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Volume de empréstimos do novo consignado privado atinge R$ 5,6 bi em abril, aumento de 148,7%

Novo consignado privado atinge R$ 5,6 bilhões em abril, com aumento de 148,7% e juros de 59,1% ao ano. Entenda os motivos.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Consignado febraban

O volume de empréstimos do novo consignado privado disparou em abril de 2025, alcançando expressivos R$ 5,6 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (29). O crescimento de 148,7% em relação a março confirma a forte adesão dos trabalhadores com carteira assinada à nova modalidade de crédito, lançada pelo governo federal no fim de março.

Apesar do rápido avanço, a taxa média de juros saltou para 59,1% ao ano, o maior patamar desde o início da série histórica em 2011, bem acima dos 44% registrados no mês anterior. O aumento acende um alerta para os custos elevados desse tipo de financiamento, que, embora ofereça acesso facilitado, traz riscos embutidos.

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A Explosão do Crédito Consignado Privado

Imagem: Julio Ricco / Shutterstock.com

Acesso facilitado sem convênio impulsiona a demanda

A nova modalidade de crédito consignado privado foi criada com o objetivo de ampliar o acesso ao financiamento para trabalhadores do setor privado, que agora podem contratar empréstimos com desconto diretamente na folha de pagamento, sem a necessidade de convênios entre empresas e instituições financeiras.

Essa mudança regulatória foi determinante para o salto no volume contratado em abril. Com menos barreiras burocráticas, mais trabalhadores buscaram o crédito como alternativa para reorganizar suas finanças ou quitar dívidas mais caras.

Segundo levantamento do Banco Central, a entrada dos grandes bancos no mercado desse novo consignado também foi decisiva para a rápida expansão. Além disso, consumidores podem migrar contratos antigos para a nova modalidade, o que promete, em tese, condições melhores.

Juros surpreendem e preocupam

Embora o governo tenha criado expectativas de que os juros do novo consignado privado se manteriam próximos aos cobrados de servidores públicos (26,3% ao ano) e beneficiários do INSS (24% ao ano), a realidade foi bem diferente.

Em abril, a taxa média de 59,1% ao ano superou não apenas as previsões, mas também patamares de outras linhas de crédito, como o crédito pessoal não consignado, que gira em torno de 83% ao ano, segundo dados do Banco Central.

Por Que os Juros São Tão Altos?

Percepção de risco influencia diretamente

De acordo com Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, o principal fator que explica essa elevação dos juros está no risco associado ao perfil dos trabalhadores do setor privado. Ao contrário dos servidores públicos, que têm estabilidade no emprego, trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estão sujeitos à demissão, o que eleva o risco de inadimplência percebido pelos bancos.

FGTS como garantia ainda não está operacional

Um dos principais mecanismos previstos para reduzir esse risco — o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia — ainda não estava completamente operacional no mês de abril.

A regulamentação prevê que, em caso de demissão, até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória possam ser utilizados para quitar o saldo devedor do empréstimo. Quando esse recurso estiver plenamente ativo, espera-se que os juros sejam reduzidos, pois o risco para as instituições financeiras será significativamente menor.

Como Funciona o Novo Consignado Privado

crédito consignado
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Limite de comprometimento da renda

A modalidade permite que até 35% da renda mensal do trabalhador seja comprometida com as parcelas do empréstimo, descontadas diretamente da folha de pagamento.

O que acontece se o trabalhador for demitido?

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Caso o trabalhador mude de emprego, o desconto das parcelas é transferido automaticamente para o novo salário. Entretanto, em caso de demissão sem recolocação imediata, o FGTS será utilizado como garantia parcial da dívida, reduzindo o risco para os bancos, mas não eliminando completamente o risco de inadimplência.

Migração de contratos e vantagens prometidas

Uma das inovações é a possibilidade de migração de contratos antigos, de outras modalidades de crédito, para o consignado privado. Essa alternativa é especialmente vantajosa para quem possui dívidas em modalidades com juros mais altos, como o crédito pessoal, cheque especial ou cartão de crédito, cujas taxas podem ultrapassar 300% ao ano.

O Que Esperar dos Próximos Meses?

Pressão por juros mais baixos

A expectativa do mercado e dos consumidores é que, com a plena operação da garantia via FGTS, as taxas de juros do consignado privado comecem a recuar nos próximos meses. O próprio Banco Central reconhece que os números de abril refletem uma fase inicial de adaptação, tanto dos bancos quanto dos tomadores de crédito.

Expansão do crédito e risco de superendividamento

Por outro lado, especialistas alertam para o risco de que a facilidade no acesso ao crédito possa estimular o endividamento excessivo, especialmente em um cenário econômico ainda instável e com o mercado de trabalho apresentando sinais de desaceleração.

“O crédito consignado privado é uma alternativa mais barata do que outras linhas, mas não pode ser encarado como uma solução para todos os problemas financeiros. É preciso planejamento”, avalia o economista José Roberto Sanches, professor da FGV.

Imagem: Freepik e Canva

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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