Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Empresas devem investir até US$ 330 bilhões em Bitcoin como reserva de valor até 2030, estima Bernstein

Segundo relatório da gestora Bernstein, empresas podem investir até US$ 330 bilhões em Bitcoin até 2030, consolidando a criptomoeda como uma nova forma de reserva de valor corporativa.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Bitcoin

A consolidação do Bitcoin como reserva de valor pode atingir um novo patamar nos próximos anos. De acordo com um relatório publicado nesta segunda-feira (5) pela gestora global Bernstein, empresas de grande e médio porte devem acelerar a adoção da principal criptomoeda do mercado como parte de suas estratégias financeiras corporativas.

A previsão da gestora é de que companhias em todo o mundo podem destinar até US$ 330 bilhões ao Bitcoin nos próximos cinco anos.

A projeção representa uma guinada significativa no cenário institucional, marcando a entrada definitiva do BTC nos balanços patrimoniais de empresas além do setor de tecnologia.

A tendência tem como base a evolução da visão do mercado sobre o Bitcoin, que passa de ativo especulativo para reserva estratégica de valor em um mundo cada vez mais volátil.

Leia mais:

Quirguistão lança stablecoin lastreada em ouro e adota Bitcoin e BNB como reserva estratégica

Bernstein projeta onda de investimentos empresariais em Bitcoin

O relatório da Bernstein destaca que a adoção do Bitcoin por empresas está apenas começando. Com base em dados recentes e tendências observadas desde 2020, a gestora acredita que o movimento iniciado por pioneiros como a MicroStrategy — que hoje detém aproximadamente 2,6% de todo o suprimento de BTC em circulação — deve se intensificar com o amadurecimento do mercado e o avanço regulatório.

A análise estima que, até 2030, os aportes corporativos no Bitcoin poderão ser divididos da seguinte forma:

  • US$ 124 bilhões provenientes apenas da MicroStrategy, caso mantenha seu ritmo agressivo de compras;
  • US$ 190 bilhões de empresas de capital aberto com grande capitalização de mercado;
  • US$ 11 bilhões advindos de empresas menores, mas com forte crescimento e apetite por inovação.

Exemplo da MicroStrategy impulsiona confiança

O caso mais emblemático citado no relatório é o da MicroStrategy, que desde 2020 tem adotado o Bitcoin como sua principal reserva de valor corporativa.

A empresa norte-americana já acumula cerca de 555 mil unidades de BTC, movimentação que não apenas valorizou sua base de ativos, mas também atraiu investidores interessados em exposição indireta ao criptoativo.

Desde o final de 2023, as ações da MicroStrategy dispararam mais de 160%, impulsionadas pela alta do Bitcoin e pela confiança do mercado em sua estratégia de longo prazo.

Bitcoin como reserva de valor: uma tese que ganha força

Arthur Hayes
Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

A ideia de utilizar Bitcoin como reserva de valor parte da premissa de que o ativo digital é resistente à inflação, descentralizado, escasso (limitado a 21 milhões de unidades) e cada vez mais aceito globalmente.

Para empresas com grandes quantias de caixa, especialmente em economias com juros baixos ou políticas monetárias instáveis, o BTC surge como uma alternativa moderna ao ouro ou até mesmo à exposição cambial.

Benefícios percebidos pelas empresas:

  • Proteção contra inflação e desvalorização monetária;
  • Alta liquidez em mercados globais;
  • Potencial de valorização no longo prazo;
  • Diferenciação estratégica perante concorrentes.

Casos no Brasil: Méliuz abre o caminho

No Brasil, o destaque vai para a Méliuz, que se tornou a primeira empresa de capital aberto a adotar o Bitcoin em sua estratégia corporativa.

A iniciativa foi vista com entusiasmo pelo mercado e abriu espaço para que outras empresas brasileiras avaliassem o ativo como parte de suas reservas financeiras.

Regulação pode acelerar compras corporativas

Segundo a Bernstein, a regulação nos Estados Unidos será o maior catalisador para a expansão do Bitcoin entre empresas nos próximos anos.

A legalização, padronização e supervisão mais clara sobre criptoativos tende a reduzir o risco percebido, facilitando a inclusão do BTC nas tesourarias corporativas.

Pontos relevantes para o avanço regulatório:

  • Aprovação de ETFs spot nos EUA, como o da BlackRock, que já movimentam bilhões em volume diário;
  • Maior clareza jurídica sobre classificação do Bitcoin como commodity ou valor mobiliário;
  • Orientações contábeis que permitam a inclusão de criptoativos em balanços com menor volatilidade de reporte.

Efeito dominó global

A Bernstein acredita que a postura dos EUA deve influenciar outras economias a seguir o mesmo caminho.

A criação de reservas estratégicas de Bitcoin por governos ou bancos centrais seria uma extensão natural desse processo, criando demanda adicional e ampliando a legitimidade do ativo no cenário institucional.

A escalada do investimento institucional em Bitcoin

Com a entrada de ETFs de Bitcoin no mercado tradicional, como os oferecidos por gigantes como BlackRock, Fidelity e Franklin Templeton, o acesso institucional ao ativo foi profundamente facilitado.

Empresas que antes precisavam lidar com a complexidade de custódia direta agora podem adquirir exposição indireta ao BTC de forma regulamentada e segura.

Impactos dos ETFs:

  • Redução de barreiras técnicas para entrada de grandes empresas;
  • Transparência regulatória e auditorias constantes;
  • Acesso por meio de mercados já conhecidos, como Nasdaq e NYSE.

Estratégia de diversificação corporativa

Além dos ETFs, muitas empresas estão implementando políticas de diversificação de reservas em que o Bitcoin ocupa uma parte minoritária — mas simbólica — da tesouraria.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

O objetivo é mitigar riscos inflacionários, alinhar-se com tendências de inovação e, eventualmente, capitalizar sobre a valorização do ativo.

Desafios e resistências à adoção em massa

Apesar das projeções otimistas, a Bernstein reconhece que grandes empresas ainda demonstram receio em adotar o Bitcoin, seja por volatilidade, questões contábeis ou risco reputacional. A adoção, portanto, não será homogênea nem automática.

Principais barreiras:

  • Volatilidade de curto prazo do ativo;
  • Falta de clareza contábil nas normas internacionais;
  • Medo de exposição negativa à mídia ou investidores conservadores;
  • Desconhecimento técnico das equipes financeiras.

Superando resistências

A chave para superar essas barreiras está em educação, regulação e exemplos de sucesso. À medida que mais empresas obtêm bons resultados com o Bitcoin em seus balanços e que o ambiente regulatório amadurece, os obstáculos tendem a diminuir.

O próprio relatório da Bernstein indica que a proposta de valor do BTC tende a superar as resistências ao longo do tempo.

O que o futuro reserva para o Bitcoin nas empresas?

Se confirmadas as estimativas da Bernstein, o impacto no ecossistema do Bitcoin será massivo. A entrada de US$ 330 bilhões em capital corporativo representaria uma mudança estrutural no perfil de investidores do BTC, consolidando-o definitivamente como ativo institucional.

Possíveis consequências:

  • Redução da volatilidade, com maior estabilidade de preços;
  • Aumento do preço do BTC, impulsionado pela escassez e nova demanda;
  • Pressão para melhorias regulatórias globais;
  • Inovação nos serviços financeiros, com mais produtos ligados a criptoativos.

Bitcoin como pilar da tesouraria moderna

Cada vez mais, o Bitcoin deixa de ser visto como uma aposta arriscada e passa a ser considerado um elemento estratégico de gestão financeira corporativa.

Em um mundo onde a inflação, conflitos geopolíticos e desvalorização cambial se tornam ameaças reais, empresas com visão de longo prazo buscam alternativas — e o BTC se encaixa nesse cenário.

Considerações finais

Robert Kiyosaki
Imagem: Arsenii Palivoda / shutterstock

A projeção da Bernstein de que empresas podem investir até US$ 330 bilhões em Bitcoin nos próximos cinco anos aponta para uma transformação profunda no uso corporativo da criptomoeda.

Longe de ser apenas uma especulação, o BTC passa a ocupar o centro das decisões de grandes tesourarias, impulsionado pela busca por proteção e inovação.

À medida que exemplos como o da MicroStrategy se multiplicam e que o arcabouço regulatório evolui, a adoção do Bitcoin por empresas parece não ser mais uma questão de “se”, mas de “quando” e “quanto”.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

Topicos relacionados