O Banco Central do Brasil (BCB) enfrenta críticas após anunciar o adiamento da implementação de funcionalidades do Drex, a moeda digital brasileira em desenvolvimento.
Banco Central é criticado por atrasos no Drex e falha em blockchain
Banco Central atrasa Drex e recua em testes com blockchain. Entenda os impactos e próximos passos do real digital. Saiba mais.
A decisão inclui uma mudança significativa na condução dos testes: a suspensão temporária do uso de blockchain (DLT), antes considerado o pilar tecnológico do projeto, para dar lugar a soluções mais tradicionais do sistema financeiro.
Embora o objetivo seja oferecer resultados mais rápidos e seguros, especialistas apontam que o atraso pode representar perda de protagonismo do Brasil na corrida internacional pela digitalização do dinheiro.
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O que é o Drex e por que ele importa?

O Drex é a versão digital do real, desenvolvida pelo Banco Central, com previsão de lançamento oficial nos próximos anos. Trata-se de uma moeda programável, capaz de automatizar transações e integrar o sistema financeiro a novas tecnologias.
Dinheiro programável na prática
A ideia central do Drex é permitir que operações financeiras ocorram de forma automática e segura quando determinadas condições forem atendidas.
- Exemplo: a compra de um carro só seria concluída após a transferência oficial do documento do veículo.
- Exemplo: no setor imobiliário, contratos poderiam ser liquidados digitalmente após o registro em cartório.
Esse modelo abriria espaço para uma redução de fraudes, custos e burocracias, além de maior inclusão financeira.
Por que o Banco Central mudou os planos do Drex?
A decisão de afastar-se temporariamente do blockchain foi motivada por fatores técnicos.
Principais desafios encontrados:
- Privacidade: dificuldade em garantir que dados sensíveis não fossem expostos.
- Escalabilidade: limitações para processar milhões de transações simultâneas.
- Custo: necessidade de infraestrutura cara e complexa para suportar as operações.
Diante desses entraves, o Banco Central decidiu priorizar sistemas já consolidados no mercado financeiro brasileiro, como os utilizados para operações de crédito garantido por bens (imóveis, veículos e investimentos).
Objetivo imediato
O foco agora é lançar até 2026 uma solução prática de reconciliação de garantias de crédito, reduzindo o custo das operações e trazendo maior segurança a consumidores e instituições financeiras.
O que já foi testado até agora?
Desde 2023, o Drex passou por duas fases de testes.
Primeira fase
- Avaliação de privacidade e programabilidade.
- Testes com títulos públicos digitais.
Segunda fase (encerrada em julho de 2025)
- Simulação de 13 casos de uso, incluindo:
- Tokenização de imóveis, veículos e debêntures.
- Ativos verdes.
- Comércio exterior.
- Participação de empresas como Evertec, BBChain, Parfin e Tecban.
Os resultados indicaram avanços relevantes, mas também mostraram a necessidade de ajustes antes da adoção em larga escala.
Críticas e preocupações com o atraso do Drex
Apesar da justificativa técnica, a decisão do Banco Central gerou críticas.
Perda de protagonismo internacional
O Brasil vinha sendo citado como exemplo no debate global sobre moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). Com os atrasos, países como China, União Europeia e Nigéria podem assumir a dianteira.
Impactos no setor financeiro
- Instituições financeiras esperavam mais clareza sobre as regras do Drex.
- Empresas de tecnologia que participaram dos testes temem a perda de oportunidades de inovação.
- Consumidores podem ter de esperar mais tempo para acessar os benefícios de uma moeda digital programável.
Próximos passos do Drex
Apesar do recuo, o Banco Central reafirma que o blockchain não foi descartado e deve voltar em fases futuras, quando houver maior maturidade tecnológica.
Linha do tempo prevista:
- Outubro de 2025: divulgação do relatório da fase 2 dos testes.
- 2026: lançamento da solução de crédito garantido digital.
- Futuro: possível retomada do modelo em DLT, adaptado às exigências do sistema financeiro brasileiro.
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O que o atraso significa para o consumidor?
Embora possa parecer um revés, o adiamento tem como objetivo garantir segurança.
Vantagens da abordagem gradual:
- Redução do risco de falhas tecnológicas.
- Menor chance de exposição de dados sensíveis.
- Preparação do mercado financeiro para absorver mudanças estruturais.
Expectativas
Consumidores e empresas poderão se beneficiar de:
- Crédito mais barato e acessível.
- Segurança jurídica em transações digitais.
- Maior eficiência no sistema financeiro nacional.
Comparação internacional

O Drex não está sozinho na corrida pela digitalização do dinheiro.
Exemplos globais:
- China: já testa amplamente o yuan digital.
- União Europeia: desenvolve o euro digital com foco em pagamentos de varejo.
- Nigéria: lançou o eNaira, mas enfrenta baixa adesão.
O Brasil, que até então era visto como pioneiro, agora adota uma estratégia mais cautelosa.
Conclusão
O atraso no Drex mostra os desafios de implementar uma moeda digital nacional em larga escala. O Banco Central decidiu priorizar segurança e resultados práticos em vez de avançar rapidamente em tecnologias ainda imaturas.
Se, por um lado, essa postura pode reduzir riscos, por outro, levanta questionamentos sobre a capacidade do Brasil de manter relevância na corrida global das moedas digitais.
O futuro do Drex dependerá da capacidade de equilibrar inovação, eficiência e segurança, garantindo benefícios reais para consumidores, empresas e para a economia brasileira.
Imagem: Freepik e Canva / Edição: Seu Crédito Digital
