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Economista aponta juros elevados como causa do endividamento

Entenda por que o endividamento e a inadimplência avançam no Brasil e como juros altos impactam as famílias.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
Endividamento

O endividamento das famílias brasileiras voltou ao centro do debate econômico em 2026. Dados recentes mostram que o número de brasileiros com contas em atraso segue elevado desde 2021, refletindo um problema que vai além de crises pontuais. Segundo análise do pesquisador Flávio Ataliba, do FGV Ibre, trata-se de uma questão estrutural, fortemente influenciada pelo histórico de juros altos no país.

A avaliação foi apresentada no programa Mercado Aberto, do Canal UOL, e reforça um diagnóstico já observado por diferentes instituições: o Brasil convive há décadas com um custo de crédito elevado, que compromete a saúde financeira das famílias.

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O impacto da pandemia na renda das famílias

Queda de renda e aumento das dívidas

Durante a pandemia de Covid-19, milhões de brasileiros enfrentaram perda de renda, desemprego ou redução de jornada, o que intensificou o endividamento das famílias. Esse cenário levou muitas pessoas a recorrerem ao crédito para manter despesas básicas como alimentação, aluguel e contas de serviços, ampliando ainda mais o nível de endividamento no país.

Esse movimento gerou um efeito cascata:

Mesmo com programas emergenciais, como o auxílio do governo, o impacto não foi suficiente para conter o avanço do endividamento.

Crédito mais caro ao longo do tempo

Após o período inicial da pandemia, o cenário se agravou com a elevação das taxas de juros. A taxa básica, a Selic, subiu significativamente entre 2021 e 2023 para conter a inflação.

Esse aumento teve efeito direto:

  • Parcelas de dívidas ficaram mais caras
  • Juros rotativos do cartão atingiram níveis elevados
  • Renegociações se tornaram mais difíceis

Na prática, o que já era uma dívida administrável passou a ser um problema crescente.

Por que o problema é considerado estrutural

Histórico de juros elevados

O Brasil possui um dos maiores custos de crédito do mundo. Mesmo em períodos de queda da Selic, o spread bancário permanece elevado, o que significa que o consumidor paga juros muito acima da taxa básica.

Esse fenômeno ocorre por fatores como:

  • Risco de inadimplência elevado
  • Baixa concorrência no sistema financeiro
  • Custos operacionais e tributários

O resultado é um ciclo difícil de quebrar: juros altos aumentam a inadimplência, e a inadimplência elevada mantém os juros altos.

Baixa educação financeira

Outro ponto destacado por especialistas é a falta de educação financeira da população. Muitos brasileiros ainda:

  • Não controlam o orçamento mensal
  • Utilizam crédito rotativo sem planejamento
  • Desconhecem taxas e encargos

Sem planejamento, o crédito deixa de ser uma ferramenta e se torna uma armadilha.

Informalidade e renda instável

A alta taxa de informalidade no Brasil também contribui para o problema. Trabalhadores sem renda fixa têm maior dificuldade em:

  • Planejar pagamentos
  • Acessar crédito mais barato
  • Manter regularidade financeira

Isso aumenta o risco de atraso e inadimplência.

Inadimplência em alta: o retrato atual

Dados de entidades como a Serasa Experian e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostram que milhões de brasileiros seguem inadimplentes.

Entre os principais fatores estão:

  • Comprometimento elevado da renda com dívidas
  • Inflação acumulada em itens essenciais
  • Dificuldade de renegociação

Em muitos casos, famílias destinam mais de 30% da renda ao pagamento de dívidas, o que compromete o consumo e o crescimento econômico.

O papel dos bancos e do sistema financeiro

Spread bancário e custo do crédito

O spread bancário, diferença entre o custo de captação e o que é cobrado do cliente, é um dos maiores do mundo no Brasil. Isso eleva significativamente o custo final do crédito.

Mesmo com avanços como:

  • Open Finance
  • PIX
  • Maior digitalização bancária

O impacto na redução de juros ainda é limitado para o consumidor final.

Renegociação e programas de incentivo

Nos últimos anos, iniciativas como mutirões de renegociação e programas governamentais buscaram aliviar o endividamento.

Entre os exemplos estão:

  • Feirões de negociação de dívidas
  • Programas de incentivo à regularização
  • Condições especiais para pagamento à vista

Apesar disso, muitos consumidores ainda enfrentam dificuldades para sair do vermelho.

Como o endividamento afeta a economia

Redução do consumo

Famílias endividadas consomem menos, o que impacta diretamente setores como:

  • Comércio
  • Serviços
  • Indústria

Esse efeito reduz o crescimento econômico e pode afetar a geração de empregos.

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Ciclo de baixo crescimento

O endividamento elevado cria um ciclo negativo:

  1. Famílias endividadas reduzem consumo
  2. Empresas vendem menos
  3. Economia desacelera
  4. Renda diminui
  5. Endividamento aumenta

Esse ciclo reforça a visão de que o problema é estrutural.

O que pode ser feito para reduzir o endividamento

Medidas de política econômica

Especialistas apontam algumas soluções possíveis:

  • Redução sustentável da taxa de juros
  • Incentivo à concorrência bancária
  • Ampliação do acesso ao crédito mais barato

Essas medidas dependem de estabilidade econômica e controle da inflação.

Educação financeira

Investir em educação financeira é essencial para mudar o comportamento do consumidor.

Práticas recomendadas incluem:

  • Planejamento do orçamento mensal
  • Evitar uso excessivo do crédito rotativo
  • Priorizar pagamento de dívidas com juros mais altos

Uso consciente do crédito

O crédito deve ser utilizado com estratégia. Algumas orientações práticas:

  • Evitar parcelamentos longos com juros
  • Comparar taxas antes de contratar
  • Manter reserva de emergência

Perspectivas para os próximos anos

O cenário para o endividamento no Brasil depende de fatores como:

  • Trajetória da Selic
  • Crescimento da renda
  • Políticas públicas de crédito

Caso os juros permaneçam elevados por muito tempo, a tendência é de manutenção do nível alto de inadimplência.

Por outro lado, avanços institucionais e tecnológicos podem ajudar a reduzir o custo do crédito no médio prazo.

Conclusão

O avanço do endividamento no Brasil não é um fenômeno recente nem pontual. Ele resulta de uma combinação de fatores estruturais, como juros altos, renda instável e baixa educação financeira.

A pandemia apenas acelerou um problema que já existia. Como destacou Flávio Ataliba, a raiz da questão está no modelo de crédito e nas condições econômicas do país.

Para reverter esse cenário, será necessário um esforço conjunto entre governo, instituições financeiras e consumidores, com foco em sustentabilidade financeira e acesso a crédito mais justo.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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