O El Niño já está influenciando o clima do Paraná e deve ganhar força nos próximos meses, aumentando a possibilidade de chuvas acima da média e de episódios de tempo severo. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a influência do fenômeno deve permanecer até o primeiro trimestre de 2027.
A previsão chama atenção principalmente para o Oeste, o Sudoeste e o Centro-Sul do estado, onde são esperados maiores volumes de chuva. Além da precipitação elevada, o Paraná pode enfrentar mais tempestades fortes, vendavais, granizo, enxurradas e inundações durante a primavera e o verão.
O fenômeno também está sendo acompanhado internacionalmente pela possibilidade de atingir intensidade muito forte. A tendência, porém, não significa que todas as regiões terão chuva constante ou que será possível prever com meses de antecedência quando uma tempestade específica acontecerá.
Leia mais:
PIS/Pasep: último lote libera R$ 5,2 bilhões para 4,1 milhões de trabalhadores
O que está acontecendo com o El Niño em 2026?

O El Niño é a componente oceânica do fenômeno conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENOS), caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e por alterações na circulação atmosférica.
Esse aquecimento interfere nos padrões de temperatura, pressão e umidade em diferentes partes do planeta. No Brasil, os efeitos variam de acordo com a região, e o Sul costuma apresentar maior tendência de chuvas durante episódios de El Niño.
Segundo o Simepar, o fenômeno começou a atuar em junho de 2026 e vem se fortalecendo. A expectativa é que sua influência continue durante os próximos meses, especialmente na primavera e no verão de 2026/2027.
Por que existe preocupação com um possível ‘Super El Niño’?
O acompanhamento dos oceanos mostra que o aquecimento do Pacífico Equatorial está ganhando intensidade. O Simepar aponta probabilidade superior a 90% de o fenômeno alcançar a categoria de intensidade muito forte durante a primavera e o verão.
Nessa classificação, a temperatura da superfície do mar fica pelo menos 2°C acima da climatologia na região utilizada para o monitoramento do fenômeno.
A expressão “Super El Niño” é utilizada para descrever episódios excepcionalmente intensos. Ela não significa, por si só, que haverá uma sequência de desastres ou que todos os efeitos serão necessariamente extremos.
O comportamento do clima depende da interação entre diferentes sistemas atmosféricos. Por isso, mesmo um El Niño muito intenso pode produzir impactos diferentes de uma região para outra.
Quais regiões do Paraná devem receber mais chuva?
O Simepar prevê chuva acima da média durante a primavera e o verão no Sul do Brasil. Dentro do Paraná, Oeste, Sudoeste e Centro-Sul aparecem entre as áreas com maior expectativa de precipitação.
A previsão também indica maior frequência de situações capazes de produzir chuva intensa em períodos curtos.
Isso pode aumentar a possibilidade de alagamentos, enxurradas e inundações, principalmente em municípios que já possuem áreas urbanas vulneráveis ou sistemas de drenagem que não suportam grandes volumes de água.
El Niño pode provocar mais tornados no Paraná?
O El Niño não provoca diretamente um tornado.
O fenômeno modifica as condições atmosféricas em grande escala e pode aumentar a probabilidade de determinados padrões meteorológicos associados a tempestades severas. Para que um tornado se forme, entretanto, é necessária uma combinação específica de temperatura, umidade, instabilidade e cisalhamento do vento.
O Paraná já registrou episódios de tempo severo desde o início da atuação do fenômeno, incluindo tornados, vendavais e fortes quedas de granizo.
Um dos episódios recentes chamou atenção pela intensidade dos ventos. Segundo o Simepar, rajadas associadas a um tornado no estado chegaram a 332 km/h.
Isso não significa que o estado terá tornados frequentes durante todo o período de atuação do El Niño. A formação desses fenômenos continua dependendo das condições meteorológicas presentes em cada episódio.
Quando o El Niño deve ficar mais forte?
A previsão indica intensificação durante a primavera e o verão de 2026/2027.
Os meses de outubro, novembro e dezembro devem concentrar parte importante do período de maior intensidade do fenômeno no Hemisfério Sul.
A influência sobre o Paraná, contudo, pode continuar até o primeiro trimestre de 2027.
Mesmo durante esse período, não haverá necessariamente chuva ou tempestade todos os dias. O El Niño determina tendências climáticas de maior escala, enquanto os eventos específicos dependem da atuação de sistemas meteorológicos como frentes frias, áreas de baixa pressão e sistemas convectivos.
O Paraná terá chuva todos os dias?
Não.
Quando os meteorologistas afirmam que determinado período terá chuva acima da média, isso significa que o volume acumulado pode superar o padrão histórico. Não significa que haverá precipitação contínua.
Uma região pode passar vários dias com pouca chuva e, posteriormente, registrar uma tempestade muito intensa que eleve significativamente o acumulado do mês.
Por isso, a previsão climática de longo prazo não substitui a previsão do tempo para os próximos dias.
O que já aconteceu durante o inverno?
O El Niño já apresentou sinais de influência sobre o regime de chuvas do Paraná durante o inverno.
De acordo com o Simepar, entre as 45 estações meteorológicas do estado com mais de cinco anos de operação, apenas quatro registraram volume de chuva abaixo da média histórica em julho de 2026: Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba, todas no Leste do Paraná.
O dado ajuda a mostrar como a distribuição da chuva já vinha apresentando comportamento diferente do padrão histórico em grande parte do estado.
Ainda assim, o comportamento observado em um mês isolado não permite determinar como será toda a primavera ou o verão.
Quais riscos aumentam para a população?
O principal ponto de atenção está relacionado à ocorrência de eventos de chuva intensa e tempestades.
Durante esses episódios, podem ocorrer:
- alagamentos;
- enxurradas;
- inundações;
- quedas de árvores;
- destelhamentos;
- interrupções no fornecimento de energia;
- queda de granizo;
- vendavais;
- deslizamentos em áreas vulneráveis.
O risco pode ser maior em locais próximos a rios, córregos, encostas e áreas urbanas com problemas de drenagem.
A população também deve ficar atenta durante tempestades com raios e ventos fortes, evitando permanecer em áreas abertas ou próximas a árvores e estruturas que possam cair.
O fenômeno também pode afetar a agricultura?
Sim. O excesso de chuva pode interferir nas atividades agrícolas, principalmente quando ocorre em períodos críticos para o desenvolvimento ou a colheita das lavouras.
Solo excessivamente encharcado pode dificultar a entrada de máquinas nas propriedades e prejudicar determinadas culturas. A alta umidade também pode favorecer doenças e dificultar operações agrícolas.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Por outro lado, a distribuição da chuva ao longo da estação é tão importante quanto o volume total. Chuvas bem distribuídas podem ter efeitos diferentes de grandes volumes concentrados em poucos dias.
O El Niño vai afetar todo o Brasil da mesma maneira?
Não.
Os impactos do El Niño variam bastante entre as regiões brasileiras.
No Sul, o padrão historicamente associado ao fenômeno inclui maior frequência de chuva e episódios de precipitação intensa. Em outras partes do país, os efeitos podem ser diferentes.
Por isso, uma previsão de chuva elevada para o Paraná não pode ser automaticamente aplicada a estados das regiões Centro-Oeste, Nordeste ou Norte.
Como acompanhar a previsão durante o período de maior risco?
A previsão climática mostra tendências para semanas ou meses. Já a previsão meteorológica de curto prazo permite identificar a aproximação de tempestades e outros eventos específicos.
Por isso, moradores do Paraná devem acompanhar as atualizações do Simepar e os alertas emitidos pela Defesa Civil, especialmente quando houver previsão de tempo severo.
O cenário também pode ser atualizado conforme novas informações sobre as temperaturas do Pacífico e a circulação atmosférica se tornam disponíveis.
O que fazer durante uma tempestade forte?
Alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos:
- procure abrigo dentro de uma construção segura;
- mantenha distância de árvores, postes e estruturas metálicas;
- não permaneça em áreas abertas durante tempestades com raios;
- nunca tente atravessar uma área alagada a pé ou de carro;
- retire objetos soltos de áreas externas antes de uma tempestade prevista;
- mantenha calhas e sistemas de drenagem limpos;
- em áreas de encosta, fique atento a rachaduras e movimentações do solo;
- acompanhe os alertas oficiais.
A Defesa Civil também disponibiliza alertas por SMS. Para receber as mensagens, é possível cadastrar o CEP enviando-o gratuitamente para o número 40199.
O que esperar até o início de 2027?

O cenário previsto pelo Simepar aponta para uma primavera e um verão com maior volume de chuva e maior frequência de episódios de tempo severo no Paraná.
O período entre outubro e dezembro deve ser especialmente acompanhado devido à expectativa de maior intensidade do El Niño.
A previsão não significa que todo o estado enfrentará temporais continuamente. Os episódios mais severos dependerão da combinação entre o El Niño e sistemas meteorológicos que atuam em períodos específicos.
Por isso, a principal recomendação para os próximos meses é acompanhar as atualizações meteorológicas e os alertas oficiais, principalmente em dias com previsão de tempestades.
Conclusão
O El Niño de 2026 está se fortalecendo e deve continuar influenciando o clima do Paraná até o primeiro trimestre de 2027. A principal consequência esperada é o aumento das chuvas, acompanhado de maior possibilidade de tempestades fortes, granizo, vendavais, enxurradas e inundações.
O Oeste, o Sudoeste e o Centro-Sul estão entre as regiões que devem receber maior volume de chuva. Entretanto, todo o estado está sujeito a episódios de tempo severo.
A possibilidade de um El Niño muito forte aumenta a atenção dos meteorologistas, mas não permite prever exatamente quando ou onde ocorrerá uma tempestade. Para o morador, o cuidado mais importante é acompanhar as previsões de curto prazo e os alertas da Defesa Civil, sobretudo durante a primavera e o verão.



