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O que o excesso de energético pode causar no seu corpo

O consumo excessivo de energético pode causar sérios danos à saúde, incluindo arritmia, ansiedade, insônia e risco de infarto.

Julia FernandesPor Julia Fernandes6 min de leitura
O que o excesso de energético pode causar no seu corpo

Nos últimos anos, o consumo de bebidas energéticas cresceu exponencialmente entre jovens e adultos no Brasil e no mundo. Vendidos como uma solução para a fadiga, baixa produtividade ou preparo para atividades físicas intensas, os energéticos passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas. No entanto, o uso indiscriminado desses produtos tem despertado preocupações entre médicos e especialistas da área de saúde.

Estudos recentes mostram que o excesso de energético pode causar sérios danos ao organismo, principalmente quando combinado com álcool ou consumo contínuo em altas doses. Problemas cardíacos, distúrbios do sono, ansiedade e dependência estão entre os efeitos mais preocupantes do uso exagerado dessas bebidas.

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O que são os energéticos?

Composição e promessas

As bebidas energéticas são compostas, em sua maioria, por cafeína, taurina, glucuronolactona, vitaminas do complexo B, carboidratos e outros estimulantes. Sua proposta é aumentar o estado de alerta, melhorar a performance física e mental e combater o cansaço. As marcas prometem mais energia e concentração, mas nem sempre alertam sobre os riscos do consumo exagerado.

A cafeína, por exemplo, é o principal estimulante presente nessas bebidas, com doses que podem ultrapassar as encontradas em cafés ou refrigerantes comuns. Uma lata de energético pode conter entre 80 mg e 300 mg de cafeína, o que já se aproxima — ou ultrapassa — a dose diária recomendada para adultos.

Os principais riscos do consumo excessivo

Sobrecarga cardiovascular

O coração é um dos órgãos mais afetados pelo excesso de energético. A ingestão exagerada de cafeína pode provocar taquicardia, aumento da pressão arterial e arritmias. Em pessoas com predisposição genética ou doenças cardíacas silenciosas, o consumo elevado dessas bebidas pode desencadear eventos graves, como infarto ou parada cardíaca súbita.

Cardiologistas alertam que o uso combinado com exercícios físicos intensos aumenta ainda mais o risco, pois a estimulação cardíaca e a vasoconstrição se somam ao esforço do corpo durante a prática esportiva.

Insônia e distúrbios do sono

A cafeína presente nos energéticos interfere diretamente na qualidade do sono. Mesmo em pessoas acostumadas ao consumo regular, os efeitos estimulantes podem durar de seis a oito horas, afetando o ciclo do sono REM e provocando insônia, despertares noturnos ou sono superficial.

A privação de sono, por sua vez, compromete a saúde mental, reduz a concentração, afeta o humor e reduz a capacidade de resposta do sistema imunológico. O uso crônico de energéticos como substituto de uma noite bem dormida é especialmente perigoso.

Problemas neurológicos e ansiedade

Além dos efeitos físicos, o consumo excessivo de energético pode gerar impactos no sistema nervoso central. Casos de crises de ansiedade, irritabilidade, tremores, confusão mental e até convulsões têm sido relatados em estudos e em prontos-socorros de todo o país.

Indivíduos com histórico de transtornos psiquiátricos, como depressão, bipolaridade ou transtornos de ansiedade, são ainda mais sensíveis aos efeitos estimulantes, e devem evitar totalmente essas bebidas ou consumi-las com orientação médica.

Efeitos colaterais a médio e longo prazo

Danos ao fígado e rins

Embora menos conhecidos, os impactos dos energéticos sobre o fígado e os rins também preocupam os especialistas. A presença de compostos artificiais, corantes, conservantes e excesso de cafeína pode sobrecarregar o fígado, principalmente quando associado a álcool ou uso contínuo.

Nos rins, o consumo de grandes volumes de bebidas energéticas pode causar desequilíbrio eletrolítico, desidratação e aumento do risco de cálculos renais.

Risco de dependência e tolerância

Com o uso frequente, o corpo desenvolve tolerância aos efeitos da cafeína, exigindo doses cada vez maiores para alcançar os mesmos resultados. Isso aumenta o risco de dependência, levando o indivíduo a consumir energéticos diariamente e, em muitos casos, em mais de uma dose por dia.

O quadro pode evoluir para abstinência quando a bebida é retirada de forma abrupta, com sintomas como dor de cabeça, irritação, cansaço excessivo e sonolência.

Efeitos metabólicos e ganho de peso

Muitos energéticos possuem alto teor de açúcar, o que contribui para o aumento calórico diário, favorecendo o ganho de peso e, em casos extremos, a resistência à insulina. Mesmo as versões “zero açúcar” contêm adoçantes artificiais que podem prejudicar a microbiota intestinal e gerar outros tipos de desequilíbrios metabólicos.

O perigo da combinação com álcool

Energético
Imagem: Freepik

Falsa sensação de sobriedade

Uma das combinações mais perigosas é o energético com bebida alcoólica. A mistura mascara os efeitos do álcool, fazendo o consumidor se sentir mais alerta do que realmente está. Isso aumenta os riscos de acidentes, comportamentos impulsivos e ingestão exagerada de álcool.

Essa combinação é comum em festas, bares e eventos, principalmente entre jovens, e já foi associada a casos de intoxicação, coma alcoólico e morte súbita.

Complicações hepáticas e cardíacas

Além do efeito mascarador, o álcool potencializa os danos ao fígado, enquanto o energético acelera o metabolismo e a atividade cardíaca. Juntos, esses fatores criam um coquetel perigoso para o organismo, especialmente para pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares.

Grupos de risco e restrições

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Adolescentes e crianças

O consumo de energéticos por adolescentes e, em alguns casos, por crianças, tem aumentado significativamente, o que preocupa entidades de saúde. O desenvolvimento cerebral, hormonal e cardiovascular ainda está em fase de maturação nessas faixas etárias, tornando os efeitos da cafeína ainda mais imprevisíveis.

A recomendação de órgãos como a Anvisa e a OMS é clara: crianças e adolescentes não devem consumir bebidas energéticas.

Gestantes e lactantes

Durante a gestação e lactação, o consumo de cafeína deve ser restrito. A presença de estimulantes pode afetar o desenvolvimento fetal e passar para o leite materno, causando irritabilidade, insônia e até problemas de crescimento nos bebês.

Mulheres grávidas devem conversar com seus médicos antes de consumir qualquer bebida energética.

Alternativas seguras para aumentar a energia

Alimentação equilibrada

Manter uma dieta rica em frutas, vegetais, proteínas magras e carboidratos complexos é a melhor forma de garantir níveis estáveis de energia ao longo do dia. Alimentos como banana, aveia, castanhas e ovos oferecem energia duradoura sem os picos e quedas bruscas que os energéticos provocam.

Sono de qualidade

Nada substitui uma boa noite de sono. Estabelecer uma rotina de descanso, evitar telas antes de dormir e respeitar o relógio biológico são atitudes fundamentais para manter o corpo e a mente ativos naturalmente.

Atividade física regular

A prática de exercícios libera endorfinas e melhora a disposição. Mesmo uma caminhada leve já é capaz de aumentar a energia e reduzir o cansaço, sem os efeitos colaterais provocados por estimulantes artificiais.

Conclusão

O consumo ocasional de energético, dentro de limites seguros, pode ser tolerado por adultos saudáveis. No entanto, o uso frequente e exagerado dessas bebidas representa um sério risco à saúde física e mental. Taquicardia, insônia, crises de ansiedade, sobrecarga hepática e dependência são apenas alguns dos efeitos colaterais que merecem atenção.

A combinação com álcool, o uso por adolescentes e a substituição de hábitos saudáveis por soluções rápidas e artificiais devem ser evitados. O corpo humano precisa de equilíbrio, descanso e nutrição, não de estimulação contínua e artificial.

É fundamental que o consumo de energéticos seja feito com consciência, informação e moderação. Para quem já sente sinais de que algo está errado, a recomendação é clara: procure orientação médica e reveja sua relação com essas bebidas.

Julia Fernandes

Autor

Julia Fernandes

Júlia Fernandes é redatora do portal Seu Crédito Digital, onde compartilha conteúdos atualizados sobre economia, finanças pessoais, benefícios sociais, oportunidades para o cidadão e as principais notícias que impactam o dia a dia dos brasileiros. Gaúcha, comunicadora nata e apaixonada por escrever com empatia, Júlia combina informação com sensibilidade e leveza, sempre buscando ajudar o leitor a tomar decisões mais conscientes e informadas.

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