Apesar das recentes tensões comerciais com os Estados Unidos e da imposição de tarifas de 10% sobre aeronaves brasileiras, a Embraer, uma das principais fabricantes de aviões do mundo, descartou a possibilidade de cortes no quadro de funcionários no Brasil. A declaração foi feita pelo presidente da empresa, Francisco Gomes Neto, durante uma conferência com analistas e jornalistas na manhã desta terça-feira (5), na qual também foram divulgados os resultados financeiros do segundo trimestre de 2025.
Presidente da Embraer nega demissões após tarifaço e fala em expandir negócios
Presidente da Embraer nega demissões após tarifa dos EUA e reafirma foco de investimentos e crescimento no Brasil, apesar do impacto no setor.
Segundo o CEO, a empresa não prevê qualquer redução de pessoal e mantém seus planos de crescimento, inclusive com previsão de mais contratações. A fábrica de São José dos Campos, principal polo da companhia no país, seguirá com a produção em ritmo normal, mesmo após o impacto da nova tarifa dos EUA.
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Tarifa dos EUA já foi absorvida nas projeções financeiras

Durante a conferência, Francisco Gomes Neto explicou que o impacto da tarifa de 10% já foi incorporado ao planejamento financeiro da Embraer para o próximo ano. Com isso, não há motivo para alterar a produção ou a estrutura de pessoal atual.
“Agora nós voltamos para uma situação mais gerenciável. Tanto é que nós já incluímos os 10% de impacto das tarifas nas nossas projeções financeiras e estamos mantendo o nosso ganho para o ano. E para atender o ganho do ano, nós temos que entregar todos os aviões que estão planejados”, afirmou o executivo.
A decisão representa uma sinalização clara ao mercado e aos funcionários de que a Embraer manterá sua estabilidade interna, mesmo diante de adversidades externas.
Contratações superam 5 mil desde a pandemia
O presidente da Embraer ainda destacou que, desde o fim do período crítico da pandemia de Covid-19, a companhia já contratou mais de 5 mil novos funcionários – a maioria deles no Brasil.
“Nosso plano é de crescimento para os próximos anos. Nós estamos crescendo a uma taxa de dois dígitos a cada ano e aumentando a produção”, disse Gomes Neto.
Esse ritmo de crescimento confirma o bom desempenho da companhia em um mercado global competitivo, impulsionado por demanda crescente em segmentos como aviação regional, defesa e serviços aeronáuticos.
Foco de investimentos permanece no Brasil
Embora a Embraer tenha anunciado recentemente aportes significativos nos Estados Unidos — como o investimento de US$ 500 milhões e a criação de 2.500 empregos —, Francisco Gomes Neto fez questão de enfatizar que a maioria dos investimentos da companhia continua sendo direcionada ao Brasil.
“Você lembra que alguns meses atrás, nós anunciamos que a Embraer iria investir R$ 20 bilhões até 2030. Se você dividir por 5, dá quase US$ 4 bilhões. Então, você compara esse número com o número que a gente tem falado dos investimentos nos Estados Unidos… A grande maioria dos investimentos ainda acontece aqui”, explicou o CEO.
Entre os polos beneficiados no país estão as unidades de São José dos Campos, Taubaté e Gavião Peixoto, todas no estado de São Paulo. Os recursos serão aplicados em modernização de instalações, ampliação de capacidade produtiva e desenvolvimento de novas tecnologias.
Retorno presencial em 2025 terá infraestrutura renovada
Em meio ao plano de crescimento, a Embraer também prepara o retorno ao trabalho presencial em suas unidades administrativas a partir de janeiro de 2025. Segundo Gomes Neto, esse movimento virá acompanhado de investimentos na reestruturação dos prédios da empresa.
“Nós estamos fazendo investimentos muito grandes para renovar os prédios em São José dos Campos, em Eugênio de Melo, para receber o nosso pessoal de volta a partir de janeiro.”
A estratégia faz parte de um conjunto de ações voltadas à valorização dos colaboradores, com foco na retenção de talentos e no fortalecimento das atividades técnicas e de engenharia no Brasil.
Expansão internacional é estratégica, não substitutiva

Apesar da expansão das atividades da Embraer nos Estados Unidos e em outros países, o CEO foi enfático ao esclarecer que essa movimentação faz parte de uma estratégia global e não representa a substituição das operações brasileiras.
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“Os Estados Unidos fazem parte disso e são uma parte relevante, sim. Mas nós estamos levando essas informações ao conhecimento das pessoas que têm o poder de decisão sobre as tarifas”, declarou, referindo-se ao lobby contra a imposição tarifária.
A sede operacional, a maior parte das fábricas e a maior concentração de funcionários seguem no Brasil. A empresa continua apostando no país como sua principal base industrial e tecnológica.
Serviços e manutenção também recebem aportes no exterior
Além dos investimentos no Brasil, a Embraer está fortalecendo sua presença internacional na área de serviços. Um dos destaques recentes foi o investimento na Ógma, unidade portuguesa da companhia, que passará a realizar a manutenção de motores GTF, usados em diversas aeronaves comerciais.
“Outro investimento relevante que nós estamos fazendo é na Ógma, em Portugal, para fazer a manutenção dos motores GTF. Isso vai contribuir para um aumento substancial nas receitas da nossa área de serviço.”
A divisão de serviços vem ganhando cada vez mais relevância na estratégia da Embraer, por oferecer margens de lucro maiores e fidelizar clientes por meio de contratos de longo prazo.
Perspectivas seguem positivas para os próximos anos
Mesmo diante de um cenário internacional desafiador, com tensões comerciais e oscilações econômicas, a Embraer mantém uma visão otimista para os próximos anos. A empresa projeta crescimento contínuo, ampliação da produção e maior geração de empregos no Brasil.
Francisco Gomes Neto ressaltou, no entanto, que a conjuntura pode mudar, e que a empresa continuará monitorando os desdobramentos do cenário global. Por ora, porém, o tom é de confiança.
“Evidentemente, se houver alguma mudança muito drástica no cenário, isso vale não só para a Embraer, vale para todas as empresas, no Brasil e no mundo. Mas o nosso plano agora, a nossa visão agora, é positiva.”
Imagem: Leonidas Santana / shutterstock.com

