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Dólar perde o patamar de R$ 5 e depois reage; veja o que pode acontecer agora

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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O dólar voltou a subir frente ao real e encerrou a quinta-feira (15) cotado a R$ 5,087, com valorização de 1,17%. O avanço marcou a terceira sessão consecutiva de alta da moeda americana, depois da forte queda registrada na primeira semana de outubro, após o primeiro turno das eleições presidenciais.

A recuperação do câmbio reacendeu as discussões sobre o comportamento dos investidores estrangeiros, as perspectivas para a economia brasileira e os riscos fiscais associados ao cenário eleitoral. A moeda havia encerrado o pregão anterior à votação a R$ 5,2165 e chegou a ser negociada abaixo de R$ 5 nos dias seguintes ao resultado.

Para Rafael Perretti, economista da Clear Corretora, a queda inicial foi impulsionada principalmente pela entrada de capital estrangeiro e pela melhora das expectativas para os ativos brasileiros. A continuidade desse movimento, porém, dependerá da manutenção dos investimentos internacionais e da percepção de risco sobre as contas públicas.

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Por que o dólar voltou a subir no Brasil?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A valorização recente indica uma mudança no comportamento do mercado após o movimento de baixa observado no início de outubro. Quando investidores estrangeiros direcionam recursos ao Brasil, a oferta de dólares no mercado pode aumentar, favorecendo a valorização do real. O caminho inverso também é possível quando há retirada de capital.

Eleições e fluxo estrangeiro influenciam o câmbio

No primeiro pregão após o primeiro turno, em 5 de outubro, o dólar à vista abriu a R$ 4,9760, uma queda de 4,61% em relação ao fechamento anterior, conforme os dados apresentados na análise de mercado.

A reação refletiu o otimismo de parte dos investidores com as perspectivas econômicas e a possibilidade de maior entrada de recursos no país. Entretanto, a aproximação do segundo turno mantém as expectativas eleitorais entre os fatores capazes de provocar oscilações.

Segundo Perretti, se os estrangeiros continuarem investindo na Bolsa brasileira, o fluxo financeiro poderá contribuir para manter o dólar em níveis menores. Caso esses investidores decidam realizar lucros e retirar recursos, a demanda pela moeda americana poderá crescer.

Juros e risco fiscal também pesam

A trajetória da taxa Selic é outro elemento importante para o mercado cambial. O diferencial entre os juros brasileiros e os de outras economias pode influenciar a decisão dos investidores sobre onde aplicar seus recursos, embora não determine sozinho a direção do câmbio.

As projeções do Boletim Focus mencionadas na análise recuaram de 13,75% para 13,25% ao ano para a Selic no encerramento de 2026. A expectativa de juros menores pode alterar a atratividade dos investimentos brasileiros, dependendo também das condições internacionais e da percepção de risco.

O cenário fiscal completa essa equação. Se houver preocupação com o crescimento da dívida pública ou com a sustentabilidade das contas do governo, investidores podem exigir maior retorno para manter recursos no país ou buscar ativos considerados mais seguros, aumentando a pressão sobre o real.

Análise técnica aponta resistência para o minidólar

Além dos fatores econômicos, operadores acompanham os gráficos para identificar regiões em que a cotação pode encontrar dificuldade para avançar ou recuar.

Na análise de Perretti, o contrato futuro de minidólar voltou a testar a faixa de 5.081 a 5.085 pontos no gráfico contínuo ajustado. Essa região, que anteriormente funcionava como suporte, passou a ser observada como resistência após a queda expressiva registrada no início de outubro.

O economista também destaca a faixa de 5.057 a 5.060 pontos como referência de curto prazo. Se a pressão compradora aumentar e o contrato superar a resistência, o movimento de recuperação poderá ganhar força. Caso contrário, o mercado poderá voltar a testar regiões inferiores.

Entre os níveis de atenção citados estão 4.995,5 pontos e a faixa de 4.978 a 4.969 pontos. Esses valores se referem ao contrato futuro ajustado, e não diretamente à cotação do dólar à vista.

A análise técnica não garante que esses níveis serão atingidos. Eles são referências utilizadas por participantes do mercado para avaliar tendências e possíveis pontos de reação dos preços.

Dólar a R$ 4,50 pode prejudicar empresas exportadoras?

Uma eventual queda da moeda americana para R$ 4,50 poderia pressionar os resultados de empresas que recebem parte relevante de suas receitas em dólares. Isso ocorre porque, quando os recursos são convertidos para reais, cada dólar passa a representar uma quantia menor na moeda brasileira.

O efeito, entretanto, depende da estrutura financeira de cada companhia, dos custos, das dívidas em moeda estrangeira e dos preços dos produtos vendidos no exterior.

Nos pregões posteriores ao primeiro turno, algumas exportadoras registraram perdas mesmo com a valorização do Ibovespa. Entre os exemplos citados no levantamento estão Suzano, com queda de 5,93%; Embraer, com recuo de 4,17%; e Vale, com baixa de 2,40%, considerando os fechamentos de 2 e 6 de outubro.

Esses movimentos não podem ser atribuídos exclusivamente ao câmbio, pois as ações também respondem às perspectivas específicas de cada empresa e às condições de seus mercados.

Vale e Petrobras dependem também das commodities

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O impacto de um dólar mais barato sobre as exportadoras precisa ser analisado em conjunto com os preços internacionais das commodities.

No caso da Petrobras, uma cotação elevada do petróleo pode compensar parcialmente os efeitos cambiais negativos sobre as receitas convertidas para reais. Já a Vale é influenciada pelo preço do minério de ferro, pela demanda internacional e pelas perspectivas para a economia chinesa.

Na quinta-feira (15), segundo os números apresentados na análise, as ações da Vale recuaram 0,45%, enquanto as da Petrobras caíram 1,29%. No mesmo pregão, o Ibovespa perdeu 1,06%.

Para Perretti, a valorização das commodities pode funcionar como uma proteção parcial contra a queda do dólar. Por outro lado, se a moeda americana recuar ao mesmo tempo que os preços internacionais dos produtos exportados, a pressão sobre os resultados poderá ser maior.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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