A Emenda Constitucional nº 132/2023 instituiu uma das maiores mudanças tributárias do país: a reforma tributária sobre o consumo. Com a criação do IVA dual, por meio da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), o novo sistema substituirá gradativamente cinco impostos — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — entre 2026 e 2033.
Reforma tributária: grande parte das empresas está atrasada na adaptação, revela pesquisa
Pesquisa revela que grande parte das empresas brasileiras ainda não iniciou a adaptação à reforma tributária que entra em vigor em 2026.
No entanto, uma pesquisa recente da consultoria NTT DATA revela que grande parte das empresas brasileiras ainda está atrasada em sua adaptação às mudanças, o que pode trazer riscos financeiros e operacionais significativos.
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Pesquisa revela atraso na preparação das empresas

Segundo o levantamento da NTT DATA, 38% dos gestores afirmam estar na fase inicial de avaliação dos impactos da reforma e ainda identificando quais áreas internas precisam ser envolvidas. Apenas 24% das organizações já iniciaram ações práticas para adequar seus processos, enquanto 20% conhecem as mudanças, mas ainda não adotaram medidas concretas. Outros 18% estão começando a planejar a transição.
Dificuldades do período de transição
A coexistência do modelo tributário atual com o novo, prevista para durar até 2032, tem sido apontada como principal desafio. Durante esse período, as empresas precisarão cumprir obrigações acessórias em ambos os sistemas, o que aumenta a complexidade da gestão contábil e fiscal.
Essa sobreposição exige dupla apuração, eleva custos operacionais e aumenta o risco de erros que podem resultar em autuações fiscais e retrabalhos. O Product Director da NTT DATA, Diogo Brito, alerta que “as adaptações precisam ser pensadas de forma ampla, incluindo revisão de sistemas ERP, reformulação de contratos e novas diretrizes para equipes contábeis”.
Impactos operacionais a partir de 2026
A partir de janeiro de 2026, inicia-se a fase de testes da reforma tributária, quando as empresas passarão a recolher 1% de CBS e 1% de IBS, sem efeitos financeiros imediatos, mas com grandes impactos operacionais. Este período é crucial para ajustar sistemas, processos e práticas contábeis, garantindo conformidade ao longo da transição.
O desafio dos sistemas antigos
Apesar da urgência, muitas organizações ainda não começaram as mudanças porque o sistema antigo continuará vigente até 2032. A manutenção simultânea de ambos os regimes exige reorganização do compliance tributário, sem prejudicar as operações diárias.
Especialistas alertam que postergar esses ajustes pode acarretar exposição a riscos fiscais, multas e ineficiência financeira, impactando diretamente a saúde econômica das empresas.
Split payment: desconhecimento e impactos financeiros
Um ponto de atenção destacado pela pesquisa é o baixo conhecimento do mecanismo de split payment, fundamental para a operacionalização da reforma. O split payment consiste na divisão automática do valor pago entre empresa e governo no momento da transação, promovendo maior transparência e redução de fraudes.
Preparação técnica e financeira essencial
Diogo Brito explica que a cobrança imediata do tributo pode afetar o capital de giro das empresas, caso não haja um planejamento financeiro adequado para o novo fluxo de caixa. A implantação do sistema exige integração com meios eletrônicos de pagamento e adequações em ERPs, sistemas fiscais e contábeis.
Sem uma preparação técnica e financeira, o split payment pode gerar gargalos operacionais, prejudicando o funcionamento das organizações.
Adaptação vai além da área fiscal

Outro destaque do estudo da NTT DATA é que a reforma tributária não impacta apenas a área contábil e fiscal. Áreas como jurídico, tecnologia, contratos e planejamento estratégico precisam ser envolvidas na preparação.
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Contratos e projetos em revisão
Contratos firmados sob as regras atuais podem sofrer impactos significativos, exigindo análises minuciosas de cláusulas de reajuste e responsabilidades tributárias para evitar insegurança jurídica. Além disso, empresas com atuação nacional terão que lidar com regras compartilhadas entre União, Estados e municípios, administradas pelo Comitê Gestor do IBS.
Essa complexidade reforça a necessidade de um planejamento integrado e multidisciplinar para garantir uma transição tranquila.
Consequências para quem não se adequar a tempo
Deixar para última hora a adaptação à reforma tributária pode acarretar graves consequências para as empresas:
- Multas e penalidades por erros na apuração dos tributos;
- Perda de benefícios fiscais regionais não atualizados;
- Inadimplência involuntária devido a falhas operacionais;
- Insegurança jurídica em contratos e negociações;
- Impactos negativos no fluxo de caixa e capital de giro;
- Dificuldade na geração de demonstrações contábeis compatíveis com o novo modelo.
Caminhos para a adaptação
Com a fase de testes da reforma se aproximando, as organizações precisam agir de forma imediata. Consultores, contadores e gestores devem:
- Revisar e atualizar sistemas ERP para integrar o split payment;
- Realizar simulações de impacto fiscal com as novas alíquotas;
- Capacitar as equipes fiscal, contábil, jurídica e de tecnologia;
- Atualizar contratos para contemplar a transição tributária;
- Dialogar com fornecedores e clientes para ajustar o novo fluxo.
Imagem: lovelyday12 / shutterstock.com

