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Crédito consignado impulsiona endividamento e pressiona renda das famílias

O endividamento das famílias no Brasil permanece em níveis preocupantes e continua sendo um dos principais desafios da economia. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, cerca de 80,2% dos brasileiros possuem algum tipo de dívida, enquanto aproximadamente 30% estão inadimplentes. Esse cenário reflete uma combinação de fatores estruturais, como […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 4 min de leitura
emprestimo 019

O endividamento das famílias no Brasil permanece em níveis preocupantes e continua sendo um dos principais desafios da economia. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, cerca de 80,2% dos brasileiros possuem algum tipo de dívida, enquanto aproximadamente 30% estão inadimplentes.

Esse cenário reflete uma combinação de fatores estruturais, como renda limitada, inflação persistente e maior acesso ao crédito. Nos últimos anos, uma modalidade em especial tem ganhado protagonismo: o crédito consignado privado.

Leia mais:

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O que está por trás do aumento do endividamento

Especialistas apontam que o crescimento das dívidas no país não é recente, mas vem sendo intensificado por mudanças no perfil de crédito.

Expansão do crédito consignado

O crédito consignado, que possui desconto direto na folha de pagamento, passou a ser mais acessível também para trabalhadores do setor privado. Isso ampliou o alcance dessa modalidade, considerada mais barata em comparação ao cartão de crédito.

Na prática, muitos brasileiros passaram a trocar dívidas com juros altos por empréstimos consignados — o que inicialmente parece vantajoso, mas pode gerar um novo ciclo de endividamento.

Substituição de dívidas: solução ou armadilha?

A troca de dívidas caras por mais baratas é uma estratégia comum. No entanto, o problema surge quando o consumidor:

  • Mantém o hábito de contrair novas dívidas
  • Não reduz gastos
  • Usa o crédito como complemento de renda

Esse comportamento pode levar a um efeito conhecido no mercado como “bola de neve financeira”.

O papel do consignado e do FGTS no aumento das dívidas

Outro fator relevante é o uso de recursos como o saque-aniversário do FGTS.

Antecipação do FGTS

Atualmente, grande parte dos valores do saque-aniversário já está comprometida com antecipações feitas junto a instituições financeiras.

Isso significa que muitos trabalhadores já “gastaram” um dinheiro que ainda nem receberam, reduzindo sua margem financeira futura.

Endividamento x inadimplência: qual a diferença?

Embora estejam relacionados, os dois conceitos não são iguais.

Endividamento

Refere-se ao fato de ter dívidas, o que pode ser normal e até saudável se estiver dentro do controle financeiro.

Inadimplência

Ocorre quando a pessoa não consegue pagar suas dívidas dentro do prazo.

O aumento da inadimplência é o principal sinal de alerta para a economia, pois indica que as famílias estão perdendo capacidade de pagamento.

Como a taxa Selic impacta o bolso do brasileiro

A taxa básica de juros da economia, definida pelo Banco Central do Brasil, tem papel direto no nível de endividamento.

Efeito da alta da Selic

Quando a Selic sobe:

  • O crédito fica mais caro
  • As parcelas aumentam
  • O consumo diminui
  • A inadimplência tende a crescer

Esse movimento foi observado desde 2021, quando o Brasil entrou em um ciclo de alta de juros para conter a inflação.

Impacto nos bancos e no crédito disponível

O aumento da inadimplência também afeta diretamente o sistema financeiro.

Consequências para o mercado

  • Bancos aumentam provisões para perdas
  • Crédito fica mais caro
  • Financiamentos se tornam mais restritos

Na prática, isso cria um efeito em cadeia: menos crédito disponível e maior dificuldade para famílias reorganizarem suas finanças.

O risco do crescimento baseado em endividamento

Especialistas apontam que o Brasil tem um histórico de crescimento econômico baseado no aumento do crédito — o que pode gerar instabilidade.

Esse modelo é conhecido no mercado como crescimento de curto prazo sem sustentação, onde:

  • O consumo aumenta rapidamente
  • O endividamento cresce
  • A economia desacelera posteriormente

Esse ciclo pode prejudicar tanto famílias quanto empresas.

Como evitar cair na inadimplência

Diante desse cenário, a educação financeira se torna essencial.

Dicas práticas para o dia a dia

  • Priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos
  • Evitar usar crédito como complemento de renda
  • Controlar gastos mensais
  • Criar uma reserva de emergência
  • Avaliar bem antes de contratar empréstimos

Exemplo real

Um trabalhador que utiliza o consignado para quitar cartão de crédito deve evitar novas compras parceladas. Caso contrário, ele acumula duas dívidas ao mesmo tempo.

O que esperar para os próximos meses

A tendência do endividamento no Brasil dependerá principalmente de três fatores:

  • Evolução da taxa Selic
  • Nível de renda das famílias
  • Oferta de crédito no mercado

Se os juros permanecerem elevados, o cenário de pressão financeira deve continuar.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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