Após meses de preços elevados, os consumidores brasileiros começam a perceber sinais discretos de alívio nas prateleiras dos supermercados. Um dos produtos que simboliza essa possível virada é o azeite de oliva extravirgem, que chegou a ser tratado como artigo de luxo durante o último ano.
Preço dos azeites, finalmente, começam a cair em supermercados do Brasil
Azeite tem redução de preço após meses de alta, mas consumidores ainda enfrentam valores elevados no mercado. Veja o que mudou!
Embora o valor ainda não esteja no patamar considerado ideal pela maioria dos consumidores, a queda de preços é apontada por redes varejistas como resultado de uma combinação de boa safra internacional, redução de impostos e mudanças na importação.
No entanto, apesar desse início de recuo, o sentimento dominante entre os consumidores é de que a comida continua cara — e apenas alguns itens específicos demonstram variações positivas nos preços. O cenário permanece desafiador, especialmente para famílias que enfrentam restrições no orçamento.
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Tendência de queda: azeite deixa de ser artigo de luxo?
Oferta maior nas prateleiras
O azeite, que nos últimos meses viu seus preços dispararem devido a safras ruins e inflação internacional, agora começa a aparecer com valores mais acessíveis nos supermercados. A vendedora Suzana Ferreira, de 43 anos, notou a diferença durante uma compra recente:
“O preço do azeite está bom, não barato. Está mais baixo do que antes, mas ainda não chegou ao ideal. Barato para mim é isso aqui, R$ 25,98, mas ainda é uma embalagem de 250ml. Tinha que ser esse preço na de 400ml ou 500ml.”
Esse relato reflete uma realidade que começa a se espalhar: os supermercados estão promovendo mais ofertas em azeite, tornando o produto mais presente no carrinho do consumidor.
Preços nas redes do Rio
Nos supermercados do Rio de Janeiro, foi possível observar que o azeite Gallo extravirgem (400ml) era vendido por R$ 29,98, enquanto o azeite Andorinha (500ml) aparecia por R$ 39,98. Já a rede de supermercados Mundial confirmou oficialmente a tendência de queda.
A empresa atribui a redução de preços a três fatores principais:
- Boa safra internacional, especialmente em países exportadores;
- Importação direta, que reduz intermediários;
- Redução da alíquota de importação, medida que facilita o acesso ao produto.
Reduções registradas
A título de exemplo, a rede divulgou reduções recentes em marcas populares:
- Azeite Andorinha (500ml): de R$ 47,90 para R$ 35,80;
- Azeite Gallo (500ml): de R$ 49,90 para R$ 42,90;
- Quinta do Arieiro: de R$ 42,50 para R$ 34,99.
Consumidores ainda estão cautelosos com os preços

Alívio pontual ou mudança real?
Apesar da queda no preço do azeite, a percepção de que o supermercado continua caro predomina. A aposentada Dirce Louzada, por exemplo, só levou o azeite para casa graças a uma promoção-relâmpago:
“O azeite baixou. Também percebo que o preço do arroz melhorou. Já comprei por R$ 7 e pouco, e hoje encontrei por R$ 5,50 a embalagem de 1kg.”
Esse tipo de promoção vem sendo essencial para atrair o consumidor, que ainda demonstra resistência em aceitar os preços atuais como justos.
Quando promoção não faz diferença
Nem todos estão convencidos de que os preços estão melhorando. O autônomo André Luiz, de 30 anos, afirma que a diferença nas promoções é pequena e insuficiente para aliviar o orçamento:
“O azeite ainda está caro, o café só aumenta, agora é ouro, e o ovo… Tem que melhorar muita coisa ainda, porque quando tem promoção, a diferença é pequena.”
Expectativa por café mais barato
A cuidadora de idosos Joelma Machado, de 55 anos, também não vê grandes avanços no preço dos alimentos essenciais:
“O mercado até faz algumas promoções, mas sem elas, não está barato. A gente só vai achar que está mais barato quando o preço do café e do azeite baixarem.”
O que explica a queda no preço do azeite?
Safra favorável na Europa
O azeite de oliva comercializado no Brasil é, em grande parte, importado de países como Portugal, Espanha e Grécia. Após uma temporada marcada por seca e colheitas abaixo da média, a última safra teve melhora, resultando em maior disponibilidade do produto para exportação.
Corte na alíquota de importação
Outro fator relevante foi a decisão do governo federal de reduzir a alíquota de importação de azeites extravirgens. A medida busca conter a inflação dos alimentos e garantir que o consumidor final tenha acesso a produtos de qualidade por um preço mais competitivo.
Estratégia das redes varejistas
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Alguns supermercados estão adotando importação direta como estratégia de contenção de custos. Essa iniciativa elimina intermediários e permite a comercialização do azeite por um valor mais atraente ao consumidor final.
Outros alimentos também começaram a baixar?
Arroz
De acordo com relatos de consumidores como Dirce Louzada, o arroz apresentou redução recente, com o quilo sendo encontrado por R$ 5,50, abaixo da média registrada em meses anteriores.
Ovos e café continuam caros
O caso dos ovos e do café, porém, continua sendo motivo de insatisfação. O café, em particular, tem enfrentado aumento constante, tornando-se um dos itens mais mencionados nas reclamações dos consumidores, ao lado de carnes e laticínios.
Como os consumidores estão lidando com o cenário?
Promoções são decisivas
A presença de promoções no mercado segue sendo o principal motivador de compra. Produtos como azeite, arroz e óleo só entram no carrinho quando estão com etiqueta vermelha, segundo os relatos de consumidores entrevistados.
Reeducação alimentar forçada
Em muitos lares, o cardápio teve que mudar. Famílias estão substituindo itens mais caros por alternativas mais acessíveis, reduzindo a frequência de consumo de produtos como carne vermelha, azeite e queijos.
Impactos sociais e econômicos

Inflação dos alimentos
Apesar das pequenas reduções em itens específicos, a inflação dos alimentos ainda pressiona o orçamento das famílias brasileiras, principalmente aquelas de menor renda. Segundo dados recentes do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), alimentos e bebidas seguem como um dos grupos com maior impacto na inflação acumulada.
Alimentação e insegurança alimentar
Com os preços elevados, cresce também o número de brasileiros em situação de insegurança alimentar. O acesso regular a alimentos nutritivos tem sido comprometido, o que reforça a necessidade de políticas públicas de amparo à população mais vulnerável.
Imagem: ededchechine / Freepik
