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Caneta nacional para obesidade será lançada nas farmácias a partir de segunda-feira

EMS inicia vendas de Olire e Lirux, canetas injetáveis para obesidade e diabetes tipo 2, com produção nacional e preços a partir de R$ 307.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
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A farmacêutica brasileira EMS deu um passo inédito no mercado nacional de medicamentos ao anunciar, nesta quinta-feira (31), o início das vendas das primeiras canetas injetáveis contra obesidade e diabetes tipo 2 fabricadas integralmente no Brasil. Os medicamentos Olire, voltado ao tratamento da obesidade, e Lirux, indicado para o controle do diabetes tipo 2, são os primeiros do gênero com produção 100% nacional, e estarão disponíveis inicialmente em redes de farmácias das regiões Sul e Sudeste.

A expectativa é que os produtos ampliem o acesso ao tratamento com análogos do GLP-1, moléculas sintéticas que atuam sobre o metabolismo e ganharam notoriedade nos últimos anos em todo o mundo, especialmente com o uso crescente dos medicamentos Saxenda e Victoza, fabricados pela dinamarquesa Novo Nordisk.

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Distribuição inicial atinge 150 mil unidades

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Imagem: Freepik

A EMS informou que, nesta primeira fase, 100 mil canetas de Olire e 50 mil de Lirux foram distribuídas para as redes Raia Drogasil, Drogaria São Paulo e Pacheco, com vendas tanto em lojas físicas quanto online. Até o final de 2025, a empresa projeta disponibilizar 250 mil canetas e, até agosto de 2026, pretende alcançar a produção de meio milhão de unidades.

A fabricação dos medicamentos ocorre na recém-inaugurada fábrica de peptídeos da EMS em Hortolândia (SP), construída com investimento superior a R$ 1 bilhão. A unidade tem capacidade inicial de produzir 20 milhões de canetas por ano, podendo dobrar esse volume conforme a demanda.

Preço competitivo promete ampliar o acesso

A EMS destacou o compromisso com a democratização do acesso aos tratamentos, com preços mais acessíveis em comparação com os similares importados. Segundo a farmacêutica, os preços de lançamento são:

  • Olire (1 caneta): R$ 307,26
  • Lirux (1 caneta): R$ 307,26
  • Lirux (2 canetas): R$ 507,07
  • Olire (3 canetas): R$ 760,61

O preço médio de uma caneta de Saxenda, referência para obesidade, gira atualmente em torno de R$ 800 no mercado, o que torna a nova alternativa nacional quase 60% mais barata, tornando o tratamento viável para um maior número de brasileiros.

Tecnologia de ponta para produção nacional

O princípio ativo dos dois medicamentos é a liraglutida, molécula pertencente à classe dos análogos do GLP-1 (glucagon-like peptide-1). Essa substância atua no organismo retardando o esvaziamento gástrico, aumentando a sensação de saciedade e, com isso, auxiliando no controle do apetite e dos níveis glicêmicos.

Segundo a EMS, a produção é feita por meio de uma tecnologia de síntese química de peptídeos, processo de alta complexidade que consiste em ligar aminoácidos, um a um, na ordem exata necessária para formar a liraglutida. Esse avanço tecnológico permite à indústria nacional fabricar medicamentos antes restritos a laboratórios estrangeiros com controle de qualidade rigoroso.

“Estamos consolidando a capacidade do país de desenvolver e fabricar medicamentos de alta complexidade, com tecnologia própria e competitividade global”, declarou Carlos Sanchez, presidente da EMS.

Próximo passo: versão nacional da semaglutida

Obesidade
Imagem: MauricioSPY | shutterstock.com

A EMS também confirmou que prepara o lançamento da semaglutida de produção nacional, princípio ativo presente nos medicamentos Ozempic (para diabetes) e Wegovy (para obesidade), ambos da Novo Nordisk e atualmente com preço elevado no mercado brasileiro.

Com o fim da patente da semaglutida previsto para 2026, a farmacêutica brasileira planeja colocar no mercado um produto nacionalizado, o que deve aumentar a concorrência e reduzir os preços. Estima-se que o mercado brasileiro de análogos do GLP-1 movimente R$ 6 bilhões por ano, o que atrai o interesse de empresas nacionais em conquistar parte dessa fatia.

“Com a produção nacional, oferecemos alternativas seguras e de alta qualidade, desenvolvidas com tecnologia de ponta e em conformidade com os mais altos padrões internacionais”, afirmou Iran Gonçalves Jr., diretor médico da EMS.

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Impacto no mercado e no tratamento da obesidade

A obesidade é considerada uma epidemia global e afeta cerca de 22% da população adulta brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde. O diabetes tipo 2, por sua vez, atinge mais de 9% dos brasileiros, com custos elevados para o sistema de saúde.

Com a chegada dos medicamentos nacionais, especialistas acreditam que o acesso ao tratamento será ampliado, especialmente para pacientes da classe média que hoje não conseguem arcar com os altos preços dos medicamentos importados.

Além disso, o desenvolvimento local também pode impulsionar a inserção do Brasil no mercado internacional de biotecnologia, com potencial para exportação de medicamentos no futuro.

Conclusão: marco na indústria farmacêutica brasileira

O lançamento das canetas Olire e Lirux representa um marco para a indústria farmacêutica nacional. Com investimento robusto, tecnologia de ponta e um modelo de negócios voltado à ampliação do acesso, a EMS inaugura uma nova etapa na produção de medicamentos complexos no país.

A iniciativa também reforça a capacidade do Brasil de inovar e competir em um mercado globalizado, oferecendo alternativas terapêuticas eficazes e acessíveis, com qualidade equiparada aos medicamentos importados.

Se os próximos lançamentos, como o da semaglutida nacional, seguirem o mesmo caminho, o Brasil poderá não só reduzir sua dependência de importações como também se tornar uma referência na produção de medicamentos biotecnológicos de última geração.

Imagem: Freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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