Com a chegada de dezembro e o pagamento do 13º salário, muitos brasileiros se preparam para usar esse benefício extra de forma estratégica. No entanto, uma pesquisa realizada pelo Serasa, publicada recentemente, revelou que a maior parte dos trabalhadores destina o 13º salário para quitar dívidas.
13º salário de brasileiros tem como único destino em pagar contas!
Segundo o Serasa, o principal destino do 13º salário de 2024 será o pagamento de dívidas. Entenda como o endividamento afeta as finanças.
O levantamento traz à tona a difícil realidade financeira de milhões de pessoas e destaca as consequências desse comportamento para a economia e as finanças pessoais.
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O que diz a pesquisa do Serasa?
A pesquisa do Serasa, realizada com mais de 4.000 brasileiros, mostra que a maior parte dos trabalhadores brasileiros (aproximadamente 40%) utilizará o 13º salário para pagar dívidas. Esse número reflete o elevado nível de endividamento no país, que afeta diversas classes sociais, especialmente as de menor renda.
Além disso, a pesquisa revela que uma parcela significativa das pessoas (cerca de 20%) pretende utilizar o 13º salário para o pagamento de contas atrasadas, enquanto 15% pretendem usar o valor para quitar parcelamentos feitos durante o ano. Com isso, restam poucas pessoas que planejam utilizar o dinheiro para despesas não relacionadas ao pagamento de dívidas, como lazer, compras ou investimentos.
O impacto do endividamento no Brasil
O elevado número de brasileiros endividados não é novidade. De acordo com o Serasa, o número de inadimplentes no Brasil chegou a mais de 65 milhões de pessoas em 2024, um aumento significativo em comparação aos anos anteriores. A principal razão para esse cenário é a combinação de altas taxas de juros, inflação elevada e a desaceleração econômica que limita o poder de compra das famílias.
A crise econômica e o aumento da inadimplência
Com a inflação persistente, muitos brasileiros se viram obrigados a recorrer ao crédito para manter o padrão de vida ou até para cobrir gastos emergenciais. O aumento das taxas de juros, por sua vez, elevou o custo do crédito, tornando mais difícil para as pessoas quitarem suas dívidas.
Em um cenário como esse, o 13º salário, que deveria ser uma oportunidade para melhorar a qualidade de vida ou fazer investimentos, acaba sendo utilizado como uma ferramenta para cobrir lacunas financeiras criadas pela falta de recursos durante o ano.
Como o pagamento de dívidas impacta o orçamento pessoal?
Embora utilizar o 13º salário para quitar dívidas pareça uma medida responsável, ela também reflete a falta de planejamento financeiro de muitos brasileiros ao longo do ano. Isso porque, em um contexto onde o pagamento de dívidas ocupa a maior parte do rendimento extra, o dinheiro não é utilizado para outras atividades que poderiam estimular a economia, como consumo ou investimentos.
A importância de sair do endividamento
Pagar dívidas é uma medida essencial para qualquer pessoa que deseje melhorar sua saúde financeira. No entanto, ao utilizar o 13º salário exclusivamente para esse fim, o brasileiro acaba adiando o momento de fazer investimentos que poderiam gerar retorno financeiro, como a aplicação em poupança, ações ou até mesmo em educação.
Além disso, pagar dívidas com o 13º salário sem um planejamento adequado pode gerar um ciclo de endividamento contínuo. Isso ocorre porque, em vez de tomar ações para aumentar a renda ou cortar gastos, a pessoa tende a continuar dependendo de crédito para suprir suas necessidades, o que perpetua a insustentabilidade financeira.
Alternativas para um uso mais inteligente do 13º salário

Embora pagar dívidas seja uma prioridade, existem formas de usar o 13º salário de maneira mais estratégica para melhorar a saúde financeira. Confira algumas dicas para aproveitar melhor o benefício:
1. Crie um fundo de emergência
A primeira dica é usar parte do 13º salário para criar ou reforçar o seu fundo de emergência. Esse fundo é essencial para cobrir imprevistos, como problemas de saúde ou perda de emprego, e pode evitar que você recorra a empréstimos em momentos de crise.
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2. Investimentos de baixo risco
Após quitar dívidas urgentes, invista uma parte do 13º salário em produtos de baixo risco, como a poupança ou CDBs de liquidez diária. Isso ajudará a gerar rendimentos extras e a proteger seu patrimônio contra a inflação.
3. Educação financeira
Usar o 13º salário para investir em cursos de educação financeira pode ser uma excelente forma de melhorar sua relação com o dinheiro e evitar que o endividamento se repita nos próximos anos. O conhecimento adquirido ajudará a planejar melhor o orçamento familiar e a criar um ciclo financeiro positivo.
4. Pagar as dívidas mais caras primeiro
Se o pagamento de dívidas for inevitável, priorize aquelas com as taxas de juros mais altas, como o crédito rotativo do cartão de crédito e os empréstimos pessoais. Com isso, você diminuirá a pressão financeira ao longo do ano.
O que podemos aprender com a pesquisa?
O levantamento do Serasa sobre o destino do 13º salário é um reflexo de um problema estrutural no Brasil: o endividamento da população. A pesquisa também reforça a necessidade urgente de estratégias de educação financeira que possam ajudar os brasileiros a utilizarem melhor seus recursos, evitando o ciclo de dívidas e contribuindo para uma recuperação econômica sustentável no futuro.
Ao tomar decisões financeiras mais conscientes, o brasileiro pode não apenas quitar suas dívidas, mas também melhorar sua qualidade de vida e construir um futuro financeiro mais seguro e estável.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
