Muito antes de enfrentar um pedido de falência relacionado a uma dívida tributária bilionária, a Dolly protagonizou uma das maiores rivalidades da indústria brasileira de refrigerantes. A disputa com a Coca-Cola envolveu campanhas publicitárias, denúncias, processos judiciais e uma longa batalha nos tribunais.
Guerra entre Dolly e Coca-Cola volta ao debate após crise bilionária
Antes da crise bilionária, a Dolly enfrentou anos de disputas judiciais e comerciais com a Coca-Cola. Entenda a rivalidade e a situação atual.
Embora a empresa volte aos holofotes por causa da situação financeira enfrentada atualmente, o processo que pode levar à falência do grupo não está ligado diretamente ao histórico conflito com a multinacional americana.
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A rivalidade entre Dolly e Coca-Cola

Ao longo dos anos 2000, a Dolly ganhou notoriedade por adotar uma postura agressiva contra a Coca-Cola. O fundador da empresa, Laerte Codonho, fez diversas acusações públicas envolvendo supostas práticas anticoncorrenciais da gigante do setor de bebidas.
A disputa extrapolou o ambiente empresarial e chegou ao Judiciário. Em diversas campanhas, a fabricante da Dolly questionava a atuação da concorrente e buscava reforçar sua imagem como uma empresa nacional enfrentando uma multinacional.
A estratégia acabou gerando consequências jurídicas.
Coca-Cola venceu ação por difamação
Em 2012, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou a Ragi Refrigerantes, fabricante da Dolly, além de Laerte Codonho e da Detall Participações, responsável pela marca Dolly, ao pagamento de R$ 1 milhão em indenização à Coca-Cola.
Segundo a decisão judicial, os réus promoveram uma campanha considerada difamatória contra a empresa americana.
O caso se tornou um dos episódios mais conhecidos da rivalidade entre as duas fabricantes e marcou uma derrota importante para a Dolly no campo judicial.
Crise atual tem origem em dívidas tributárias
Apesar do histórico de disputas com a Coca-Cola, a crise enfrentada atualmente pela Dolly possui outra origem.
A empresa passou por um processo de recuperação judicial iniciado em 2018, que foi encerrado em 2026. Após o fim desse procedimento, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP) apresentaram um pedido de falência contra o Grupo Dolly.
De acordo com os órgãos públicos, o grupo acumula uma dívida tributária estimada em aproximadamente R$ 15,7 bilhões.
Empresa afirma que recorrerá à Justiça
Em manifestação enviada ao UOL, o Grupo Dolly informou que ainda não havia sido oficialmente intimado sobre o pedido de falência.
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A empresa declarou que pretende utilizar todos os instrumentos jurídicos disponíveis para contestar a medida.
Em nota, afirmou que confia na Justiça e que adotará “todas as medidas processuais cabíveis, sejam elas cíveis ou mesmo criminais”.
O grupo também classificou a utilização do pedido de falência como uma medida “temerária e persecutória”, indicando que pretende contestar judicialmente a iniciativa.
O que pode acontecer agora

O pedido de falência ainda será analisado pelo Poder Judiciário. Enquanto isso, a Dolly poderá apresentar sua defesa e contestar os argumentos apresentados pelos órgãos responsáveis pela cobrança da dívida.
O desfecho do processo dependerá da análise judicial sobre a situação financeira da empresa, a validade dos créditos cobrados e a possibilidade de outras soluções antes de uma eventual decretação de falência.
Independentemente do resultado, a nova crise marca um capítulo diferente na história da fabricante, cuja rivalidade com a Coca-Cola ficou conhecida como uma das disputas empresariais mais emblemáticas do mercado brasileiro de refrigerantes.
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