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Drex: Campos neto revela segredos da nova moeda digital do Brasil; o que muda para você?

O projeto Drex, a moeda digital de atacado desenvolvida pelo Banco Central do Brasil, passa por uma das maiores reestruturações desde sua concepção. Após a fase de testes, a autoridade monetária decidiu abandonar o uso do Hyperledger Besu e adotar uma nova arquitetura focada na camada base do protocolo, com o objetivo de solucionar questões […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
Drex

O projeto Drex, a moeda digital de atacado desenvolvida pelo Banco Central do Brasil, passa por uma das maiores reestruturações desde sua concepção. Após a fase de testes, a autoridade monetária decidiu abandonar o uso do Hyperledger Besu e adotar uma nova arquitetura focada na camada base do protocolo, com o objetivo de solucionar questões de privacidade, escalabilidade e permissionamento. A mudança foi detalhada pelo ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em entrevista ao podcast Perspectivas, marcando uma nova etapa de amadurecimento tecnológico e estratégico do projeto.

A seguir, o Seu Crédito Digital apresenta uma análise completa sobre a reconfiguração do Drex, as razões por trás da mudança, as implicações para o sistema financeiro e o impacto esperado na economia digital brasileira.

Leia mais:

Banco Central dá adeus ao Drex, a moeda digital brasileira

Por que o Banco Central está mudando a arquitetura do Drex

Limitações do modelo anterior com Hyperledger Besu

Durante os testes conduzidos ainda na gestão de Campos Neto, o Drex utilizava o Hyperledger Besu como base estrutural. Apesar dos avanços obtidos, o modelo mostrou-se insuficiente para atender simultaneamente a três requisitos essenciais para uma CBDC de atacado:

Privacidade dos dados

O modelo anterior não conseguia garantir isolamento adequado das informações transacionais sem comprometer a auditabilidade necessária para instituições financeiras e reguladores.

Escalabilidade para grandes operações

Transações de grande volume, como liquidações corporativas e tokenização de garantias, poderiam enfrentar gargalos.

Programabilidade sem riscos

Contratos inteligentes mais complexos elevavam o risco operacional e expandiam o consumo de recursos da rede.

Campos Neto reconheceu que a combinação desses fatores inviabilizou a continuidade do Drex nos moldes iniciais, exigindo uma reestruturação profunda para que os objetivos originais do BC fossem preservados.

A nova arquitetura baseada na “chain base”

O que muda com a abordagem na camada base

A reformulação tecnológica desloca parte das funções que antes eram executadas por contratos inteligentes para a camada fundamental da rede. Isso cria um sistema digital mais próximo de uma infraestrutura modular de registros do que de uma blockchain tradicional.

Privacidade embutida na infraestrutura

A nova arquitetura permitirá:

  • transações privadas,
  • segregação nativa de dados,
  • criptografia avançada, incluindo ZK-Proof (provas de conhecimento zero).

Isso reduz a necessidade de criar camadas adicionais de proteção nos contratos inteligentes, simplificando a estrutura de desenvolvimento.

Escalabilidade aprimorada

A solução busca otimizar a velocidade e o processamento de transações, atendendo demandas de operações de alto valor e grande volume, algo essencial para aplicações como liquidação de empréstimos, tokenização de imóveis e transferências entre grandes instituições.

Governança e permissionamento integrados

Um dos desafios do Drex é garantir que apenas instituições financeiras autorizadas operem a rede. Ao integrar essas regras à camada base, o Banco Central reduz riscos e amplia o controle sobre permissões.

Campos Neto destacou que o novo modelo se assemelha às soluções adotadas pelos bancos centrais de Singapura e Hong Kong, que também privilegiaram arquiteturas com privacidade e permissionamento intrínsecos.

O Drex não é um “real digital”: qual é seu papel no sistema financeiro

Uma CBDC voltada ao atacado, e não ao varejo

Ao contrário do que muitos imaginam, o Drex não será um dinheiro digital usado no cotidiano para compras comuns, como alimentos ou serviços. Ele é uma moeda digital de atacado, com funções voltadas para transações de grande porte e operações entre instituições.

Tokenização de depósitos bancários

Em vez de emitir um novo tipo de dinheiro diretamente ao público, o Drex tokeniza depósitos existentes mantidos pelos bancos. Isso preserva:

  • o multiplicador bancário,
  • a capacidade de concessão de crédito,
  • a intermediação financeira tradicional.

Essa característica é considerada essencial pelo Banco Central para evitar impactos negativos na economia.

Por que o Drex evita a desintermediação bancária

Campos Neto alertou que a migração de recursos para carteiras digitais ou stablecoins pode reduzir a oferta monetária utilizada pelos bancos para conceder crédito. Essa perda afetaria diretamente:

  • crescimento econômico,
  • operações de financiamento,
  • estabilidade monetária,
  • capacidade de o Banco Central calibrar ciclos econômicos.

O Drex foi projetado justamente para impedir esse cenário. Como todo o lastro permanece no sistema bancário, a economia mantém estabilidade e previsibilidade.

Casos de uso práticos do Drex no mercado brasileiro

Tokenização como eixo central da digitalização financeira

A principal promessa do Drex é tornar processos burocráticos mais eficientes, seguros e baratos, criando transações imutáveis e liquidadas automaticamente na rede.

Veículos, imóveis e garantias digitais

Um exemplo dado por Campos Neto é a compra e venda de um carro: com um token que representa o veículo e outro representando o pagamento, a transação pode ocorrer sem intermediários, cartórios ou risco de fraude.

Outros setores devem ser beneficiados:

  • registro de imóveis,
  • crédito com garantias reais,
  • operações do Minha Casa, Minha Vida,
  • títulos judiciais,
  • ativos financeiros tokenizados (RWA).

Integração com Pix e Open Finance

A fase atual do Drex busca sinergia com ferramentas já consolidadas:

  • Pix, para liquidação instantânea;
  • Open Finance, para compartilhamento de dados;
  • sistemas de autorregulação bancária.

Segundo Campos Neto, o Brasil está muito próximo de criar uma “tríplice revolução digital”: tokenização + Open Finance + inteligência artificial.

O impacto da revisão tecnológica na agenda financeira do país

O Brasil segue na liderança da inovação

A reestruturação não representa um retrocesso, mas uma correção estratégica. O BC busca garantir que o Drex seja funcional, seguro e compatível com o ambiente regulatório.

Um modelo mais maduro e alinhado à realidade do mercado

Com uma arquitetura mais robusta, o Drex:

  • aumenta previsibilidade,
  • reduz riscos operacionais,
  • atrai instituições privadas,
  • facilita integrações futuras.

A visão de futuro para o ecossistema financeiro

Campos Neto reforçou que o Drex deve impulsionar:

  • eficiência nas transações,
  • redução de custos,
  • modernização dos sistemas internos dos bancos,
  • avanço no crédito digital.

Esse alinhamento tecnológico prepara o país para uma economia cada vez mais orientada a dados e ativos tokenizados.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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