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Especialista compara uso do cartão de crédito a ferramenta de alto risco

Endividamento atinge recorde histórico no Brasil. Entenda os motivos do aumento do endividamento, os riscos do cartão de crédito e como sair das dívidas.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa8 min de leitura
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O percentual de brasileiros endividados voltou a atingir um novo recorde histórico. Segundo dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida em maio, o maior nível já registrado pela pesquisa, reforçando o avanço do endividamento no país.

O crescimento do endividamento preocupa especialistas porque demonstra o aumento da dependência do crédito para manter despesas básicas e compromissos financeiros. Em maio do ano passado, o índice era de 78,2%, o que evidencia uma deterioração gradual da situação financeira de milhões de brasileiros.

Entre os principais fatores que ajudam a explicar esse cenário de endividamento estão a inflação persistente em diversos segmentos da economia, o elevado custo de vida, os juros altos e a dificuldade de recomposição da renda familiar.

Nesse contexto, o cartão de crédito continua sendo apontado como o principal responsável pelo crescimento do endividamento das famílias brasileiras, especialmente entre consumidores que enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento mensal.

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Imagem: The Yuri Arcurs Collection / Freepik

O cartão de crédito permanece como a modalidade mais presente entre as dívidas das famílias brasileiras. A facilidade de aprovação, os limites pré-aprovados e a possibilidade de parcelamento tornam o produto amplamente utilizado no dia a dia.

Entretanto, o uso inadequado pode transformar uma ferramenta financeira útil em um problema difícil de controlar.

Durante participação no programa Conexão Record News, o economista Fernando Agra fez um alerta contundente sobre os riscos do uso desorganizado do cartão.

Segundo ele, muitas pessoas acabam utilizando o limite disponível como se fosse uma extensão da renda mensal, sem considerar o impacto das parcelas futuras no orçamento.

O especialista destacou que a falta de restrições às ofertas de crédito e o incentivo constante ao consumo contribuem para o agravamento do problema.

O perigo do crédito fácil

Nos últimos anos, instituições financeiras ampliaram significativamente as ofertas de cartões, empréstimos pessoais e linhas de crédito.

Promoções com aprovação instantânea, aumento automático de limite e parcelamentos longos passaram a fazer parte da rotina de milhões de consumidores.

Embora essas facilidades ampliem o acesso ao crédito, elas também aumentam o risco de inadimplência quando não são acompanhadas por planejamento financeiro.

Muitos consumidores contratam dívidas sem analisar sua capacidade real de pagamento, o que gera um efeito acumulativo ao longo dos meses.

Falta de educação financeira agrava o problema

Para Fernando Agra, a educação financeira ainda representa um dos maiores desafios do Brasil.

Apesar da crescente oferta de conteúdos sobre finanças pessoais, grande parte da população ainda possui dificuldades para elaborar um orçamento doméstico, controlar gastos e compreender o funcionamento dos juros.

A ausência desse conhecimento torna muitas famílias mais vulneráveis a decisões impulsivas de consumo.

Consumo imediato versus planejamento

Uma das armadilhas mais comuns é a compra por impulso.

Promoções, descontos temporários e facilidades de parcelamento podem criar a falsa sensação de que determinado produto cabe no orçamento.

Na prática, porém, o acúmulo de pequenas parcelas pode comprometer uma parcela significativa da renda mensal.

Quando isso acontece, despesas essenciais como alimentação, transporte, moradia e saúde passam a disputar espaço com as parcelas já contratadas.

Inflação e custo de vida pressionam o orçamento

Outro fator apontado pelos especialistas é o aumento do custo de vida.

Mesmo com períodos de desaceleração inflacionária, muitos produtos e serviços continuam registrando preços elevados quando comparados aos níveis observados há poucos anos.

Alimentos, energia elétrica, combustíveis, aluguel e serviços básicos seguem consumindo uma fatia importante da renda das famílias.

O impacto nas famílias de menor renda

Os efeitos da inflação costumam ser ainda mais severos entre os consumidores de menor poder aquisitivo.

Como a maior parte da renda é destinada a despesas essenciais, qualquer aumento de preços reduz significativamente a capacidade financeira disponível para outras necessidades.

Nessas situações, o crédito frequentemente surge como alternativa para cobrir gastos emergenciais ou complementar o orçamento.

Juros elevados transformam pequenas dívidas em grandes problemas

Um dos pontos mais preocupantes destacados pelo economista é o custo do crédito no Brasil.

As taxas cobradas em modalidades como cartão de crédito rotativo e cheque especial estão entre as mais altas do mundo.

Em alguns casos, a taxa anual pode ultrapassar 400%, fazendo com que uma dívida relativamente pequena cresça rapidamente.

Como os juros funcionam na prática

Imagine um consumidor que deixa de pagar integralmente uma fatura de R$ 2.000.

Caso permaneça por vários meses no crédito rotativo, os juros acumulados podem multiplicar o valor original da dívida, tornando a regularização cada vez mais difícil.

Esse fenômeno cria um ciclo perigoso em que parte da renda futura passa a ser destinada apenas ao pagamento de encargos financeiros.

Por que o sistema financeiro lucra mais quando o endividamento aumenta

Segundo a análise de Fernando Agra, o crescimento do endividamento também gera impactos positivos para determinadas instituições financeiras.

Quanto maior a demanda por empréstimos, financiamentos e renegociações, maior tende a ser a arrecadação com juros, tarifas e outros serviços relacionados ao crédito.

Isso não significa que o setor financeiro seja responsável pelo problema, mas evidencia a importância de os consumidores compreenderem plenamente os custos envolvidos antes de contratar qualquer operação.

Como sair das dívidas e recuperar o controle financeiro

Apesar do cenário preocupante, especialistas afirmam que é possível reorganizar as finanças e reduzir o peso das dívidas por meio de medidas práticas.

Faça um diagnóstico completo das dívidas

O primeiro passo recomendado é colocar todas as informações no papel ou em uma planilha.

É importante registrar:

  • Valor total devido;
  • Nome do credor;
  • Quantidade de parcelas restantes;
  • Taxa de juros aplicada;
  • Valor das prestações;
  • Data de vencimento.

Esse levantamento permite visualizar a situação real e identificar quais compromissos exigem atenção imediata.

Priorize as dívidas com juros mais altos

Nem todas as dívidas possuem o mesmo custo.

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Cartão de crédito e cheque especial normalmente apresentam as maiores taxas de juros e devem receber prioridade na estratégia de quitação.

Ao eliminar essas modalidades primeiro, o consumidor reduz significativamente o crescimento do saldo devedor.

Negocie com os credores

A renegociação continua sendo uma das alternativas mais eficazes para quem enfrenta dificuldades financeiras.

Muitas instituições oferecem descontos, parcelamentos diferenciados e condições especiais para clientes inadimplentes.

Feirões de negociação promovidos por bancos, empresas e plataformas especializadas também podem representar boas oportunidades para reduzir o valor total devido.

Considere trocar uma dívida cara por outra mais barata

Outra recomendação feita por especialistas é a chamada portabilidade ou substituição de dívida.

Na prática, o consumidor busca uma linha de crédito com juros menores para quitar uma obrigação mais cara.

Por exemplo, um empréstimo pessoal com taxa reduzida pode ser utilizado para liquidar uma dívida no cartão de crédito, diminuindo significativamente o custo financeiro total.

Contudo, essa estratégia exige cautela e análise detalhada das condições contratuais.

Como evitar novas dívidas no futuro

A recuperação financeira não depende apenas da quitação das pendências atuais. Também é necessário adotar hábitos que reduzam o risco de novos endividamentos.

Monte um orçamento mensal

Controlar receitas e despesas é fundamental para manter a saúde financeira.

Aplicativos de finanças pessoais, planilhas eletrônicas ou até mesmo anotações simples podem ajudar nesse acompanhamento.

Crie uma reserva de emergência

Ter recursos guardados para imprevistos reduz a necessidade de recorrer ao crédito em situações de urgência.

Especialistas costumam recomendar uma reserva equivalente a pelo menos três a seis meses de despesas essenciais.

Use o cartão de crédito com planejamento

O cartão não deve ser tratado como renda adicional.

Antes de realizar uma compra parcelada, é importante avaliar se as parcelas cabem no orçamento dos próximos meses sem comprometer outras despesas importantes.

O que esperar para os próximos meses

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O comportamento do endividamento das famílias dependerá de fatores como inflação, mercado de trabalho, renda da população e política de juros.

Caso os custos de vida continuem elevados e o crédito permaneça amplamente acessível, o número de brasileiros endividados poderá seguir em patamares historicamente altos.

Por outro lado, avanços na educação financeira, maior planejamento doméstico e estratégias de renegociação podem ajudar muitas famílias a recuperar o equilíbrio das contas.

Conclusão

O recorde de 81,6% de brasileiros endividados revela um cenário desafiador para as famílias em todo o país. A combinação de inflação, custo de vida elevado, crédito fácil e falta de educação financeira tem contribuído para o crescimento das dívidas, especialmente no cartão de crédito. Diante desse quadro, especialistas reforçam a importância do planejamento financeiro, da renegociação de débitos e do uso consciente do crédito para evitar que o endividamento comprometa ainda mais a renda e a qualidade de vida dos consumidores.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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