O comércio varejista brasileiro registrou queda de 0,3% em julho, marcando o quarto mês consecutivo de retração, segundo dados divulgados pelo IBGE. O desempenho reforça a percepção de desaceleração da atividade econômica, especialmente em setores sensíveis à renda das famílias, como os supermercados.
Economia: previsão é de desaceleração moderada do varejo no 2º semestre
Vendas do varejo recuam pelo 4º mês seguido em julho, mas economistas projetam desaceleração moderada no 2º semestre.
Apesar da queda no índice restrito, o varejo ampliado — que inclui veículos, peças, materiais de construção e outros segmentos ligados ao crédito — apresentou crescimento de 1,3% em relação a junho. No entanto, quando comparado a julho de 2024, o setor registrou retração de 2,5%, evidenciando perda de fôlego em ritmo anual.
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Crédito caro pesa sobre consumo

De acordo com Rodolfo Margato, economista da XP, as atividades mais ligadas ao crédito seguem pressionadas pelo cenário de juros elevados e aumento do endividamento das famílias.
“Ao todo, prevemos um ligeiro crescimento nas vendas gerais no varejo ao longo do segundo semestre deste ano. A demanda doméstica continuará enfraquecendo, mas não prevemos uma reversão drástica”, avaliou Margato.
Ou seja, a expectativa é de uma desaceleração gradual, mas sem perspectiva de colapso nas vendas.
Desempenho por setor em julho
A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, destacou que os recuos mais significativos ocorreram em tecidos, vestuário e calçados (-2,9%) e em hipermercados (-0,3%).
Por outro lado, alguns setores tiveram leve recuperação:
- Material de construção: alta de 0,4%
- Veículos, motocicletas, partes e peças: crescimento de 1,8%
Para Moreno, apesar dos avanços pontuais, os resultados de julho não foram suficientes para inverter a tendência de queda.
“Foi um mês positivo para o varejo como um todo, mas insuficiente para reverter a trajetória negativa que vem se consolidando”, afirmou.
Sensibilidade à Selic
Os segmentos que dependem diretamente de financiamento, como veículos, móveis e eletrodomésticos, têm sido os mais impactados pela Selic em patamar elevado. Isso significa que, mesmo diante de um mercado de trabalho relativamente aquecido, o crédito mais caro restringe a capacidade de consumo das famílias.
Claudia Moreno avalia que esse cenário deve continuar pressionando o desempenho do setor até o fim do ano.
Perspectivas para o restante de 2025
As projeções para o varejo em 2025 ainda são divergentes entre especialistas, mas a maioria aposta em uma desaceleração moderada, sustentada por fatores como o mercado de trabalho aquecido e a massa salarial em níveis robustos.
- O C6 Bank projeta que o varejo ampliado encerre o ano com desempenho próximo de 0%, em contraste com a alta de 3,7% registrada em 2024.
- O Inter, por sua vez, aponta que a tendência de queda continuará nos próximos meses, puxada principalmente pela retração em supermercados.
Segundo André Valério, economista sênior do banco, o aperto monetário tende a manter a restrição do crédito, ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho deve perder força gradualmente.
Moderação no ritmo de expansão
Já para Igor Cadilhac, economista do PicPay, o cenário não é de pessimismo absoluto. Ele prevê uma moderação no crescimento, mas com suporte importante vindo da renda e do emprego.
“Apesar desse cenário mais desafiador, projetamos que a perda de dinamismo será relativamente moderada. Mantemos a projeção de crescimento de 2% para o setor em 2025”, destacou Cadilhac.
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Fatores que sustentam o consumo
Apesar da desaceleração, alguns elementos seguem dando fôlego ao varejo:
- Mercado de trabalho aquecido – a taxa de desemprego continua baixa, garantindo estabilidade de renda.
- Transferências fiscais – programas sociais e benefícios ajudam a sustentar o consumo, sobretudo em faixas de menor renda.
- Massa salarial robusta – a renda total das famílias ainda cresce acima da inflação, permitindo manutenção dos gastos essenciais.
Esses pontos são fundamentais para explicar por que, mesmo com juros altos, não se espera um colapso no varejo.
Consumo das famílias em foco
O desempenho do varejo é diretamente ligado ao consumo das famílias, que representa mais de 60% do PIB brasileiro. Por isso, as tendências do setor são vistas como um termômetro relevante para avaliar a saúde da economia.
Enquanto segmentos sensíveis ao crédito registram retração, os voltados à renda, como supermercados e farmácias, ainda conseguem sustentar parte da demanda.
O que esperar para 2026?

Economistas avaliam que, caso a trajetória de queda dos juros básicos se consolide a partir de 2026, o varejo pode recuperar parte do dinamismo perdido. A redução no custo do crédito abriria espaço para maior procura por bens duráveis, como carros e eletrodomésticos.
Até lá, no entanto, o setor deve seguir em compasso de cautela, equilibrando pressões de juros altos e inflação com os fatores positivos do mercado de trabalho.
Com informações de: InfoMoney
