Boca de urna, propaganda irregular e suspeitas de compra de votos estiveram entre as ocorrências acompanhadas pelas forças de segurança no primeiro turno das eleições de 2026. O balanço do Ministério da Justiça e Segurança Pública atualizado às 19h de domingo, 4 de outubro, contabilizou 907 registros classificados como crimes eleitorais em todo o país.
No total, foram registradas 966 ocorrências, além da apreensão de R$ 626.338, quatro armas, 13 veículos e 5.557 materiais de campanha. Esses números retratam a situação informada naquele horário e não devem ser apresentados como resultado definitivo de todas as investigações.
A distinção é importante: um registro policial aponta um fato que precisa ser analisado, mas não equivale a uma condenação. O levantamento ajuda a identificar os problemas observados durante a votação e a orientar a apuração pelas autoridades.
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O que mostram os números do primeiro turno?

O balanço reúne diferentes tipos de ocorrências relacionadas à operação de segurança eleitoral. Dentro desse conjunto, os registros classificados como crimes eleitorais representam a maior parcela.
As cinco categorias destacadas no levantamento foram:
| Tipo de ocorrência | Registros |
|---|---|
| Boca de urna | 311 |
| Propaganda eleitoral irregular | 272 |
| Compra de votos ou corrupção eleitoral | 114 |
| Desobediência às ordens da Justiça Eleitoral | 46 |
| Violação ou tentativa de violação do sigilo do voto | 31 |
Essas categorias não esgotam os 907 registros de crimes eleitorais. Sua soma corresponde a 774 ocorrências, indicando que o total também inclui outras classificações.
Além disso, o boletim apontou seis registros de crimes comuns contra candidatos e 12 em locais de votação ou apuração. Entre os fatos detalhados, apareceram cinco registros de violência ou grave ameaça para obter voto ou abstenção e um de violência política de gênero.
Registro de crime significa que alguém foi condenado?
Não. O registro é uma etapa inicial de documentação e encaminhamento do fato. A investigação deve esclarecer o que aconteceu, reunir provas e identificar possíveis responsáveis.
Também não é correto transformar o número de ocorrências em quantidade de pessoas presas ou condenadas. Um mesmo fato pode envolver várias pessoas, enquanto uma pessoa pode aparecer em mais de um registro.
Por isso, a expressão “registros de crimes eleitorais” descreve o balanço com mais precisão do que afirmar que existem 907 condenações ou 907 culpados identificados.
Por que boca de urna e propaganda irregular lideram?
A legislação impõe limites específicos à campanha no dia da eleição para preservar a liberdade de escolha. O eleitor deve conseguir chegar à seção e votar sem ser abordado por pessoas tentando direcionar sua decisão.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, pedir votos, distribuir santinhos e abordar eleitores para influenciar sua escolha no dia da votação são condutas proibidas que podem caracterizar boca de urna. A restrição também alcança a organização de grupos para promover candidaturas.
Qual é a diferença entre manifestar preferência e fazer boca de urna?
A manifestação individual e silenciosa é permitida. Uma pessoa pode demonstrar sua preferência com um adesivo ou broche, desde que não transforme isso em campanha coletiva ou abordagem de outros eleitores.
Em um exemplo hipotético, chegar à seção usando um adesivo de candidato é diferente de permanecer na entrada distribuindo material e pedindo votos. Na segunda situação, existe uma tentativa ativa de influenciar terceiros.
As regras estão previstas na Lei das Eleições, a Lei nº 9.504/1997. Para as condutas do artigo 39, parágrafo 5º, a legislação prevê detenção de seis meses a um ano, com possibilidade de substituição por prestação de serviços à comunidade, além de multa.
O balanço apresenta boca de urna e propaganda eleitoral irregular em categorias separadas. Isso não permite concluir que todo registro de propaganda irregular tenha ocorrido da mesma forma: é necessário examinar a descrição de cada caso.
O que caracteriza compra de votos?
Compra de votos envolve oferecer dinheiro ou outra vantagem para obter o voto de alguém ou conseguir que essa pessoa deixe de votar. O Código Eleitoral também alcança a solicitação ou o recebimento de vantagem com essa finalidade.
A regra está no artigo 299 da Lei nº 4.737/1965. O elemento central é a troca entre um benefício particular e uma escolha eleitoral, e a oferta pode configurar o crime mesmo quando não é aceita.
Imagine uma situação hipotética em que alguém ofereça R$ 100 a um eleitor para votar em determinado candidato. A vinculação entre o dinheiro e o voto é o ponto que exige apuração.
Isso é diferente de uma promessa genérica de campanha, como defender melhorias na saúde ou construir uma escola. O TSE distingue propostas políticas dirigidas à população de vantagens oferecidas para comprar a decisão de um eleitor.
O dinheiro apreendido comprova compra de votos?
A apreensão, sozinha, não demonstra a finalidade de todo o dinheiro encontrado. As autoridades precisam analisar o contexto, os documentos, os relatos e outros elementos disponíveis.
Por esse motivo, os R$ 626.338 apreendidos não devem ser descritos automaticamente como dinheiro comprovadamente usado para comprar votos. O balanço informa o recolhimento dos valores; a conclusão sobre sua origem e destinação depende da apuração.
Por que o sigilo do voto precisa ser protegido?
O sigilo permite que o eleitor escolha sem precisar comprovar sua decisão a terceiros. Essa proteção dificulta tanto a cobrança de uma promessa de voto quanto a intimidação por alguém que queira controlar a escolha.
O levantamento registrou 31 ocorrências de violação ou tentativa de violação desse sigilo. A classificação exige análise individual e não autoriza presumir que todos os casos envolveram a mesma conduta.
O TSE orienta que celulares, câmeras e outros equipamentos capazes de registrar o voto não sejam levados à cabine. Antes de votar, o eleitor deve deixar o aparelho no local indicado pela mesa receptora.
A restrição protege a liberdade de decisão. Ninguém precisa fotografar a tela da urna para demonstrar a um empregador, familiar ou intermediário em quem votou.
Quais estados e regiões tiveram mais ocorrências?
No recorte apresentado, Minas Gerais registrou 113 ocorrências, seguido do Rio Grande do Sul, com 89, e do Paraná, com 81. Por região, o Nordeste reuniu 292 registros, o Sul, 222, e o Sudeste, 217.
Esses números são absolutos. Sem considerar o tamanho do eleitorado, a quantidade de seções e outros fatores, eles não permitem afirmar que um estado teve proporcionalmente mais irregularidades que outro.
O balanço também não informa, por si só, se houve aumento ou queda em relação à eleição anterior. Uma comparação adequada exigiria dados equivalentes, com o mesmo período de coleta e critérios de classificação.
A operação mobilizou 321.097 agentes e acompanhou as 27 unidades da Federação. Participaram forças estaduais, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional.
Por que outros boletins apresentam valores diferentes?
Órgãos diferentes podem divulgar levantamentos com horários, abrangência e critérios próprios. Um boletim da Polícia Federal não é necessariamente equivalente ao balanço integrado do Ministério da Justiça.
Na atualização da PF das 20h30, por exemplo, foram informados R$ 1.828.366,58 em bens e valores apreendidos, dos quais R$ 493.569,50 em dinheiro em espécie. A instituição também registrou 194 pessoas conduzidas, 35 inquéritos e 97 termos circunstanciados de ocorrência.
A própria PF destacou que os valores eram preliminares e ainda passariam por validação. Portanto, não se deve somar automaticamente os boletins, pois pode haver sobreposição de fatos e diferenças no que cada levantamento contabiliza.
Como denunciar uma irregularidade eleitoral?
O aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, permite comunicar possíveis irregularidades de propaganda. O relato deve apresentar informações que ajudem a localizar e compreender o fato, como endereço, horário e descrição da conduta.
Quando disponíveis e obtidos com segurança, fotos, vídeos e outros registros podem auxiliar a análise. Denúncias de crimes eleitorais também podem ser encaminhadas às autoridades policiais e ao Ministério Público Eleitoral.
Ao relatar uma situação, procure:
- Descrever o que você presenciou, separando fatos de suspeitas.
- Informar local, data e horário.
- Preservar os arquivos originais e as mensagens relacionadas.
- Evitar confronto com as pessoas envolvidas.
- Procurar atendimento policial imediato se houver ameaça ou violência.
O balanço das 19h mostra a dimensão dos registros recebidos durante a operação, mas o esclarecimento de cada caso depende do trabalho posterior das autoridades. Para o cidadão, a medida mais útil é conhecer as regras, preservar informações relevantes e encaminhar possíveis irregularidades pelos canais competentes.
Perguntas frequentes

Qual foi o total de registros de crimes eleitorais?
O balanço do Ministério da Justiça atualizado às 19h de 4 de outubro de 2026 contabilizou 907 registros de crimes eleitorais, dentro de um total de 966 ocorrências.
Qual foi a ocorrência mais frequente?
Boca de urna, com 311 registros, seguida de propaganda eleitoral irregular, com 272.
Usar adesivo de candidato no dia da votação é proibido?
A manifestação individual e silenciosa é permitida. Ela não pode se transformar em abordagem de eleitores, distribuição de propaganda ou manifestação coletiva.
Os R$ 626 mil apreendidos foram comprovadamente usados para comprar votos?
O balanço informa a apreensão dos valores, mas não comprova, sozinho, a finalidade de todo o dinheiro. Essa conclusão depende da investigação.
Onde denunciar propaganda eleitoral irregular?
No aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral. Suspeitas de crimes também podem ser encaminhadas às autoridades policiais e ao Ministério Público Eleitoral.
