Uma recente proposta do governo federal pode mudar significativamente a forma como empréstimos consignados são contratados por menores de idade vinculados ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Empréstimo no BPC para menores pode exigir autorização judicial — veja o que muda
Saiba como a nova regra do BPC pode afetar menores e evitar fraudes. Veja o que muda agora!
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, defendeu, em audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO), a exigência de autorização judicial para esses casos, após a identificação de brechas legais que permitiram a contratação de milhares de empréstimos por menores.
Com mais de 500 mil contratos já realizados em nome de crianças e adolescentes, a preocupação central do governo é garantir que o BPC cumpra sua função social sem colocar em risco os mais vulneráveis.
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BPC: um direito assistencial garantido por lei
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um benefício assistencial pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a idosos com 65 anos ou mais, ou a pessoas com deficiência de qualquer idade, desde que comprovem estar em situação de baixa renda.
Ao contrário de aposentadorias, o BPC não exige contribuição prévia à Previdência Social. O valor pago mensalmente é de um salário-mínimo (R$ 1.518 em 2025), e não inclui 13º salário.
Como funciona o empréstimo consignado no BPC?
Crédito consignado como alternativa de financiamento
O empréstimo consignado é uma modalidade de crédito em que as parcelas são descontadas diretamente do benefício ou salário do contratante. A vantagem dessa operação está nos juros reduzidos, já que o risco de inadimplência é menor para os bancos.
Desde 2022, com a Medida Provisória (MP) 1.106, os beneficiários do BPC passaram a ter acesso a esse tipo de crédito, da mesma forma que aposentados e pensionistas do INSS.
Margem consignável
- Total de 35% do benefício, sendo:
- 30% para empréstimos consignados convencionais;
- 5% para cartão de crédito consignado.
Etapas da contratação:
| Etapa | Descrição |
|---|---|
| 1. Solicitação | Beneficiário procura banco autorizado e solicita o empréstimo |
| 2. Liberação do crédito | Após aprovação, o valor total é depositado na conta do beneficiário |
| 3. Desconto automático | As parcelas são descontadas diretamente do BPC a partir do mês seguinte |
| 4. Duração do contrato | Pode variar entre 12 e até 84 meses, com desconto contínuo durante todo o período |
Menores de idade e o crédito consignado: um alerta
Brechas legais permitiram contratos suspeitos
A principal preocupação do governo surgiu com o registro de 500 mil contratos consignados em nome de menores de idade, que recebem o BPC por serem pessoas com deficiência.
Em muitos casos, os responsáveis legais solicitam o crédito, mas em nome da criança, comprometendo parte do benefício mensal sem o devido entendimento dos impactos.
Fraudes e desinformação
- Fraudes identificadas: Há indícios de que instituições financeiras tenham facilitado contratos em nome de menores sem os critérios adequados.
- Desinformação dos responsáveis: Muitos pais ou tutores não compreendem que o valor do benefício será reduzido durante anos, afetando diretamente os recursos da criança.
Proposta de mudança: autorização judicial para menores
O que propõe Simone Tebet?
A ministra Simone Tebet defende que menores de idade só possam contratar empréstimos consignados mediante autorização judicial prévia. Essa exigência busca:
- Evitar fraudes;
- Proteger os recursos de crianças com deficiência;
- Garantir que os contratos sejam firmados com pleno entendimento e responsabilidade.
Tebet foi enfática ao afirmar que o Estado não pode “pagar para quem não precisa ou não se enquadra nas regras”, sinalizando que a revisão legal pode vir ainda em 2025.
Por que a medida é necessária?
Situação atual compromete renda de famílias vulneráveis
Em muitos lares, o BPC é a principal — ou única — fonte de renda. Quando parte desse valor é comprometida por anos em razão de empréstimos, a família pode entrar em situação de endividamento crônico. Isso vai na contramão do objetivo do BPC, que é garantir o mínimo para sobrevivência com dignidade.
Exemplo prático
Uma criança com deficiência que recebe o BPC tem direito a R$ 1.518 por mês. Se um empréstimo for contratado com parcelas de R$ 455 (30%), o valor líquido do benefício passa a ser de R$ 1.063 mensais, durante todo o prazo de vigência do contrato, que pode chegar a sete anos.
Impactos da medida para os beneficiários e para o sistema
Vantagens da exigência de aval judicial
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- Maior proteção legal aos menores de idade;
- Redução de fraudes em contratos de crédito;
- Mais controle por parte do Estado;
- Apoio ao uso responsável de recursos públicos.
Possíveis desvantagens
- Burocracia aumentada: A exigência judicial pode tornar o processo mais lento, mesmo em casos legítimos.
- Dificuldade de acesso ao crédito: Famílias que realmente necessitam do empréstimo podem enfrentar obstáculos para aprovação.
Medida já está em vigor?
Próximos passos do governo
Até o momento, trata-se de uma proposta em discussão no Congresso Nacional. Ainda não há decreto ou portaria que torne obrigatória a autorização judicial para menores.
Contudo, a fala da ministra na Comissão Mista de Orçamento indica que o governo deve apresentar uma proposta legislativa em breve, o que pode significar mudanças ainda em 2025.
O que dizem especialistas e defensores de direitos sociais?
Organizações de defesa dos direitos da criança e do adolescente apoiam a medida, ressaltando que menores em situação de vulnerabilidade precisam de maior proteção legal. Já economistas destacam a importância de manter a sustentabilidade financeira das famílias que dependem do BPC, evitando que o acesso ao crédito resulte em exclusão social ainda maior.
O que você deve fazer se recebe o BPC?

Cuidados ao contratar empréstimos consignados
- Verifique se o crédito é realmente necessário;
- Simule os descontos mensais e avalie o impacto no orçamento;
- Certifique-se de que o responsável legal compreende todas as condições do contrato;
- Evite contratos em nome de menores de idade, especialmente sem orientação legal;
- Denuncie irregularidades aos órgãos de fiscalização, como o INSS, Ministério Público ou Defensoria Pública.
Conclusão
A proposta de exigir autorização judicial para empréstimos consignados em nome de menores que recebem o BPC surge como uma tentativa do governo de proteger um dos públicos mais vulneráveis do país.
Com fraudes em alta e indícios de uso indevido do benefício, a medida pode reforçar a responsabilidade social e jurídica em torno da concessão de crédito.
Enquanto o Congresso discute as mudanças, é fundamental que beneficiários e responsáveis estejam atentos aos riscos e busquem orientação antes de contratar qualquer operação financeira que envolva o BPC.
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital
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