O Brasil está diante de um novo ponto de inflexão econômico. Durante um encontro promovido pelo Grupo Esfera, no Guarujá (SP), neste fim de semana, empresários, banqueiros e executivos de grandes instituições financeiras fizeram um apelo conjunto ao governo federal: é preciso frear o avanço dos gastos públicos e implementar reformas estruturantes para garantir a estabilidade fiscal. A percepção compartilhada pelos presentes é que, apesar de alguns dados positivos na economia, o cenário exige ações concretas para evitar um desequilíbrio que possa prejudicar o crescimento de médio e longo prazo.
Empresários e banqueiros pedem controle de gastos para evitar crise fiscal
Empresários pedem reformas e equilíbrio fiscal para evitar crise e manter crescimento econômico sustentável.
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Urgência fiscal entra em pauta no litoral paulista

O encontro, que reuniu figuras de peso como André Esteves (BTG Pactual), Milton Maluhy Filho (Itaú) e Isaac Sidney (Febraban), foi marcado por um tom de alerta. Eles pediram um pacto nacional para reverter o desequilíbrio fiscal e evitar o aumento da dívida pública, o que poderia comprometer os investimentos e a confiança no país. Segundo os empresários, embora o país esteja com crescimento econômico e desemprego em níveis controlados, o descontrole das contas públicas é uma ameaça real.
O CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho afirma que, “O Brasil precisa de coragem” para enfrentar reformas estruturantes. Ele destacou que, caso nada seja feito, a dívida pública continuará crescendo em ritmo superior ao Produto Interno Bruto (PIB), chegando a 3% ao ano.
Propostas discutidas entre Congresso e Fazenda
A preocupação demonstrada pelos empresários ganhou ainda mais relevância diante das articulações entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os presidentes da Câmara e do Senado. Em reunião prevista para este domingo, o trio discutirá alternativas ao aumento do IOF, imposto ajustado pelo governo para tentar suprir o déficit de receita.
Entre as propostas em análise, estão a revisão de benefícios fiscais e a possibilidade de desvincular os gastos mínimos constitucionais com saúde e educação. Essas medidas dividem opiniões, mas são vistas como tentativas de conter a escalada dos gastos públicos sem penalizar setores produtivos com mais impostos.
Clima de consenso favorece reformas, dizem líderes
Para André Esteves, sócio do BTG Pactual, o momento é ideal para construir consensos em torno das mudanças necessárias. “Pessoas diferentes, de posições políticas diferentes e partidos diferentes. A sociedade está ganhando consciência de que a gente não tem mais espaço para expansão dos gastos”, disse.
Ele ainda concordou com a visão do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao destacar que as reformas não acontecem de forma instantânea, mas que o ambiente político está mais receptivo. “É uma ilusão de ótica achar que vamos aprovar tudo em poucos dias. Mas o consenso chegou, na minha opinião”, afirmou Esteves.
Gasto tributário e responsabilidade compartilhada
O presidente da Febraban, Isaac Sidney, reforçou que, apesar dos indicadores econômicos positivos, a agenda fiscal não pode ser adiada. Ele também defendeu maior participação do setor privado no processo de ajuste.
“Estamos com gastos tributários elevadíssimos. A sociedade precisa dar sua contribuição do ponto de vista do empresariado também. Não é uma discussão para ficar só no colo do governo”, afirmou Sidney, enfatizando que o debate precisa envolver todos os setores.
Wesley Batista, da J&F, compartilhou visão semelhante e ressaltou que a estratégia de ajuste via aumento de arrecadação “chegou ao limite”. Para ele, há espaço para revisar programas sociais e repensar seu tamanho, eficiência e sustentabilidade. “Tem muita coisa que não trouxe o benefício esperado”, comentou.
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Selic e inflação: dilema monetário e fiscal
Outro ponto debatido intensamente foi o impacto da política fiscal sobre os juros. Maluhy, do Itaú, alertou que os juros elevados, embora desconfortáveis para o mercado, são uma resposta necessária ao cenário atual de inflação. “Achar que juros altos são bons para o mercado financeiro é uma falácia. Mas os juros nos patamares atuais são um mal necessário porque a inflação é o pior imposto”, argumentou.
Esteves complementou com uma metáfora que ilustra o impasse entre política fiscal expansionista e política monetária restritiva: “Estamos dirigindo um carro com um pé no acelerador e outro no freio. Obviamente nenhum carro funciona direito assim.”
Expectativas para a Selic e os próximos passos

O debate sobre os rumos da política monetária também ganhou destaque. Segundo Esteves, o Comitê de Política Monetária (Copom) pode levar a taxa Selic a até 15% na próxima reunião, dependendo dos desdobramentos fiscais. “O BC não é malvado, ele apenas segue parâmetros claros”, disse o executivo, minimizando críticas à atuação da autoridade monetária.
A mensagem que ecoou entre os empresários foi clara: o Brasil precisa tomar decisões difíceis agora para evitar consequências mais graves no futuro. O engajamento do setor produtivo, combinado com uma postura firme do governo e do Congresso, será essencial para reequilibrar as contas públicas e preservar o crescimento econômico.
Com informações de: InfoMoney
