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Drex: veja o que é, como deve funcionar e quando poderá chegar aos brasileiros

Entenda como o Drex pode transformar a compra de imóveis, o crédito e a tokenização de ativos no Brasil.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··6 min de leitura
Drex: veja o que é, como deve funcionar e quando poderá chegar aos brasileiros

O Drex, projeto de moeda digital do Banco Central (BC), pode provocar mudanças importantes na forma como brasileiros compram imóveis, contratam financiamentos e movimentam determinados ativos financeiros. A proposta combina a representação digital do real com tecnologia de registro distribuído (DLT), ativos tokenizados e contratos inteligentes.

Apesar de ser conhecido como “real digital”, o Drex não foi criado para substituir o Pix ou o dinheiro em espécie. A principal novidade está na infraestrutura que permitirá conectar dinheiro e ativos digitais em operações programáveis.

O projeto, porém, ainda não está disponível para uso cotidiano da população. O Banco Central encerrou a segunda fase do Piloto Drex e informa que os resultados dos testes serão utilizados para definir os próximos passos. Usuários finais não participam diretamente do piloto, no qual as operações são simuladas.

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Drex
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O que é o Drex e como ele funciona

O Drex é uma representação digital do real dentro de uma infraestrutura administrada e regulada pelo Banco Central. A proposta permite que instituições financeiras e outros participantes autorizados realizem operações envolvendo dinheiro e ativos digitais em um mesmo ambiente tecnológico.

Um dos conceitos centrais é a chamada liquidação atômica. Em termos simples, determinadas etapas de uma transação podem ser vinculadas para que aconteçam juntas: se as condições previstas no contrato forem atendidas, o pagamento e a transferência do ativo são realizados de forma coordenada.

O funcionamento ocorre por meio das instituições financeiras. Para o consumidor, a tendência é que a experiência continue concentrada nos aplicativos e serviços oferecidos por bancos e outras instituições autorizadas, enquanto a infraestrutura tecnológica opera nos bastidores.

Compra de imóveis pode ficar mais integrada

A negociação imobiliária é um dos exemplos mais citados pelo Banco Central para demonstrar o potencial dos contratos inteligentes.

Hoje, uma compra de imóvel envolve várias etapas, incluindo análise documental, pagamento, formalização do negócio e procedimentos relacionados ao registro da propriedade. Com uma infraestrutura baseada no Drex, a proposta é conectar determinadas etapas da operação de maneira automatizada.

Imagine, por exemplo, uma compra na qual o pagamento esteja condicionado à comprovação de que todos os requisitos previstos no contrato foram cumpridos. Um contrato inteligente poderia verificar essas condições e, uma vez satisfeitas, coordenar a transferência do valor e do ativo digital correspondente.

O próprio Banco Central utiliza a compra de imóveis como exemplo de operação em que o pagamento e a transferência do direito representado digitalmente poderiam ocorrer de maneira simultânea.

Isso não significa, contudo, que o Drex eliminará automaticamente cartórios, registros públicos ou as exigências legais de uma compra imobiliária. A tecnologia precisa respeitar o ordenamento jurídico e as regras dos órgãos responsáveis pelos registros.

Tokenização amplia as possibilidades

Outro elemento importante é a tokenização. Nesse modelo, um ativo ou direito pode ser representado digitalmente por um token dentro de uma infraestrutura compatível com o Drex.

O conceito pode ser aplicado a diferentes instrumentos financeiros e outros ativos, conforme as regras e autorizações correspondentes. O Banco Central já testa, por exemplo, operações com títulos públicos tokenizados.

A vantagem está na possibilidade de combinar o ativo digital com regras programáveis. Isso pode permitir que uma negociação seja realizada com pagamento condicionado à transferência do próprio ativo, reduzindo etapas manuais e aumentando a rastreabilidade da operação.

A tokenização também pode favorecer operações fracionadas em determinados mercados. Na prática, isso abre espaço para modelos em que direitos sobre determinados ativos sejam representados digitalmente e movimentados de forma mais eficiente.

Crédito e garantias também podem mudar

O impacto potencial não se limita à compra de imóveis. O Drex também pode alterar a maneira como garantias são utilizadas em operações de crédito.

Em determinadas estruturas, uma garantia digitalizada poderia ficar vinculada automaticamente a um contrato. Caso ocorra uma situação previamente estabelecida, mecanismos programáveis poderiam executar procedimentos previstos na operação.

Esse tipo de automação pode reduzir etapas operacionais e facilitar a utilização de garantias, embora não signifique que todos os empréstimos ficarão automaticamente mais baratos.

O efeito sobre juros dependerá de fatores como risco de crédito, concorrência entre instituições, custos operacionais, regulamentação e estrutura de cada produto financeiro.

Drex não é criptomoeda nem substitui o Pix

Uma dúvida comum é se o Drex será semelhante ao Bitcoin ou a outras criptomoedas. A resposta é não.

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O Drex integra a infraestrutura oficial do sistema financeiro brasileiro e está ligado ao real emitido pelo Banco Central. Seu objetivo é oferecer uma infraestrutura para operações financeiras digitais programáveis, e não funcionar como um criptoativo privado.

Também não se trata de uma versão concorrente do Pix. O Pix é um sistema de pagamentos instantâneos, enquanto o Drex busca ampliar a infraestrutura para operações envolvendo dinheiro, ativos tokenizados e contratos inteligentes.

Privacidade ainda é um dos principais desafios

A tecnologia precisa superar obstáculos antes de uma eventual adoção em larga escala. Um dos principais é conciliar a capacidade de rastreabilidade e compartilhamento de informações da infraestrutura com as exigências brasileiras de privacidade e proteção de dados.

Na primeira fase do piloto, o Banco Central concluiu que as soluções de privacidade testadas ainda não apresentavam maturidade suficiente para atender integralmente aos requisitos jurídicos.

O relatório também apontou desafios relacionados à infraestrutura, segurança, regulamentação da tokenização e validade jurídica de contratos inteligentes.

Por isso, não é correto afirmar que o Drex já está pronto para transformar imediatamente a compra de imóveis no Brasil.

Quando o Drex estará disponível para a população?

Drex
Imagem: Edição Seu Crédito Digital

Até o momento, não existe uma data oficial para que o Drex seja disponibilizado amplamente ao público.

O Banco Central informa que os testes servem justamente para avaliar a tecnologia, a segurança, a privacidade e os diferentes modelos de negócio antes de uma eventual implementação. A segunda fase do piloto chegou ao fim, e o BC deverá utilizar os resultados para determinar os próximos passos do projeto.

Para o consumidor, a possível mudança mais importante não será necessariamente a criação de um novo aplicativo ou uma nova forma de pagar uma conta. O impacto poderá ocorrer nos bastidores, com a integração de dinheiro, ativos e contratos em operações que atualmente dependem de várias etapas.

Se os desafios tecnológicos, regulatórios e jurídicos forem solucionados, o Drex poderá representar uma nova camada da infraestrutura financeira brasileira, especialmente em operações de maior complexidade, como imóveis, crédito, investimentos e garantias.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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