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Endividamento atinge patamar crítico entre brasileiros diz estudo; veja

Estudo revela que 70% dos brasileiros vivem na “corda bamba financeira”. Descubra aqui as causas do endividamento e as soluções práticas!!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes8 min de leitura
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Uma pesquisa recente, conduzida pelo Banco Inter em parceria com a renomada consultoria Consumoteca, lançou luz sobre a grave situação financeira do país, confirmando o que os indicadores de endividamento já sugeriam. O brasileiro médio encontra-se em um estado de “corda bamba financeira”, constantemente à beira do colapso e a apenas um imprevisto de distância de uma crise pessoal, impulsionado pela falta de conhecimento prático na administração do dinheiro.

Os números revelados pelo estudo são alarmantes e expõem a fragilidade da gestão financeira doméstica: menos de 30% dos entrevistados afirmam ter suas contas em “ordem”, e um percentual ainda mais baixo — apenas 23% — consegue manter o hábito de guardar dinheiro com regularidade. Isso significa que a grande maioria da população está em um constante e arriscado ato de equilibrismo financeiro, gerenciando gastos sem o devido conhecimento para construir um futuro sólido.

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A busca desesperada por crédito e o enigma da negação bancária

A pesquisa, denominada “Acrobacia Financeira”, detalha a relação complexa e muitas vezes desesperada do brasileiro com o crédito. De acordo com o levantamento, 60% dos brasileiros recorreram a algum tipo de crédito (empréstimos, financiamentos ou cartões) ao longo do ano. Essa busca intensa por capital externo revela uma incapacidade de cobrir despesas básicas ou lidar com emergências usando recursos próprios.

O mistério da reprovação e a falta de transparência

Apesar da alta demanda, metade dos solicitantes de crédito teve seu pedido negado em algum momento, sem conseguir compreender os motivos da rejeição. Apenas 17% dos entrevistados declararam ter clareza sobre os requisitos necessários para ter um pedido de crédito aprovado. Não por acaso, 60% dos participantes expressaram a percepção de que as instituições bancárias não são transparentes no processo de análise e concessão de crédito. Essa opacidade contribui para o sentimento de frustração e insegurança.

A sede por educação financeira

Em contrapartida, a pesquisa destaca um desejo intenso por aprendizado: nove em cada dez brasileiros reconhecem a necessidade urgente de aprofundar seus conhecimentos em educação financeira. Contudo, esse desejo esbarra em barreiras práticas, conforme apontado por Gabriela Mello, líder de insights da Consumoteca. Ela explica que o problema se resume a dois fatores primários: 1) a falta crônica de tempo; e 2) o excesso de estresse mental.

O dilema da urgência versus o longo prazo

“Quem está mal das finanças não consegue parar para ‘assistir aula’ de finanças. Ele precisa de ajuda prática, no fluxo do dia a dia”, explica Gabriela. O estado de aflição imediata impede o foco em soluções de longo prazo, criando um descompasso entre a necessidade de resolver a dor financeira urgente e o tempo necessário para absorver o conhecimento que traria estabilidade futura.

A lógica da sobrevivência: trocando o planejamento pelo improviso

Um dos achados mais relevantes da pesquisa é a forma como o brasileiro, preso na “corda bamba financeira”, é obrigado a trocar o planejamento estruturado pela reação imediata. A tensão da urgência financeira anula qualquer possibilidade de pensar em metas de longo prazo, como aposentadoria ou reserva de emergência.

A mentalidade de curtíssimo prazo

A rotina de gestão se resume a decisões de curtíssimo prazo: “Como eu pago esta conta hoje?”. Essa lógica de sobrevivência do dia a dia transforma o planejamento em improviso. As alternativas mais óbvias e acessíveis para fechar o mês são acionadas: parcelamento no cartão de crédito, o uso de Pix parcelado, o empurrar da fatura para o mês seguinte ou o recurso ao limite do cheque especial.

As armadilhas do improviso

Gabriela Mello enfatiza que essa não é uma “falta de inteligência, mas sim um improviso com as armas disponíveis”. O problema surge quando, sem uma visão de conjunto e sem informação de qualidade, esses truques de sobrevivência se transformam em armadilhas financeiras. O pagamento mínimo do cartão, as rolagens de dívida e os juros de dois dígitos ao mês (que chegam a 15% ou mais no rotativo) criam uma espiral de endividamento de difícil reversão.

O estresse financeiro e a saúde mental

O estudo também correlaciona diretamente o endividamento com o bem-estar mental. O nível de estresse atinge seu pico justamente entre aqueles que vivem “no limite” das contas. A responsável pela pesquisa aponta que para a maioria, “educação financeira significa ter controle e aprendizado, duas coisas que exigem tempo e estabilidade, justamente o que falta para quem está aflito com as contas. O resultado é um descompasso entre a urgência da dor e o longo prazo para resolver”.

O crescimento do crédito e a necessidade de educação contextualizada

Diante desse cenário de alta demanda por crédito e baixo conhecimento de gestão, instituições financeiras como o Banco Inter estão reavaliando suas estratégias. A carteira de crédito da instituição deve fechar o ano com um crescimento médio de 30%, um ritmo que é o triplo da média do mercado, segundo o CEO do Inter no Brasil, Alexandre Riccio.

O foco em linhas de crédito mais saudáveis

“Este foi um ano forte em crédito para nós e avançamos muito em linhas mais baratas”, afirma Riccio. O Inter concentrou esforços em alavancar produtos com menor risco e juros mais acessíveis ao cliente, como home equity (empréstimo com garantia de imóvel), financiamento imobiliário, crédito consignado privado e a antecipação do saque-aniversário do FGTS. A instituição também mantém um volume expressivo de R$ 62 bilhões em transações anualizadas com cartão de crédito, mostrando a centralidade desse produto.

A nova visão sobre a relação com o dinheiro

A leitura estratégica do Inter é clara: o problema do endividamento não é apenas o acesso ao crédito, mas a relação do usuário com ele. O mesmo produto (o cartão de crédito) que pode ajudar a “ganhar 30 dias” de prazo, se mal administrado, pode virar uma espiral de juros altíssimos, como no exemplo clássico do rotativo com taxas em torno de 15% ao mês, a maior armadilha do improviso.

A solução inovadora: transparência e orientação no fluxo diário

Para resolver o descompasso entre a urgência e a educação, o Banco Inter anunciou uma medida inovadora focada em aumentar a transparência e fornecer orientação prática, contextualizada ao momento do cliente.

A explicação da negativa de crédito

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O novo serviço visa explicar ao cliente as razões concretas para eventuais negativas de crédito diretamente dentro do aplicativo. Esta é uma resposta direta à percepção de opacidade dos bancos. Além de explicar o “não”, a instituição listará ações concretas e passos práticos que os clientes podem executar para melhorar sua avaliação e score de crédito ao longo do tempo.

Linguagem simples e interface intuitiva

Mauro Rangel, diretor de Crédito e Recuperação do Inter, detalha a abordagem: “Vamos usar linguagem simples, frases curtas e uma interface que tenta caber na rotina do cliente”. A filosofia é abandonar o modelo tradicional de educação financeira, que exige que o usuário reserve tempo para “estudar”, e passar a oferecer a ajuda de forma just-in-time, acoplando-se a interações que o cliente já tem com o banco no fluxo do dia a dia.

A educação financeira como serviço

Essa nova abordagem transforma a educação financeira em um serviço contextualizado, fornecendo o insight certo na hora certa (por exemplo, ao solicitar um empréstimo ou usar o rotativo). O objetivo é que a informação prática e acionável seja absorvida sem adicionar mais estresse ou tempo à rotina do usuário já sobrecarregado.

O papel das fintechs e o futuro da gestão de dívidas

O cenário de endividamento crítico no Brasil exige que as instituições financeiras digitais, as fintechs, assumam um papel mais ativo na educação e na prevenção do risco. A transparência no processo de crédito, como a proposta pelo Banco Inter, é um passo crucial.

A necessidade de personalização

A pesquisa “Acrobacia Financeira” provou que soluções genéricas de educação financeira falham com a população mais vulnerável. A chave para a mudança está na personalização e na entrega de informações em formatos de fácil consumo. Isso inclui o uso de chatbots inteligentes, alertas proativos e interfaces que simulam cenários de pagamento, mostrando o custo real de cada decisão de crédito.

O combate ao cheque especial e ao rotativo

O foco em linhas de crédito mais baratas, como consignado e home equity, e a desmistificação de produtos de alto custo, como o cheque especial e o cartão rotativo, são essenciais para resgatar milhões de brasileiros da espiral da dívida. A responsabilidade do setor financeiro transcende a concessão de crédito; ela se estende à garantia de que esse crédito seja usado de forma sustentável.

O estudo sobre o endividamento brasileiro é um chamado de alerta que não pode ser ignorado. A grande maioria da população vive em um estado de vulnerabilidade, trocando o planejamento pela urgência do improviso, e o crédito se torna uma faca de dois gumes.

A solução para a crise de endividamento passa pela adoção de estratégias práticas e transparentes pelas instituições financeiras, como o novo modelo de feedback e orientação do Banco Inter. Para o cidadão, a chave é romper o ciclo do estresse e do curto prazo, buscando o controle ativamente. Usar as ferramentas disponíveis para entender o próprio perfil de risco e fazer escolhas financeiras informadas, como priorizar linhas de crédito de baixo custo, é o caminho inevitável para sair da “corda bamba” e construir a estabilidade.

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Erivelto Lopes

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Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

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