O Drex, nome escolhido para o real digital, entrou em uma nova etapa decisiva em 2025. Durante evento realizado pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), o Banco Central do Brasil (BC) detalhou a terceira fase do projeto, marcada por uma mudança significativa: o abandono da blockchain como tecnologia de base.
Terceira fase do Drex: como o BC quer levar o real digital a outro nível
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A decisão, explicada por Fábio Araújo, diretor do BC e responsável pelo Drex, coloca a tokenização de ativos no centro da estratégia, mas sem recorrer à tecnologia de registro distribuído (DLT). O objetivo é equilibrar inovação com conformidade legal, especialmente em relação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e ao sigilo bancário.
Essa reformulação gera debates intensos no setor financeiro e tecnológico. Afinal, o Brasil busca criar uma moeda digital soberana que seja ao mesmo tempo segura, eficiente e adaptada ao contexto regulatório nacional.
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Nova abordagem do Drex

Por que abandonar a blockchain?
A blockchain, base de criptomoedas como o Bitcoin, é reconhecida por sua transparência e descentralização. Contudo, justamente essas características se tornaram obstáculos para o Drex.
- Excesso de transparência: as transações registradas em rede distribuída poderiam comprometer a privacidade dos usuários.
- Custos operacionais: manter uma infraestrutura descentralizada exige recursos elevados.
- Conformidade regulatória: a LGPD e a legislação brasileira de sigilo bancário exigem maior controle sobre dados.
Segundo Araújo, a blockchain funcionava como uma “caixa de vidro”, onde tudo é visível, mas o Drex precisa ser mais reservado.
Tokenização fora da DLT
A alternativa escolhida é a tokenização sem blockchain, que mantém vantagens como segurança e agilidade, mas com maior controle centralizado.
- Privacidade garantida: o sistema assegura que dados pessoais não sejam expostos.
- Eficiência tecnológica: menos complexidade operacional em comparação à blockchain.
- Compatibilidade regulatória: o modelo atende às exigências da legislação nacional.
Essa escolha coloca o Brasil em sintonia com outros bancos centrais, como o da China e o do Euro, que também estudam soluções híbridas ou alternativas à blockchain.
Terceira fase do Drex
Objetivos e prazos
A fase atual, iniciada em 2025, tem foco em testes práticos e no desenvolvimento da nova arquitetura tecnológica.
- Pilotos com bancos e fintechs: instituições financeiras participam dos testes.
- Integração com o Pix: o Drex será complementar ao sistema de pagamentos instantâneos.
- Aplicações ampliadas: tokenização de contratos, títulos e ativos do agronegócio e do setor imobiliário.
- Lançamento previsto: a versão inicial deve chegar até o fim de 2026.
Drex e o Pix: uma dupla estratégica
Enquanto o Pix revolucionou pagamentos rápidos no dia a dia, o Drex pretende ir além, oferecendo:
- Digitalização de ativos financeiros.
- Possibilidade de contratos inteligentes regulados.
- Maior inclusão digital no mercado financeiro.
Impactos no mercado financeiro
Novas oportunidades
A mudança no Drex abre espaço para inovações em diferentes áreas:
- Agronegócio: tokenização de títulos rurais, acelerando negociações.
- Imobiliário: digitalização de escrituras e contratos.
- Fintechs: redução de custos e mais facilidade para integração tecnológica.
- Investimentos: atração de capital estrangeiro em ativos digitais regulados.
Competitividade internacional
O Brasil se posiciona como protagonista regional na corrida das moedas digitais. A adoção de uma arquitetura própria pode colocar o país ao lado de líderes globais, como Suécia, China e União Europeia.
Desafios e próximos passos
Apesar do avanço, o projeto enfrenta desafios relevantes.
Escalabilidade
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+311 mil seguidores
O Drex precisa lidar com o volume de transações de mais de 200 milhões de brasileiros, mantendo estabilidade e velocidade.
Interoperabilidade internacional
Para funcionar em operações globais, será necessário alinhar padrões com outros bancos centrais e instituições internacionais.
Educação financeira
O BC pretende realizar campanhas para esclarecer o funcionamento do Drex, combatendo desinformação e desconfiança popular.
Comunicação com o mercado
Especialistas apontam que a transparência sobre a nova arquitetura tecnológica será fundamental para conquistar credibilidade junto a investidores e consumidores.
Futuro do real digital

O Drex é visto como um marco na modernização do sistema financeiro brasileiro. Ao abrir mão da blockchain, o Banco Central demonstra prioridade em segurança regulatória e privacidade, sem deixar de lado a inovação. Se bem-sucedido, o projeto pode:
- Transformar o Brasil em referência em tokenização de ativos.
- Aumentar a inclusão digital no sistema financeiro.
- Consolidar o país como líder em inovação financeira na América Latina.
Assim como o Pix mudou a forma como os brasileiros pagam contas e transferem dinheiro, o Drex tem potencial para revolucionar a forma como ativos financeiros são representados e negociados.
Conclusão
A terceira fase do Drex marca um divisor de águas para o projeto do real digital. A decisão de abandonar a blockchain gerou críticas, mas também reforçou a busca por uma solução mais adequada às particularidades brasileiras.
O Banco Central aposta em um modelo de tokenização inovador, que promete unir eficiência, privacidade e conformidade legal. Se os testes forem bem-sucedidos, o Drex pode se consolidar como uma das iniciativas mais relevantes da história recente do sistema financeiro nacional.
Imagem: Freepik e Canva
