Schaefer Yatchs, empresa fabricante de barcos de luxo de Santa Catarina, pagará uma indenização de R$ 300 mil por danos morais coletivos após denúncias de assédio eleitoral. As acusações são referentes à conduta da empresa antes do primeiro turno das eleições deste ano, que ocorreu no dia 2 de outubro.
Empresa pagará R$ 300 mil por denúncia de assédio eleitoral
Dono de empresa denunciada por assédio eleitoral realizou reunião para defender voto em Jair Bolsonaro (PL).
Além de cartazes com propaganda eleitoral de Jair Bolsonaro (PL) terem sido fixados no ambiente de trabalho, em um dos episódios, Márcio Schaefer, dono da companhia, chegou a falar: “É importante votar em candidatos a deputados que estão ligados ao Bolsonaro para que as mudanças possam ocorrer”.
Dono de empresa acusada de assédio eleitoral realizou reunião para defender voto em Bolsonaro
“A família é o mais importante da democracia, eles querem acabar com a família” e “Quem quiser levar um ‘santinho’, eu preparei com alguns candidatos” também são falas atribuídas ao proprietário da Schaefer Yatchs. Ele, inclusive, nas vésperas do primeiro turno, chegou a convocar uma reunião com os funcionários do estaleiro, onde defendeu o voto em Bolsonaro.
O áudio da reunião, que foi gravado por um ex-funcionário da empresa, e um vídeo com imagens dos cartazes com a propaganda foram revelados pelo site Jornalistas Livres. Isso ocorreu dez dias após o primeiro turno.
MPT moveu ação após empresa denunciada por assédio eleitoral ter recusado firmar compromisso
O Ministério Público do Trabalho (MPT) procurou a direção da Schaefer Yatchs para que um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pudesse ser assinado. No entanto, por conta da recusa da empresa em firmar o compromisso, o órgão federal moveu uma ação contra o estaleiro.
“É evidente a prática assediadora e discriminatória imposta pelo réu, que, ao não aceitar eventual orientação política diferente da que pessoalmente defende, obriga o grupo de trabalhadores a realizar ações estranhas às obrigações do contrato de trabalho, em apoio a candidato ou partido que defende”, afirma a ação. “E isso tudo sob a ameaça de fechamento da empresa e de perda de empregos”, complementa o texto.
Na última quarta-feira (26), a empresa então fechou um acordo na Justiça com o MPT. Entre os compromissos que deverão ser seguidos pela Schaefer Yatchs, estão:
- Pagamento da indenização de R$ 300 mil;
- Adoção de uma série de recomendações para não influenciar de qualquer forma o posicionamento político de seus funcionários.
O que diz a empresa que pagará indenização por denúncia de assédio eleitoral
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Ao UOL, o advogado da empresa, Giovane Canonica, disse que o estaleiro não coagiu, obrigou, muito menos ofereceu benefício para que os empregados votassem em determinado candidato. Na nota encaminhada, também foi dito que nunca houve ameaças de demissões.
Canonica informou ainda que as notícias sobre o caso, divulgadas ao público, embora estivessem descontextualizadas, poderiam comprovar que não houve prática ilícita.
Por fim, a empresa informou que “repudia toda e qualquer forma de assédio, sobretudo quando vincula direitos e obrigações relativos à liberdade, ao trabalho e à justiça social”.
Imagem: rafapress/shutterstock.com
