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Banco Central é criticado por atrasos no Drex e falha em blockchain

Banco Central atrasa Drex e recua em testes com blockchain. Entenda os impactos e próximos passos do real digital. Saiba mais.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Drex

O Banco Central do Brasil (BCB) enfrenta críticas após anunciar o adiamento da implementação de funcionalidades do Drex, a moeda digital brasileira em desenvolvimento.

A decisão inclui uma mudança significativa na condução dos testes: a suspensão temporária do uso de blockchain (DLT), antes considerado o pilar tecnológico do projeto, para dar lugar a soluções mais tradicionais do sistema financeiro.

Embora o objetivo seja oferecer resultados mais rápidos e seguros, especialistas apontam que o atraso pode representar perda de protagonismo do Brasil na corrida internacional pela digitalização do dinheiro.

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O que é o Drex e por que ele importa?

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Imagem: Freepik e Canva

O Drex é a versão digital do real, desenvolvida pelo Banco Central, com previsão de lançamento oficial nos próximos anos. Trata-se de uma moeda programável, capaz de automatizar transações e integrar o sistema financeiro a novas tecnologias.

Dinheiro programável na prática

A ideia central do Drex é permitir que operações financeiras ocorram de forma automática e segura quando determinadas condições forem atendidas.

  • Exemplo: a compra de um carro só seria concluída após a transferência oficial do documento do veículo.
  • Exemplo: no setor imobiliário, contratos poderiam ser liquidados digitalmente após o registro em cartório.

Esse modelo abriria espaço para uma redução de fraudes, custos e burocracias, além de maior inclusão financeira.

Por que o Banco Central mudou os planos do Drex?

A decisão de afastar-se temporariamente do blockchain foi motivada por fatores técnicos.

Principais desafios encontrados:

  • Privacidade: dificuldade em garantir que dados sensíveis não fossem expostos.
  • Escalabilidade: limitações para processar milhões de transações simultâneas.
  • Custo: necessidade de infraestrutura cara e complexa para suportar as operações.

Diante desses entraves, o Banco Central decidiu priorizar sistemas já consolidados no mercado financeiro brasileiro, como os utilizados para operações de crédito garantido por bens (imóveis, veículos e investimentos).

Objetivo imediato

O foco agora é lançar até 2026 uma solução prática de reconciliação de garantias de crédito, reduzindo o custo das operações e trazendo maior segurança a consumidores e instituições financeiras.

O que já foi testado até agora?

Desde 2023, o Drex passou por duas fases de testes.

Primeira fase

  • Avaliação de privacidade e programabilidade.
  • Testes com títulos públicos digitais.

Segunda fase (encerrada em julho de 2025)

  • Simulação de 13 casos de uso, incluindo:
    • Tokenização de imóveis, veículos e debêntures.
    • Ativos verdes.
    • Comércio exterior.
  • Participação de empresas como Evertec, BBChain, Parfin e Tecban.

Os resultados indicaram avanços relevantes, mas também mostraram a necessidade de ajustes antes da adoção em larga escala.

Críticas e preocupações com o atraso do Drex

Apesar da justificativa técnica, a decisão do Banco Central gerou críticas.

Perda de protagonismo internacional

O Brasil vinha sendo citado como exemplo no debate global sobre moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). Com os atrasos, países como China, União Europeia e Nigéria podem assumir a dianteira.

Impactos no setor financeiro

  • Instituições financeiras esperavam mais clareza sobre as regras do Drex.
  • Empresas de tecnologia que participaram dos testes temem a perda de oportunidades de inovação.
  • Consumidores podem ter de esperar mais tempo para acessar os benefícios de uma moeda digital programável.

Próximos passos do Drex

Apesar do recuo, o Banco Central reafirma que o blockchain não foi descartado e deve voltar em fases futuras, quando houver maior maturidade tecnológica.

Linha do tempo prevista:

  • Outubro de 2025: divulgação do relatório da fase 2 dos testes.
  • 2026: lançamento da solução de crédito garantido digital.
  • Futuro: possível retomada do modelo em DLT, adaptado às exigências do sistema financeiro brasileiro.

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O que o atraso significa para o consumidor?

Embora possa parecer um revés, o adiamento tem como objetivo garantir segurança.

Vantagens da abordagem gradual:

  • Redução do risco de falhas tecnológicas.
  • Menor chance de exposição de dados sensíveis.
  • Preparação do mercado financeiro para absorver mudanças estruturais.

Expectativas

Consumidores e empresas poderão se beneficiar de:

  • Crédito mais barato e acessível.
  • Segurança jurídica em transações digitais.
  • Maior eficiência no sistema financeiro nacional.

Comparação internacional

Drex
Imagem: Freepik e Canva

O Drex não está sozinho na corrida pela digitalização do dinheiro.

Exemplos globais:

  • China: já testa amplamente o yuan digital.
  • União Europeia: desenvolve o euro digital com foco em pagamentos de varejo.
  • Nigéria: lançou o eNaira, mas enfrenta baixa adesão.

O Brasil, que até então era visto como pioneiro, agora adota uma estratégia mais cautelosa.

Conclusão

O atraso no Drex mostra os desafios de implementar uma moeda digital nacional em larga escala. O Banco Central decidiu priorizar segurança e resultados práticos em vez de avançar rapidamente em tecnologias ainda imaturas.

Se, por um lado, essa postura pode reduzir riscos, por outro, levanta questionamentos sobre a capacidade do Brasil de manter relevância na corrida global das moedas digitais.

O futuro do Drex dependerá da capacidade de equilibrar inovação, eficiência e segurança, garantindo benefícios reais para consumidores, empresas e para a economia brasileira.

Imagem: Freepik e Canva / Edição: Seu Crédito Digital

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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