O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou na quinta-feira (21), em sua conta na rede social X (antigo Twitter), uma nota de repúdio contra o relatório da Polícia Federal (PF) que o indiciou por suposta coação no curso do processo que apura uma tentativa de golpe de Estado no Brasil. O parlamentar, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que suas ações nos Estados Unidos tinham como objetivo defender as “liberdades individuais” e não interferir em assuntos internos brasileiros.
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Eduardo Bolsonaro nega interferência em instituições do Brasil e rebate indiciamento da PF por coação em investigação sobre golpe.
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O conteúdo da nota publicada por Eduardo Bolsonaro
Em sua manifestação pública, Eduardo classificou o relatório como “assombroso” e questionou a ausência de nomes de autoridades estrangeiras como coautores, mesmo sendo citados como possíveis influenciadores ou participantes indiretos de um suposto plano de interferência internacional.
“Se o problema é influenciar decisões, por que a PF não inclui o Trump, o Marco Rubio e o Scott Bessent? Omissão? Covardia?”, questionou o deputado.
A acusação da Polícia Federal
O indiciamento por coação no curso do processo
A PF anunciou o indiciamento de Eduardo Bolsonaro e do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de coação no curso do processo da Ação Penal 2.668, que investiga uma suposta trama para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com o relatório final do inquérito, Eduardo teria articulado nos Estados Unidos estratégias para pressionar instituições democráticas brasileiras, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional.
O relatório, com 170 páginas, também menciona o envolvimento do pastor Silas Malafaia e do jornalista Paulo Figueiredo como apoiadores do suposto plano.
A atuação nos Estados Unidos
Segundo as investigações, Eduardo Bolsonaro teria buscado apoio de lideranças políticas americanas, como o ex-presidente Donald Trump, o senador Marco Rubio e o ex-secretário do Tesouro Scott Bessent. A intenção seria obter respaldo internacional para pressionar o governo e o Judiciário brasileiros por meio de sanções e discursos públicos.
A Polícia Federal considera que esses atos tiveram como objetivo manipular decisões políticas e jurídicas no Brasil, especialmente no contexto do julgamento da Ação Penal 2.668.
Defesa de Eduardo: “Liberdade protegida pela 1ª Emenda”
Eduardo Bolsonaro alegou que, por estar em solo americano durante suas manifestações, estaria protegido pela 1ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante o direito à liberdade de expressão e o direito de petição ao governo.
Rejeição à acusação de interferência
Na nota, o deputado enfatiza que sua presença e ações nos EUA estavam focadas na promoção de valores conservadores e da liberdade, em especial por meio da defesa de um projeto de anistia em tramitação no Congresso Nacional. Ele negou qualquer intenção de manipular o cenário político brasileiro de forma ilícita.
“Se meu ‘crime’ é lutar contra a ditadura brasileira, declaro-me culpado de antemão”, escreveu.
Vazamento de mensagens privadas com Jair Bolsonaro

Outro ponto criticado por Eduardo foi a inclusão, no relatório da PF, de mensagens privadas trocadas entre ele, seu pai Jair Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia. As conversas foram consideradas pelo deputado como “absolutamente normais” e, segundo ele, a divulgação teve como único objetivo “causar danos políticos”.
Ofensas e pedido de asilo revelados
O relatório revelou trechos embaraçosos das conversas privadas, incluindo uma mensagem em que Eduardo xinga o próprio pai. Também foi exposta uma minuta de um pedido de asilo ao presidente da Argentina, Javier Milei, sugerindo que Jair Bolsonaro teria cogitado essa alternativa em meio à pressão judicial no Brasil.
Tentativa de coagir instituições democráticas
A PF afirma que o grupo investigado, liderado por Eduardo Bolsonaro, tentou coagir autoridades do STF, além de presidentes da Câmara e do Senado. As ações teriam visado pressionar os parlamentares a aprovar projetos de anistia e até mesmo abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo.
Pressões e ameaças
O relatório detalha que o grupo cogitou medidas como impor sanções aos líderes do Legislativo brasileiro, numa tentativa de interferência direta no funcionamento das instituições. Tais ações, segundo a PF, configuram grave ameaça ao Estado Democrático de Direito.
Próximos passos do processo
Envio à PGR
Após o relatório da PF, o caso foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, relator da Ação Penal 2.668. O documento também já está sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá seguir três caminhos:
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- Oferecer denúncia contra Eduardo e os demais envolvidos;
- Solicitar novas diligências;
- Arquivar o caso, total ou parcialmente.
A decisão caberá ao procurador-geral Paulo Gonet.
Prazo para manifestação de Jair Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes também estabeleceu prazo de 48 horas para que Jair Bolsonaro apresente esclarecimentos sobre o descumprimento de medidas cautelares anteriormente impostas pela Corte, como uso de tornozeleira eletrônica, entrega de passaporte e proibição de contato com outros investigados.
Contexto da investigação
Origem do inquérito
A investigação sobre Eduardo Bolsonaro foi aberta em maio de 2025, por ordem do ministro Moraes, após indícios de articulação política internacional com o objetivo de interferir no processo democrático brasileiro. A apuração se deu no âmbito da Ação Penal 2.668, que trata da tentativa de golpe envolvendo militares, parlamentares e civis ligados ao governo anterior.
Alvos das investigações
Além de Eduardo e Jair Bolsonaro, outros nomes como o pastor Silas Malafaia e o jornalista Paulo Figueiredo são citados como peças-chave no suposto plano. Todos teriam agido de maneira coordenada para disseminar narrativas de deslegitimação das instituições brasileiras e pressionar pela aprovação de pautas de seu interesse no Congresso.
Repercussão política e social
Reações nas redes sociais
A nota publicada por Eduardo gerou grande repercussão nas redes sociais. Seus apoiadores defenderam a liberdade de expressão e classificaram o indiciamento como perseguição política. Já opositores apontaram que a estratégia de vitimização não exclui a gravidade das ações atribuídas ao parlamentar.
Impacto no Congresso

O indiciamento de Eduardo Bolsonaro reacende o debate sobre os limites da atuação parlamentar no exterior e o uso de mandatos eletivos para influenciar decisões institucionais em benefício próprio. Parlamentares de diferentes partidos cobram que o caso seja tratado com a devida seriedade pelo Congresso.
Imagem: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
