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Entenda como será a transição da Reforma Tributária

Entenda como será a transição para a reforma tributária que altera o sistema de impostos no Brasil. As novas regras começam em 2026

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins6 min de leitura
Reforma tributária transição

A reforma tributária é um dos temas mais debatidos no Brasil desde que foi proposta, com o objetivo de simplificar e unificar o sistema de impostos, reduzindo a complexidade do atual modelo tributário. 

Em 2024, o governo avançou com um dos maiores projetos de mudança no sistema fiscal, buscando uma nova configuração tributária com a criação de novos impostos, como o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). 

Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de regulamentação dessa reforma, que define como será a implementação gradual dessas mudanças. Confira como será a transição entre o atual sistema de impostos e as novas regras, além de detalhes do cronograma das mudanças até 2033, quando a reforma tributária será totalmente implementada.

Leia mais: Reforma tributária: confira a lista de remédios que receberão isenção de impostos

O que é a Reforma Tributária de 2024?

A reforma tributária de 2024 é uma reestruturação do sistema de tributos no Brasil, visando simplificar e unificar a cobrança de impostos. Ela substitui tributos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS, com a introdução de três novos impostos:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): Imposto federal, que substituirá o PIS e a Cofins;
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): Tributo de competência estadual e municipal, substituindo o ICMS e o ISS;
  • Imposto Seletivo (IS): Incide sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Além disso, a proposta também inclui a criação de um Comitê Gestor que ficará responsável pela administração do IBS, e o Imposto Seletivo será direcionado a itens como cigarros, bebidas alcoólicas, combustíveis e produtos com impacto ambiental.

Reforma tributária do Governo Lula
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

Como Será a Transição da Reforma Tributária?

O processo de implementação da reforma tributária será gradual e ocorrerá de 2026 a 2033, com etapas definidas para a adaptação dos contribuintes e da administração tributária.

Fase 1: Teste das Novas Regras (2026)

A primeira fase da transição começará em 2026, quando os novos impostos serão testados. Durante este período, empresas serão obrigadas a destacar na nota fiscal o valor que corresponderia à CBS (0,9%) e ao IBS (0,1%). Contudo, os impostos não serão efetivamente cobrados, sendo apenas uma simulação do sistema que será implementado.

Esse teste servirá para que os contribuintes e o governo possam identificar possíveis problemas na transição antes da cobrança efetiva dos novos tributos. As empresas precisarão se adaptar ao novo sistema de emissão de notas fiscais, ajustando suas práticas contábeis e de cobrança.

Fase 2: Implementação do Imposto Seletivo e Extinção de Tributos (2027)

Em 2027, a reforma tributária avançará com a implementação do Imposto Seletivo (IS), que incidirá sobre produtos como cigarro, bebidas alcoólicas e combustíveis, com a finalidade de reduzir o consumo de itens prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Além disso, neste ano, serão extintos os seguintes tributos:

  • PIS e Cofins: Ambos serão substituídos pela CBS;
  • IOF/Seguros: Também será extinto;
  • IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): Haverá a isenção do IPI, com exceção para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus.

Essa fase marcará o início da cobrança efetiva da CBS e a extinção de uma série de tributos que atualmente compõem o sistema fiscal brasileiro.

Fase 3: Coexistência dos Tributos (2027–2030)

A partir de 2027 até 2030, o IBS e o ICMS/ISS coexistirão. Esse período será crucial para que os estados e municípios se adaptem à nova realidade tributária e o governo federal estabeleça as regras definitivas para o IBS. 

Durante este intervalo, os tributos ainda não estarão completamente integrados, e uma transição gradual será aplicada para permitir ajustes nas arrecadações estaduais e municipais.

Fase 4: Implementação Completa do IBS e CBS (2033)

Em 2033, o sistema tributário brasileiro será totalmente reformado, com a implementação definitiva do IBS e da CBS. Nesse ano, o IBS substituirá completamente o ICMS e o ISS, e as arrecadações tributárias estarão consolidadas nos novos impostos.

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Quais são os Benefícios da Reforma Tributária?

A reforma tributária, ao buscar a simplificação do sistema de impostos, tem como objetivos principais:

  • Redução da Complexidade Fiscal: O sistema atual de múltiplos tributos (PIS, Cofins, ICMS, ISS, etc.) é considerado um dos mais complicados do mundo. A reforma busca unificar e simplificar a tributação sobre o consumo, reduzindo a burocracia e os custos administrativos para as empresas;
  • Aumento da Eficiência na Arrecadação: A nova estrutura visa aumentar a eficiência na arrecadação e diminuir a evasão fiscal, com a implementação de um sistema mais transparente;
  • Equidade Tributária: A reforma também busca garantir que a carga tributária seja distribuída de forma mais justa, com a extinção de incentivos fiscais que favoreciam setores específicos, e a criação de tributos que incidam de forma mais igualitária;
  • Fomento ao Crescimento Econômico: A simplificação do sistema tributário pode resultar em um ambiente de negócios mais competitivo e favorável ao investimento, estimulando o crescimento econômico do país.

Desafios na Implementação da Reforma Tributária

Apesar dos benefícios esperados, a transição para a nova estrutura tributária não será simples e pode enfrentar diversos desafios, como:

  • Adaptação das Empresas: A necessidade de adaptação dos sistemas contábeis e fiscais das empresas ao novo modelo pode gerar custos e dificuldades, especialmente para pequenos e médios negócios;
  • Resistência dos Estados e Municípios: Como o IBS envolve a transferência de parte da arrecadação para os estados e municípios, pode haver resistência de algumas regiões que, com a mudança, perderão recursos tributários;
  • Complexidade na Implementação Gradual: A transição gradual pode gerar confusão, especialmente com a coexistência de impostos antigos e novos por vários anos, o que exigirá constante atualização das normas e comunicação clara com os contribuintes.
Reforma tributária
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O Papel do Comitê Gestor na Reforma

Outro ponto relevante da reforma tributária é a criação de um Comitê Gestor, responsável pela administração do IBS. Esse comitê será encarregado de monitorar e regular as cobranças do novo imposto, além de estabelecer normas para resolver eventuais disputas entre os entes federados (União, estados e municípios).

A segunda proposta de regulamentação, que trata do Comitê Gestor, já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado. Esse comitê será fundamental para garantir que o novo sistema funcione de maneira eficiente e sem falhas.

Imagem: Lula Marques/ Agência Brasil

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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