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Pix completa 5 anos, elimina saques, formaliza negócios e dá acesso a quem estava fora do sistema

Em cinco anos, o Pix reduz saques, amplia bancarização e formaliza negócios, tornando-se peça central da economia digital brasileira.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Pix

O Pix, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2020, celebra cinco anos em 2025 como um dos maiores marcos da transformação financeira do país. Criado para facilitar transações e reduzir custos, o sistema não apenas substituiu o dinheiro físico, como também levou milhões de brasileiros e empresas ao sistema bancário formal, promovendo inclusão e digitalização econômica.

Segundo dados do Banco Central, apresentados nesta terça-feira (11) em uma transmissão online, o Pix atingiu números históricos. As 9,4 bilhões de transações realizadas em 2021 saltaram para 63 bilhões em 2024 — um crescimento de quase sete vezes em apenas três anos.

Em valores movimentados, o avanço foi igualmente impressionante: de R$ 5 trilhões para R$ 26 trilhões no mesmo período, o que representa mais do que o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro anual.

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O Pix e o fim do dinheiro físico

Saques em queda livre

Uma das transformações mais visíveis provocadas pelo Pix foi a queda acentuada dos saques em papel-moeda. O número de retiradas em caixas eletrônicos despencou mais de 30% desde o lançamento da ferramenta. No terceiro trimestre de 2020, o país registrava cerca de 1 bilhão de saques. Já em 2024, esse número havia caído para 660 milhões, mesmo com mais pessoas possuindo contas em bancos ou fintechs.

Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, afirmou que o principal item substituído pelo Pix foi justamente o dinheiro vivo. “O Pix trouxe muita gente nova para o sistema, pessoas que antes sacavam tudo no primeiro dia e viviam fora do circuito financeiro formal”, destacou.

Essa mudança de comportamento tem impactos diretos na economia: menos dinheiro em circulação física significa menor custo de logística bancária, menos risco de assaltos e maior rastreabilidade das operações — um passo importante no combate à informalidade e à sonegação fiscal.


O avanço da bancarização

Crescimento exponencial de usuários

A inclusão financeira é um dos pilares mais comemorados pelo Banco Central. Em 2018, antes do Pix, cerca de 77 milhões de pessoas eram consideradas “bancarizadas ativas” — ou seja, faziam movimentações ou tinham algum relacionamento recente com instituições financeiras. Em 2023, esse número dobrou, chegando a 152 milhões, e atualmente já ultrapassa os 170 milhões de brasileiros.

“Hoje, praticamente todo adulto no Brasil usa o Pix. Ele se tornou uma ferramenta de cidadania econômica”, afirmou Gomes. O dado simboliza um avanço inédito em termos de democratização do sistema financeiro, especialmente entre populações de baixa renda e trabalhadores informais, antes marginalizados pelos altos custos bancários e pela falta de acesso a crédito.

Empresas também aderiram

O fenômeno também se estendeu às empresas. O número de CNPJs que realizam operações financeiras cresceu de 2,2 milhões, em 2018, para 12 milhões em 2023. Esse salto reflete a adesão de micro e pequenos empreendedores que, com o Pix, encontraram uma maneira prática, segura e barata de receber pagamentos e gerir seus negócios.


Digitalização e formalização de negócios

Um novo impulso para o pequeno comércio

O impacto do Pix no ambiente empresarial é profundo. Pequenos comércios, autônomos e prestadores de serviço que antes dependiam exclusivamente de dinheiro vivo passaram a adotar a ferramenta como principal meio de pagamento. No primeiro ano de funcionamento, 90% das transações via Pix eram entre pessoas físicas. Atualmente, metade delas já ocorre entre consumidores e estabelecimentos comerciais.

“O Pix tem custo de transação muito baixo”, explicou o diretor do BC. Enquanto as taxas de cartão de débito giram em torno de 1%, e as de crédito podem chegar a 3%, o Pix para empresas costuma custar cerca de 0,3% por operação — e em muitos casos é totalmente gratuito para pequenos negócios.

Esse custo reduzido impulsiona a digitalização do varejo, permitindo que os empreendedores organizem suas finanças de forma mais transparente e eficiente. O uso do Pix facilita o controle de caixa, o registro de notas fiscais e o recolhimento de tributos, fortalecendo o processo de formalização econômica.


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Pix como ferramenta de cidadania econômica

Inclusão e segurança digital

Além da praticidade, o Pix também se consolidou como símbolo de inclusão social. Ele rompeu barreiras tecnológicas e financeiras, permitindo que pessoas sem cartão de crédito ou conta tradicional pudessem movimentar dinheiro apenas com o celular. O sistema, gratuito para pessoas físicas, ajudou a reduzir desigualdades no acesso a serviços bancários e fomentou o uso de tecnologias financeiras em regiões antes marginalizadas.

A segurança das transações também evoluiu ao longo dos anos. O Banco Central implementou mecanismos de proteção contra fraudes, limites de transferência e camadas de autenticação. Em paralelo, o desenvolvimento do “Pix Automático” e do “Pix Parcelado” promete ampliar ainda mais o alcance da ferramenta, tornando-a essencial tanto para o consumo quanto para o crédito digital.


Um futuro cada vez mais digital

Passados cinco anos, o Pix deixou de ser apenas uma inovação tecnológica para se tornar um pilar da economia brasileira. A ferramenta não apenas revolucionou os meios de pagamento, como também redefiniu a relação entre bancos, fintechs, empresas e consumidores.

Com o avanço da tecnologia e a crescente integração com outros serviços, como o Open Finance e o Drex (a moeda digital do Banco Central), o Pix tende a ocupar um espaço ainda mais estratégico no futuro do sistema financeiro nacional.

“O Pix é mais do que um meio de pagamento. Ele é uma infraestrutura de inclusão, competitividade e inovação”, concluiu Gomes.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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