Uma emenda apresentada no âmbito da PEC que trata do fim da escala de trabalho 6×1 alterou de forma significativa o conteúdo original da proposta em discussão no Congresso Nacional. O texto, protocolado pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS), recebeu 176 assinaturas válidas na Câmara dos Deputados, número superior ao mínimo exigido para apresentação formal.
Proposta do centrão amplia jornada para 52 horas e afasta fim da escala 6×1
Emenda à PEC da escala 6x1 propõe flexibilização da jornada, mudanças no FGTS e INSS e adia transição em 10 anos. Entenda.
A proposta passou a incluir mudanças estruturais na jornada de trabalho, regras de transição e mecanismos de flexibilização que impactam diretamente a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
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A PEC original tinha como foco a redução gradual da jornada semanal de trabalho, com previsão de 36 horas semanais. No entanto, a emenda altera esse objetivo e estabelece novos parâmetros.
Redução da meta de jornada para 40 horas
O texto substitui a proposta inicial de 36 horas semanais por um limite de 40 horas. Embora ainda represente uma redução em relação ao modelo atual predominante de 44 horas, o ajuste reduz o alcance da mudança originalmente proposta.
Na prática, isso significa que o trabalhador teria uma redução menor da jornada em comparação ao texto inicial da PEC.
Possibilidade de jornadas de até 52 horas semanais
Um dos pontos mais discutidos da emenda é a previsão de que acordos individuais ou coletivos possam ampliar a jornada em até 30% acima do limite constitucional.
Considerando o teto de 40 horas semanais proposto, esse mecanismo pode permitir jornadas de até 52 horas, dependendo da negociação entre empregadores e sindicatos.
Esse dispositivo amplia o peso dos acordos trabalhistas em relação à legislação geral.
Ampliação do poder de negociação trabalhista
A emenda reforça o conceito de prevalência do negociado sobre o legislado em diversos pontos da relação de trabalho.
O que pode ser negociado
Entre os temas que podem ter regras flexibilizadas por acordos coletivos ou individuais estão:
- jornada de trabalho
- escalas e turnos
- banco de horas
- intervalos intrajornada
- trabalho remoto
- remuneração por produtividade
- regimes de prontidão e intermitência
Na prática, isso amplia a autonomia de negociação entre empresas e trabalhadores, especialmente via sindicatos.
Regras para setores considerados essenciais
A proposta estabelece exceções para atividades consideradas essenciais, como saúde, segurança, mobilidade e infraestrutura.
Nesses casos, a jornada atual de até 44 horas semanais poderia ser mantida.
No entanto, a definição exata desses setores dependerá de regulamentação futura por lei complementar, o que mantém parte da aplicação em aberto.
Transição de 10 anos para mudanças na jornada
Outro ponto central da emenda é o prazo de implementação.
A redução da jornada só começaria a valer dez anos após a aprovação da PEC. Além disso, a aplicação dependeria da aprovação de leis complementares para regulamentar regras de transição, fiscalização e critérios de produtividade.
Esse modelo cria uma implementação em duas etapas:
- primeiro, um período de espera de uma década
- depois, regulamentação adicional via lei complementar
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Alterações na contagem da jornada de trabalho
A emenda também modifica a forma como a jornada é contabilizada.
Segundo o texto, períodos de intervalo, pausas e determinadas atividades previstas em normas regulamentadoras não seriam computados como tempo de trabalho.
Na prática, isso pode aumentar o tempo de permanência do trabalhador no ambiente profissional sem impacto direto na contagem oficial da jornada semanal.
Mudanças em encargos trabalhistas e incentivos fiscais
Além das regras de jornada, a proposta inclui alterações em encargos e tributos relacionados ao emprego.
Entre os principais pontos estão:
- redução da contribuição ao FGTS
- desoneração temporária de encargos previdenciários para novas contratações
- incentivos fiscais para criação de empregos
- deduções tributárias para empresas que ampliem o quadro de funcionários
Essas medidas têm como justificativa aliviar custos de adaptação das empresas ao novo modelo de jornada.
Impactos econômicos e debate no Congresso
A discussão sobre a PEC e sua emenda ocorre em um contexto de debate sobre produtividade, custo do trabalho e competitividade econômica.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de estudos econômicos amplamente utilizados em políticas públicas apontam que o Brasil ainda enfrenta desafios de produtividade quando comparado a economias mais industrializadas, o que frequentemente é citado em discussões sobre reformas trabalhistas.
Por outro lado, especialistas em relações de trabalho destacam que mudanças na jornada precisam considerar fatores como proteção ao trabalhador, equilíbrio entre negociação e legislação e impactos sobre a informalidade.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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