O Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), publicou uma nota de posicionamento a respeito do trabalho escravo realizado por prestadora de serviços das vinícolas Aurora, Garibaldi e Salton.
Entidade culpa Bolsa Família por trabalho escravo em vinícolas
Associação ainda defendeu as vinícolas por não saberem das condições análogas à escravidão e se solidarizou para ajudá-las. Entenda!
No comunicado, o CIC-BG mencionou que defende o “desenvolvimento sustentável, ético e responsável dos negócios e empreendimentos econômicos”. Além disso, foi dito que a entidade está acompanhando com atenção o andamento das investigações acerca do caso.
No entanto, foi mencionado na nota que a situação vivida por mais de 200 trabalhadores escravizados, se deu por falta de mão de obra na cidade. Segundo o texto, grande parte da população sobrevive com programas sociais, como o Bolsa Família. Saiba mais a seguir.
Culpa do assistencialismo, segundo entidade
O CIC-BG relatou em nota que as vinícolas que se envolveram no caso, nada sabiam das condições análogas à escravidão vivida por centenas de trabalhadores. Dessa forma, a entidade prestou apoio às empresas “na busca por soluções de melhoria na contratação do trabalho temporário e terceirizado”.
Ademais, o Centro da Indústria, Comércio e Serviços do município disse que as vinícolas Aurora, Garibaldi e Salton são fundamentais para a comunidade. Além disso, foi mencionado que essas companhias preocupam-se com o bem-estar dos colaboradores por oferecerem “boas condições de trabalho”.
Contudo, o CIC alega que a ausência de trabalhadores no município, propiciada pelo assistencialismo, foi o motivo de tal conduta da prestadora de serviços ao dizer:
“Situações como esta, infelizmente, estão também relacionadas a um problema que há muito tempo vem sendo enfatizado e trabalhado pelo CIC-BG e Poder Público local: a falta de mão de obra e a necessidade de investir em projetos e iniciativas que permitam minimizar este grande problema. Há uma larga parcela da população com plenas condições produtivas e que, mesmo assim, encontra-se inativa, sobrevivendo através de um sistema assistencialista que nada tem de salutar para a sociedade”, Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves, em nota.
Além disso, o CIC-BG enunciou que irá realizar projetos e iniciativas para suprir a “carência de mão de obra”. Nesse sentido, a entidade pretende fornecer às empresas da macrorregião condições para o desenvolvimento seguindo os seus “conceituados modelos de trabalho ético, responsável e sustentável”.
Repercussão nas redes sociais
Diversos internautas recorreram ao Facebook do CIC-BG para manifestar repúdio acerca da nota de posicionamento publicada pela entidade assim que o caso veio à tona.
No post intitulado “Manifestação coletiva em defesa dos nossos valores”, com uma lista de medidas a serem tomadas pela entidade em questão e diversas outras associações do ramo, há inúmeros comentários com críticas à nota.
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Desse modo, representantes do CIC-BG foram chamados de “canalhas”, “facistas”, “escravocratas”, dentre outros termos. Um comentário, por exemplo, dizia “Culpando os pobres pelos crimes que as vinícolas cometeram? Canalhas.”
Outra pessoa comentou que associar a falta de mão e obra, o programa Bolsa Família e escravidão, é incoerente: “Não faz sentido dizer que falta mão de obra por causa do bolsa família e escravizar os querem trabalhar!! Malditos escravagistas!”
Site fora do ar
Minutos antes do fechamento desta matéria, o site do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), foi retirado do ar. Além da nota mencionada, todas as informações acerca da entidade ficaram inacessíveis, após a repercussão do caso.
Imagem: Zoom Team/ shutterstock.com
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