recíprocas, igualando as taxas cobradas por outros países sobre os produtos norte-americanos. No entanto, o impacto real dessas medidas ainda é incerto, pois o ex-presidente não especificou quais nações serão alvo dessa política.
Essa decisão gera incerteza nos mercados, levando investidores a procurarem ativos mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), que se tornam mais atrativos devido ao possível aumento da inflação e das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed).
O que está impulsionando o dólar?

Expectativa de alta nos juros dos EUA
O fortalecimento do dólar está ligado ao potencial inflacionário das novas tarifas de Trump. Caso a medida leve a um aumento nos preços de importação nos EUA, o Federal Reserve pode ser forçado a manter as taxas de juros elevadas por mais tempo, o que torna os ativos norte-americanos mais atraentes para os investidores internacionais.
Isso explica a valorização do dólar frente a diversas moedas emergentes, como o peso mexicano e o peso chileno, além do real brasileiro.
Inflação no Brasil e impacto no câmbio
Na cena doméstica, a cotação do dólar também é influenciada pelos dados de inflação brasileira. A pesquisa Focus do Banco Central mostrou que o mercado elevou suas projeções para o IPCA de 2025 e 2026, sinalizando que a inflação pode ser mais persistente do que o esperado.
As expectativas para a inflação agora são de 5,58% para 2025 e 4,30% para 2026, o que reforça a preocupação dos investidores com a política monetária no Brasil.
Na terça-feira, será divulgado o IPCA de janeiro, com estimativa de alta de 0,14% na base mensal, uma desaceleração em relação ao avanço de 0,52% registrado em dezembro. Esses dados serão essenciais para avaliar os próximos passos da política econômica brasileira.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Como o mercado está reagindo às tarifas de Trump?

Moedas emergentes e fuga para ativos seguros
O anúncio das novas tarifas provocou um movimento de fuga para ativos considerados mais seguros, como o próprio dólar e os Treasuries. O real brasileiro, assim como outras moedas emergentes, se desvalorizou diante da incerteza global.
Especialistas do mercado financeiro destacam que, além da pressão externa, a falta de clareza na política econômica brasileira também influencia a fragilidade do real. O mercado segue atento à condução da política fiscal e às projeções de crescimento do Brasil para os próximos anos.
Commodities podem ser afetadas
Além do câmbio, o setor de commodities também pode sofrer com as tarifas impostas por Trump. O Brasil é um dos principais exportadores de aço para os EUA, e restrições comerciais podem impactar diretamente a indústria siderúrgica nacional.
Conclusão
A valorização do dólar reflete o impacto das novas tarifas anunciadas por Trump, que aumentam a incerteza sobre o comércio global e pressionam os mercados emergentes. O cenário é de cautela para investidores, que aguardam mais detalhes sobre a política comercial dos EUA e as possíveis reações de outros países.
Enquanto isso, o mercado brasileiro segue monitorando a inflação e os desdobramentos da política monetária nacional. Com a expectativa de divulgação do IPCA de janeiro, os próximos dias serão decisivos para entender os rumos do câmbio e da economia global.
