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Terceira fase do Drex: como o BC quer levar o real digital a outro nível

Descubra como o Banco Central reformula o Drex na terceira fase. Entenda impactos, benefícios e próximos passos. Leia agora!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
DREX

O Drex, nome escolhido para o real digital, entrou em uma nova etapa decisiva em 2025. Durante evento realizado pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), o Banco Central do Brasil (BC) detalhou a terceira fase do projeto, marcada por uma mudança significativa: o abandono da blockchain como tecnologia de base.

A decisão, explicada por Fábio Araújo, diretor do BC e responsável pelo Drex, coloca a tokenização de ativos no centro da estratégia, mas sem recorrer à tecnologia de registro distribuído (DLT). O objetivo é equilibrar inovação com conformidade legal, especialmente em relação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e ao sigilo bancário.

Essa reformulação gera debates intensos no setor financeiro e tecnológico. Afinal, o Brasil busca criar uma moeda digital soberana que seja ao mesmo tempo segura, eficiente e adaptada ao contexto regulatório nacional.

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Nova abordagem do Drex

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Imagem: Freepik e Canva / Edição: Seu Crédito Digital

Por que abandonar a blockchain?

A blockchain, base de criptomoedas como o Bitcoin, é reconhecida por sua transparência e descentralização. Contudo, justamente essas características se tornaram obstáculos para o Drex.

  • Excesso de transparência: as transações registradas em rede distribuída poderiam comprometer a privacidade dos usuários.
  • Custos operacionais: manter uma infraestrutura descentralizada exige recursos elevados.
  • Conformidade regulatória: a LGPD e a legislação brasileira de sigilo bancário exigem maior controle sobre dados.

Segundo Araújo, a blockchain funcionava como uma “caixa de vidro”, onde tudo é visível, mas o Drex precisa ser mais reservado.

Tokenização fora da DLT

A alternativa escolhida é a tokenização sem blockchain, que mantém vantagens como segurança e agilidade, mas com maior controle centralizado.

  • Privacidade garantida: o sistema assegura que dados pessoais não sejam expostos.
  • Eficiência tecnológica: menos complexidade operacional em comparação à blockchain.
  • Compatibilidade regulatória: o modelo atende às exigências da legislação nacional.

Essa escolha coloca o Brasil em sintonia com outros bancos centrais, como o da China e o do Euro, que também estudam soluções híbridas ou alternativas à blockchain.

Terceira fase do Drex

Objetivos e prazos

A fase atual, iniciada em 2025, tem foco em testes práticos e no desenvolvimento da nova arquitetura tecnológica.

  • Pilotos com bancos e fintechs: instituições financeiras participam dos testes.
  • Integração com o Pix: o Drex será complementar ao sistema de pagamentos instantâneos.
  • Aplicações ampliadas: tokenização de contratos, títulos e ativos do agronegócio e do setor imobiliário.
  • Lançamento previsto: a versão inicial deve chegar até o fim de 2026.

Drex e o Pix: uma dupla estratégica

Enquanto o Pix revolucionou pagamentos rápidos no dia a dia, o Drex pretende ir além, oferecendo:

  • Digitalização de ativos financeiros.
  • Possibilidade de contratos inteligentes regulados.
  • Maior inclusão digital no mercado financeiro.

Impactos no mercado financeiro

Novas oportunidades

A mudança no Drex abre espaço para inovações em diferentes áreas:

  • Agronegócio: tokenização de títulos rurais, acelerando negociações.
  • Imobiliário: digitalização de escrituras e contratos.
  • Fintechs: redução de custos e mais facilidade para integração tecnológica.
  • Investimentos: atração de capital estrangeiro em ativos digitais regulados.

Competitividade internacional

O Brasil se posiciona como protagonista regional na corrida das moedas digitais. A adoção de uma arquitetura própria pode colocar o país ao lado de líderes globais, como Suécia, China e União Europeia.

Desafios e próximos passos

Apesar do avanço, o projeto enfrenta desafios relevantes.

Escalabilidade

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O Drex precisa lidar com o volume de transações de mais de 200 milhões de brasileiros, mantendo estabilidade e velocidade.

Interoperabilidade internacional

Para funcionar em operações globais, será necessário alinhar padrões com outros bancos centrais e instituições internacionais.

Educação financeira

O BC pretende realizar campanhas para esclarecer o funcionamento do Drex, combatendo desinformação e desconfiança popular.

Comunicação com o mercado

Especialistas apontam que a transparência sobre a nova arquitetura tecnológica será fundamental para conquistar credibilidade junto a investidores e consumidores.

Futuro do real digital

Drex
Imagem: rafapress / shutterstock.com

O Drex é visto como um marco na modernização do sistema financeiro brasileiro. Ao abrir mão da blockchain, o Banco Central demonstra prioridade em segurança regulatória e privacidade, sem deixar de lado a inovação. Se bem-sucedido, o projeto pode:

  • Transformar o Brasil em referência em tokenização de ativos.
  • Aumentar a inclusão digital no sistema financeiro.
  • Consolidar o país como líder em inovação financeira na América Latina.

Assim como o Pix mudou a forma como os brasileiros pagam contas e transferem dinheiro, o Drex tem potencial para revolucionar a forma como ativos financeiros são representados e negociados.

Conclusão

A terceira fase do Drex marca um divisor de águas para o projeto do real digital. A decisão de abandonar a blockchain gerou críticas, mas também reforçou a busca por uma solução mais adequada às particularidades brasileiras.

O Banco Central aposta em um modelo de tokenização inovador, que promete unir eficiência, privacidade e conformidade legal. Se os testes forem bem-sucedidos, o Drex pode se consolidar como uma das iniciativas mais relevantes da história recente do sistema financeiro nacional.

Imagem: Freepik e Canva

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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