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Energia mais barata deve gerar deflação em agosto, apontam analistas

Com bônus de Itaipu, contas de energia terão desconto em agosto, e mercado prevê deflação de 0,04%. Impacto será revertido em setembro.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
deflação

O mercado financeiro já começa a ajustar suas projeções para a inflação no segundo semestre de 2025. E a principal novidade no cenário é a expectativa de uma leve deflação no mês de agosto, provocada pelo desconto nas tarifas de energia elétrica. Analistas apontam que o movimento será resultado do bônus de R$ 883 milhões repassado pela Hidrelétrica de Itaipu e autorizado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Segundo dados do Boletim Focus, divulgado nesta semana pelo Banco Central, a nova previsão para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em agosto é de -0,04%. Caso a estimativa se confirme, será a primeira inflação negativa registrada desde agosto de 2024, quando o índice teve recuo de 0,02%.

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Entenda o impacto do bônus de Itaipu

Imagem: Pixabay

R$ 883 milhões serão repassados a consumidores

O chamado “bônus Itaipu” é resultado do excedente financeiro registrado pela usina em 2024, quando a diferença entre receitas e despesas somou quase R$ 1,6 bilhão. Deste montante, R$ 365 milhões foram usados para cobrir o déficit da Conta de Comercialização de Energia Elétrica de Itaipu, enquanto os R$ 883 milhões restantes serão distribuídos em forma de desconto na conta de luz.

O benefício será aplicado automaticamente nas tarifas de consumidores residenciais e rurais que, em pelo menos um mês de 2024, tenham registrado consumo inferior a 350 kWh. Ainda não se sabe ao certo quantos brasileiros serão contemplados nem qual será o valor médio do abatimento. A Aneel informou que a definição deve ocorrer até esta sexta-feira (25), prazo limite para que as distribuidoras ajustem suas tarifas com base na dedução.

Desconto representa justiça tarifária, diz ministro

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, celebrou a medida e classificou a Hidrelétrica de Itaipu como um “símbolo de soberania energética e integração regional”. Para ele, garantir que os resultados financeiros da operação retornem para a população é um gesto de compromisso com a justiça tarifária.

“O nosso sistema elétrico é um dos mais limpos e eficientes do mundo. Ver o excedente de Itaipu sendo revertido para beneficiar milhões de brasileiros reforça esse modelo e nos enche de orgulho”, afirmou Silveira em nota divulgada pela pasta.

Deflação em agosto e recuperação em setembro

Bônus energia
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Movimento será revertido com recomposição das tarifas

A deflação esperada em agosto será pontual. A partir de setembro, o índice de preços voltará a subir, refletindo a recomposição das tarifas de energia elétrica após o término do bônus. A projeção atual para o IPCA do mês seguinte é de alta de 0,55%, número 0,23 ponto percentual acima do estimado anteriormente.

Esse movimento, segundo os especialistas, é conhecido como “efeito neutro” sobre a inflação anual. Isso porque o alívio temporário nos preços da energia, provocado por uma medida extraordinária, é posteriormente anulado pela recuperação do valor original. Ou seja, o benefício não altera a tendência de médio prazo da inflação, mas provoca oscilações momentâneas.

“O desconto do bônus de Itaipu foi maior do que o projetado, implicando em maior queda da energia elétrica em agosto, com alta equivalente em setembro. Esse efeito tem impacto neutro para a projeção de inflação do ano”, explica Leonardo Costa, economista do ASA.

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Histórico do bônus de Itaipu

Distribuição de 2023 só foi feita em 2024

O bônus gerado pela Hidrelétrica de Itaipu já havia sido concedido anteriormente, mas em condições diferentes. Em 2023, por exemplo, a distribuição do excedente foi aprovada apenas em novembro, o que resultou no pagamento atrasado do benefício — realizado somente em janeiro de 2024. Na ocasião, cerca de 78 milhões de consumidores foram beneficiados com descontos que variaram entre R$ 16,66 e R$ 49.

Assim como neste ano, os critérios de elegibilidade foram baseados no consumo de energia elétrica, priorizando os clientes residenciais e rurais com menor consumo mensal. A medida é considerada uma forma de promover justiça social e reduzir a pressão inflacionária sobre a população mais vulnerável.

Expectativas para o IPCA em 2025

Apesar da deflação prevista para agosto, o mercado continua prevendo que a inflação ficará dentro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional para o ano. O acumulado de 2025 segue estimado em 3,9%, levemente abaixo do teto da meta de 4,5%. A atuação pontual de bônus e ajustes tarifários, como o de Itaipu, pode gerar oscilações mensais, mas não altera significativamente a trajetória anual da inflação.

Além da energia, os analistas seguem atentos à evolução dos preços dos alimentos, combustíveis e serviços. Em julho, por exemplo, o IPCA registrou alta de 0,21%, impulsionado por reajustes nos planos de saúde e combustíveis. Para os próximos meses, a expectativa é que os alimentos continuem exercendo pressão de baixa, enquanto os serviços tendem a subir com a retomada da atividade econômica.

Imagem: SergeiShimanovich / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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